2019

Por que ensinar sobre etiqueta não está em desuso?

A importância da Etiqueta à Mesa como conhecimento em formações profissionais

Por Ana Maria Imhoff

Em tempos de informalidade e relações virtuais a etiqueta à mesa está em desuso, não é mesmo, Ana?! 

Dúvida como esta é levantada a cada aula, palestra ou treinamento que trabalho em dias atuais. É altamente proferido que as regras de etiqueta de forma geral, não somente à mesa, estão em desuso ou cada vez menos valorizadas nas relações virtuais e informais inseridas em nosso meio. As regras estão sendo desestimuladas e gerando pouco uso e o resultado disto tenho sentido de forma significativa em empreendimentos gastronômicos, área que atuo com frequência em consultorias e na educação superior. 

Os impactos gerados pela falta deste conhecimento na formação de profissionais que irão trabalhar com gastronomia, estão diretamente ligados aos procedimentos de serviços, responsabilidade social e ambiental, ações de gestão de pessoas, como avaliações de desempenho de funcionários do setor, além de prejuízos monetários com ações de propaganda e marketing.

Segundo Claudia Matarazzo (2003), etiqueta funciona como um código de relacionamento, visa facilitar a socialização, pois ajuda na comunicação com os outros. Em Alimentos & Bebidas (A&B), a organização, os procedimentos e os processos de trabalho alicerceado pelas bases teóricas do tema geram menos desperdícios, maior otimização de recursos materiais e humanos, potencializando posicionamento no mercado e lucro.

Você sabia que uma taça disposta em uma montagem de mesa que não será utilizada, deverá ser lavada/polida novamente antes de ser guardada? Você sabia que um determinado prato, entrada ou sobremesa de um cardápio pode não ter saída (ou ter uma saída mínima), por conta dos talheres que você colocou (ou não colocou) à mesa? Já pensou que talvez aquele sorridente garçom seja tão demorado porque o tipo de serviço (a forma como o alimento chegará ao comensal), requereria um maior número de garçons no procedimento?

Se estas perguntas lhe causaram atenção, ou mais reflexões lhe surgiram ao ler este artigo, ficou minimamente apresentado a necessidade de abordar este conhecimento específico em formações da área de Alimentos & Bebidas. São muitos os profissionais que atuam com montagens, decoração e organização de mesas, buffets e eventos, e embora os trabalhos sejam e devam ser valorizados, não podemos esquecer que a importância do conhecimento de etiqueta, e etiqueta à mesa (enfatizado hoje), seja primordial e diferencial no que tange a formação de profissionais do setor. As regras elas só existem para padronizar o serviço, facilitar o trabalho, harmonizar o ambiente e gerar melhor segurança ao se comunicar.

A forma como lidamos com as regras de etiqueta estão em constantes mudanças e adaptações aos hábitos que vão surgindo, talvez por este motivo, passe a impressão que estão em desuso (como mencionado no questionamento inicial). É preciso considerar que as mudanças de hábitos que afetam a cultura acontecem sim, e por meio deles, precisamos nos adaptar as novas situações, porém quando se tem conhecimento tudo fica mais fácil e aprimorado.

Conhecimento nunca é demais, mesmo quando não o praticamos! 


Prática X Teoria - O desafio dos cursos profissionalizantes

Como ensinamos etiqueta à mesa nos cursos? 

Por Ana Maria Imhoff

Prática X Teoria - a velha questão sendo discutida. A relação prática-teoria é sempre muito debatida em cursos técnicos e profissionalizantes com os quais eu trabalho, principalmente por parte dos alunos. É com frequência que ouço comentários deles a respeito de que buscam a prática, a experiência, e a teoria pouco importa para o mercado de trabalho, e não faz diferença no momento de provar o conhecimento e passar no processo seletivo do tão sonhado emprego.

É perturbador um professor lidar com esta crença, porém é fácil compreender sua lógica quando se está à procura de espaço no mercado de trabalho, cuja experiência é muito requisitada e valorizada.

Estava participando de uma mesa redonda sobre profissões e atuações de nível técnico e me pediram para explanar como enfrento situações de resistência aos conceitos teóricos em sala de aula. Em primeiro momento pensei: "não enfrento!" e compartilhei minhas estratégias pedagógicas para gerar um melhor entendimento da importância do conhecimento teórico para a construção do saber-fazer.

Em alguns casos e turmas eu inicio a aula com a prática para depois apresentar e discutir a teoria. Existem muitos alunos que se queixam que alguns professores ficam horas ou vários encontros apresentando slides/audiovisuais com textos enormes e conceitos que em nada ajudam na transferência para a prática.

Como já mencionei em outros artigos aqui para o Novo Contexto, ouvir o que os alunos têm a nos dizer faz avaliar e aprimorar nossas ações, e por que não experimentar o contrário?

Organizar, elaborar, criar desafios em situações práticas do tema em foco, e só depois apresentar os aportes teóricos: identificando erros, falhas e provocando a reflexão do que poderia ter sido feito conforme apresenta-se na teoria, para a atividade ter sido realizada de forma assertiva , ou então localizar na teoria, pós-tarefa prática apresentada, as ações definidas pelo aluno ou grupo.

Para melhor ilustrar o que acabo de escrever, uma das disciplinas que leciono para o curso superior de gastronomia chama-se Técnicas de salão e Etiqueta à mesa. Falar de regras e procedimentos causa muita resistência, então eu inicio os encontros, em algumas turmas, com o desafio de montarem uma mesa em grupos de 3 a 4 membros, peço para apresentarem os tipos de serviços que eles conhecem (conhecimento empírico), e como seria a mise en place (distribuição correta dos utensílios) para atender esses serviços. Após a disposição dos utensílios e suas análises apresento a teoria, e neste momento, eles vão identificando os acertos e erros, e por meio de dúvidas vão surgindo novas questões, que por sua vez, novas teorias e conhecimentos são explanados.

O erro gera aprendizado, e podemos observar, habitualmente, nas próprias palavras deles: "nunca mais vou esquecer disto". Assim, exploro este momento para apontar a importância da teoria, sendo comum concluirmos a aula com a turma reflexiva, e aberta aos novos desafios a serem lançados em outros conteúdos.

A prática é muito valorizada pelos alunos, porém a teoria é fundamental, e talvez nosso problema não seja o conteúdo teórico em si, mas como este é mediado. Experimente a mudança! 


Aula sem cadeiras

Por Ana Maria Imhoff

"Professora, eu não imaginava que poderia aprender tanto em uma aula como esta!", ouvi essa manifestação de surpresa, que é mais uma, que reflito e compartilho com vocês leitores de nossa coluna A Chave do Mundo.

Quando o aluno verbalizou seu pensamento sobre "uma aula como esta", eu logo o questionei sobre o que queria dizer com isto, e a resposta veio prontamente: sem cadeiras, mesas, apostilas e textos. Vivo e sigo aprendendo com meus alunos, assim, igualmente, eles dizem aprender com minhas aulas. São muitas as estratégias que utilizo em sala de aula, e desde o início da minha atuação docente que não aplico somente a transmissão de conhecimento como prática pedagógica. Da aula expositiva dialogada, passando por vivências grupais à dramatização são as estratégias que me encantam tanto quanto o conhecimento a ser mediado. 

Meus amigos e colegas professores, comentários como este nos faz pensar como os reflexos da velha e tradicional escola, que embora, muitos dizem não funcionar mais, ainda estão presentes. Trabalhar com jovens e adultos me apresenta frequentemente um cenário heterogêneo. Encontro em sala pessoas das diferentes gerações, e apesar de nos depararmos com tablets, notebooks e smartphones para acompanhar a aula, o número ainda é expressivo de alunos que necessitam do papel e caneta nas mãos a se acomodarem sentados em cadeiras diante da lousa e tela de projeção. O discurso é "do novo", mas o tradicional ainda é o esperado. Minha crença é de que muitos alunos nem tenham consciência de que esta é a forma do seu pensar, está tão velado que só percebem quando verbalizam como na afirmação inicial deste artigo.

A aula sem cadeira (como apontada pelo aluno) é elaborada e organizada como qualquer outra e com intencionalidade, capaz de promover o desenvolvimento e flexibilizar mudanças.

Nas disciplinas de gestão comportamental que leciono a utilização de estratégias e recursos didáticos como a dramatização, por exemplo, possibilita trabalhar a criatividade, as relações interpessoais, o trabalho em equipe, a administração do tempo, o planejamento, a reflexão de seus comportamentos, reações e pensamentos, sem mencionar também a consciência corporal, e as várias possibilidades, e quebras de regras infundadas e paradigmas.

Gerou aprendizado?! Com os indicadores de aprendizados claros, definidos e esclarecidos aos alunos sim! Não só gera aprendizado, como gera aprendizado significativo.

E o que mais um professor engajado quer senão ser capaz de promover aprendizado e desenvolvimento por meio de aulas significativas? Se você pensa como eu, siga em frente e planeje mais aulas sem cadeiras. Eu adoro! 


O que te motiva professora?

Por Ana Maria Imhoff

2009 - No curso
2009 - No curso


Todos os anos em Outubro, com a proximidade do Dia dos Professores, é comum ouvir questionamento como este. Posso afirmar que poucas coisas me motivam mais que o prazer de ouvir (ou ver) de um aluno que minha missão foi cumprida. Uma mensagem, um desabafo, um comentário, tudo isto me leva a refletir não somente as minhas práticas pedagógicas, mas também sobre o quanto eu amo o que faço. 

A pouco menos de um mês, caminhando em um shopping, fui abordada por uma bela e educada mulher que me falou: "Você não é a professora Ana Maria"? 

Pensei: "conheço este rosto, sei que foi minha aluna, mas quando e onde"? E durante a conversa pude relembrar que estivemos juntas a quase 10 anos atrás, e minha satisfação não podia ser maior ao vê-la relatando alegremente sobre sua trajetória de carreira e vida, e mencionar o quanto o curso que ela fez comigo a ajudou a se encontrar, a prepará-la para as escolhas futuras, e ainda ressaltar como os professores foram importantes neste processo.

Eu sou daquelas pessoas que acredita que isto não tem dinheiro no mundo que pague. Amo o que faço, não trabalho quando estou trabalhando, e por isso, um reconhecimento como este me faz lembrar que estou cumprindo com minha missão, que estou no caminho trilhado e engajada com meus propósitos. Pode parecer clichê, mas é real, é edificante quando se consegue atingir poucas pessoas em uma sala de aula, mesmo quando esta está cheia, se estas poucas forem verdadeiramente tocadas pela minha mediação, já compensa toda dedicação em preparar uma aula, em todas as horas de estudo e leituras. Do ponto de vista emocional e psicológico os discursos positivos em relação a minha atuação é agente motivador sim, como disse, poucas coisas me alegram e incentivam mais. É esta sensação gratificante que me move para acreditar no meu trabalho, e seguir nos meus propósitos. É a confirmação da minha escolha profissional feita a tantos anos atrás. É saber que tudo vale a pena. Minha intenção com estes escritos não é "romantizar" a profissão de professor, mesmo porque as estatísticas não são nada animadoras, os jovens não querem ser professores no Brasil. 

2019 - Na vida
2019 - Na vida

As minhas satisfações em nada substitui as questões de desafio, remuneração e valorização institucional para com os professores. São só aspectos diferentes. Sabemos que muito precisa se olhar para a educação em nosso país, e melhor valorizar e remunerar esta tão antiga atividade, mas me proponho aqui neste artigo hoje, é ilustrar o quão significativo foi para mim escolher trabalhar com o que gosto. Fazer o que gostamos, e nos realizar enquanto pessoas e ter motivo para sair de casa para trabalhar todos os dias.

A dica que deixo, principalmente para quem também, assim como eu, quer se tornar professor, pense mais em SER do que TER, pois o retorno monetário aparece, e vamos sempre continuar lutando por ele.

Concluo relembrando o filósofo Confúcio, ame o que faz e nunca precisará trabalhar na vida!


Arte de aprender com os alunos

Por Ana Maria Imhoff

Sabe o que é mais legal em ser professora de jovens e adultos?

É a possibilidade de escolhas, de criar, recriar e experimentar diversos recursos didáticos. Ouvi de uma pedagoga que o trabalho de um professor se assemelha a de um carnavalesco, 70% na organização para 30% na avenida, no caso, os 30% em sala de aula (normalmente a parte que adoramos). Organizamos uma aula de acordo com sua temática e intencionalidade, preparamos os materiais, escolhemos os recursos didáticos e seguimos para a aplicação (entrar na avenida).

E por que depois disto tudo, às vezes, nossa entrada em sala de aula não é apoteótica?

Compartilho uma coisa que aprendi com meus alunos jovens aprendizes (que compreende uma faixa etária entre 14 e 18 anos), aprendi a considerar como seus olhares percebiam certas atividades propostas em sala de aula, para depois experimentar e adaptar de acordo com suas percepções e envolvimento no processo de aprendizagem-desenvolvimento.

Tenho como hábito tudo àquilo que quero experimentar como atividade em sala de aula aplicar primeiro com meus jovens aprendizes antes de apresentar aos alunos de graduação, pois aprendi, que com o primeiro grupo, a transparência e manifestação despudorada sobre como viram a temática de aula me ajudam a adaptar para o grupo de alunos de graduação, que por natureza, mais maduros, tendem a não exteriorizar em discurso direto e espontâneo sobre suas percepções. Os adultos procuram utilizar a avaliação formal e final de curso para opinar sobre os recursos, metodologia e didática do professor, o que, muitas vezes, implica em aulas que não poderão mais serem repostas e não mais "melhoradas". Quando a avaliação é direta e assertiva ainda se tem tempo de adaptar para o melhor entendimento e motivação dos envolvidos.

Aqui, claramente estou relatando a minha prática, sem a pretensão de dizer que é a certa, mas experimentei, continuo experimentando e me surpreendendo com os resultados.

Então, aproveito para compartilhar como os nossos leitores do Novo Contexto. Certa vez, queria muito usar como estratégia de aula a "dramatização", mas na dúvida, se este recurso seria bem aceito, apliquei com uma turma de jovens, cuja reciprocidade foi altamente valiosa, e os indicadores de aprendizagem foram atingidos, apresentando motivação para os próximos conteúdos que seriam apresentados. Por outro lado, já experimentei outro recurso didático, cuja resposta instantânea foi "profe, que aula chata hoje, heim?! Não gostamos não"!

Este retorno direto, sem a preocupação de estar atingindo o professor, mas sim, as intenções da didática é que acho rico. Esta transparência que deveria existir sempre entre professor-aluno e que não é fácil de ser praticada por adultos, como mencionado acima. Uma vez que o aluno de graduação recorre aos seus filtros para a escolha de uma melhor forma de abordar que as aulas não estão sendo satisfatórias e provocando reações positivas.

Quem sai perdendo?!

Todos nós, professores e alunos. Por uma aula mais significativa, experimente, vale a pena! Esta foi a minha dica, mas se caso você, professor como eu, não trabalhe com estes dois públicos diferentes, ouse perguntar diretamente o que acharam da metodologia aplicada, e aguarde abertamente os retornos, você pode se surpreender, e suas aulas ficarão mais assertivas e motivadoras. Tente!!! 


"Como falar em aulas inovadoras se o que esperam é o mais do mesmo?"

Por Ana Maria Imhoff

Caros leitores da nossa coluna, do nosso site, como é de costume procuro escrever sobre minhas experiências e vivências em meios acadêmicos, onde me orgulho muito de viver grande parte das horas do meu dia e da minha vida profissional. E é envolta em conversas com colegas professores e amigos que, muitas vezes, me surgem inspirações para debater temas aqui em nossa coluna.

Desta vez não foi diferente, estava conversando com uma amiga que me contou que recebeu um convite para dar uma aula em curso universitário sobre a área em que atua.

Ela relatou que adorou a proposta e muito se empolgou, mas gostaria de saber como eu encaro as velhas práticas disfarçadas de uma "nova educação". Ergui os olhos, respirei, confesso que pensei: "mais uma vez vem aquela história de que a educação está péssima em nosso país, que professores são desvalorizados, alunos acomodados... blá... blá... blá..." porém, me interessei pelo assunto, e por admirar muito o trabalho altamente profissional da amiga em questão, aprofundamos a conversa e pude entender claramente o seu comentário quando esclarecido.

"Ana, como falam em aulas inovadoras, novos recursos se o que esperam é o mais do mesmo?"

Compreendi o que ela quis dizer, e realmente ainda vemos instituições que divulgam novas práticas, mas nem sabem o que seria isto. As discussões sobre aulas inovadoras e motivadoras, com professores mediadores de aprendizagem, às vezes, nos parece mais campanha para a busca de novos alunos do que práticas didáticas de fato. Isto pode ser percebido no estranhamento, por parte de quem coordena ou organiza as aulas, de ações simples como: o professor pedir para que a sala de aula seja arrumada com as cadeiras em formato de "U", ou requisitar materiais didáticos como cartolinas, papéis coloridos, canetinhas, e ou outros recursos didáticos que mais se assemelham a listagem de material de uma escola infantil.

Era disto que minha amiga reclamava, ao aceitar o desafio de lecionar a aula a qual foi convidada, a coordenadora do curso disse que era ela só pedir o que fosse necessário, e quando ela apresentou a relação dos materiais que precisaria causou o espanto; "mas estas coisas eu terei que comprar". Do que ela estava se referindo ao falar que providenciaria o que precisasse: lousa digital, quadro branco, kit multimídia? Não entendemos nada!

Eu argumentei com minha querida amiga que felizmente nas instituições em que eu trabalho os materiais solicitados são prontamente oferecidos. Que as aulas onde possamos "brincar" são muito produtivas e bem-vindas. O aprendizado acontece de forma lúdica, embora a desconstrução do antigo seja algo ainda difícil de ser aceito.

Não confundamos instituições e pessoas que trabalham com educação com a educação em si. Os progressos existem e não são conhecidos pelo grande público, e não é porque não se conhece que não existe. 

Continuemos firmes, acreditando no poder transformador da educação!!


"Outro professor já fez esta atividade!" E agora, como sair desta situação?

Por Ana Maria Imhoff

Você é professor convidado para lecionar uma disciplina em um curso, honra-se com o convite, estuda o plano de ensino, avalia os documentos como perfil de conclusão dos alunos, perfil de turma e diagnóstico. Organiza, elabora, interpreta uma aula que julga atingir os objetivos e acredita que irá motivar gerando em uma aula significativa. Tudo preparado!

Aula inicia e quando é proposta a atividade programada vem aquela frase: "professora, o outro professor já fez esta dinâmica"!

Tudo certo, mantendo-se focado, é acionado o "plano B" (que um professor experiente previamente organiza também), mas ecoa uma nova afirmação: "Este filme o professor José passou na outra disciplina". O que fazer? Como sair desta situação quando o plano A e o plano B não funcionaram?

Acredito que a grande questão aqui não está somente em como resolver ou administrar esta situação, mas a relevância está em como evitar que isto aconteça. Todo aprendizado mediado (Feuerstein, 1994) envolve um parâmetro central primordial que é a intencionalidade-reciprocidade. O professor como mediador neste processo organiza, elabora e desafia o aluno a aprendizagem, portanto o plano de aula é tão importante. É evidente que os anos de experiência, a segurança em estar à frente de uma sala de aula, é em parte construída por meio do preparo antecipado dos encontros da disciplina, e por este motivo que muitos educadores conseguem sair deste "mal estar" de forma assertiva e eficaz. Porém, isto poderia ser evitado quando o planejamento de aula é compartilhado e divulgado para a equipe toda de professores do curso. A menção do filme ou do trecho que será exibido como auxiliador no processo de aprendizagem, o título da dinâmica ou vivência grupal, as referências de um artigo, e a descrição da tarefa que será aplicada servem como balizador, cujos registros, compartilhamento e divulgação permitem evitar a repetição das atividades.

O aluno percebe quando o curso foi planejado em conjunto e compartilhado. A troca de informações entre colegas professores transparece no caminhar da disciplina. Ao acontecer uma atividade repetida (sem a intencionalidade) além de parecer que as ações foram tomadas de forma isoladas, muitas vezes, algumas destas tarefas, são realizadas em contextos não significativos.

Ainda é grande a reclamação por parte dos alunos, que alguns professores fazem dinâmica pela dinâmica, ou exibem um filme para fechar "tempo" de aula. Em tempos onde a comunicação está em alta por meio de redes sociais e sistemas de acesso, isto pode ser evitado, portanto, vale a pena repensar nossa forma de preparar as aulas e como divulgá-las. Afinal, você gostaria de participar de uma atividade em que não é novidade? Estaria motivado em ter aulas repetitivas?

O planejamento compartilhado e o diagnóstico de turma detalhadamente elaborado podem ser excelentes ferramentas para evitar esta "saia justa". Reflitam! 


Como é seu comportamento em atividades em equipe em sala de aula?

Por Ana Maria Imhoff

"Estou tranquila, a atividade de avaliação desta disciplina será fácil, será em equipe". Já ouviu isto em algum momento?

Se você é professor como eu, talvez já tenha ouvido muitas vezes. Esta afirmação serviu de inspiração para este artigo. Eu estava fazendo minha refeição em uma praça de alimentação de um shopping quando ouvi na mesa ao lado a conversa entre colegas sobre a facilidade em ser avaliada em equipe.

Se você realmente gosta de trabalhar em equipe, e encara a atividade realizada juntamente com outras pessoas como algo enriquecedor, isto é genuinamente um fator tranquilizador, mas caso você é daqueles que julga que trabalhar em equipe ser mais fácil por não precisar se dedicar tanto àquela prova final é melhor repensar sobre o assunto.

Fique atento que o professor pode não só estar avaliando seu conteúdo e sim seu comportamento também...

Você sabia que a forma como você realiza as atividades em equipe diz muito sobre você? Os comportamentos, a forma de abordagem, as relações com os colegas durante um exercício em equipe demostram como você age e reage frente às opiniões, processos de trabalho, organização, comunicação, liderança. Subestimar as avaliações realizadas com outras pessoas pode levar você a não se dedicar e não realizar a tarefa com o primor que costuma executar suas atividades individualizadas.

Alinhamento com a proposta ideológica da instituição de ensino

Como professora, posso assegurar, que toda tarefa tem uma intencionalidade, e um professor alinhado com o plano de ensino da instituição e com a ementa da disciplina, tem estabelecido os indicadores de aprendizagem para a referida avaliação.

Não é o fato de ser realizado juntamente, e isto parecer não ter um peso tanto quanto realizada individualmente, que a avaliação não será efetiva.

Se para algumas pessoas o fato de a avaliação ser em conjunto é motivo tranquilizador, já para as pessoas que não tem o perfil para trabalhar em equipe precisa desenvolver as competências de relações interpessoais e isso pode ser uma preocupação ainda maior.

De qualquer forma, seja de um perfil ou de outro, a dica é não subestimar a avaliação em equipe, se dedique a estudar, e encare o desafio contribuindo com o seu conhecimento e habilidades para a tarefa. Comprometa-se com o trabalho da mesma forma com que se comprometeria com a avaliação individual, bem como, com outras atividades, avaliativas ou não.

Construir sua legitimidade em meio com relações honestas lhe aproximará mais de seus propósitos, e deixo finalmente, talvez a maior dica de todas:

Talvez quem esteja trabalhando com você em um trabalho acadêmico possa a vir seu futuro parceiro na carreira. Propostas atrativas de trabalho podem vir de professores, colegas e este momento pode ser o despertar de uma trajetória profissional de sucesso. É o que geralmente acontece!


Sem agenda para estudar? Como você administra seu tempo?

Por Ana Maria Imhoff

"Este ano eu me programei para investir no meu crescimento intelectual e profissional, mas não estou conseguindo tempo!" Está familiarizado com esta afirmação?

Vamos exemplificar, os meus planos de início de ano foram agendados, as metas traçadas e os objetivos definidos de como fazer alguma capacitação para me atualizar e dedicar algum investimento para os aspectos de carreira.

Pois é... Mesmo você sendo uma pessoa planejada e organizada não consegue colocar em prática os planos feitos para sua educação? Tem a sensação de que tudo acontece para desviar do foco, ou outros compromissos surgem fazendo você alterar o curso das coisas? Fique tranquilo!

O que posso dizer é que você não é o único, e todos nós passamos por isto. Percebo que este cenário ainda se acentua para aquelas pessoas que tem um grau de instrução alto, ou já gozam de estar bem empregadas e com formação crescente.

Sabemos da importância de investir em conhecimento e desenvolvimento de competências, porém a situação cômoda gera certo conforto, e desta forma, a tendência é preencher o espaço reservado para uma nova capacitação com coisas emergenciais que vão surgindo e demandando novas descobertas, energia e dedicação.

A boa notícia é que podemos colocar os planos no trilho elegendo prioridades, estabelecendo claramente os objetivos, direcionando ações e redistribuindo suas atividades rotineiras.

Certa vez, em um atendimento para planejamento de carreira, a pessoa relatou que fazia um trabalho voluntário nas tardes de terça-feira cujas atividades lhe rendiam muitos ganhos emocionais e profissionais. Era um ambiente que consolidava muitos relacionamentos, gerava bem-estar, era uma espécie de recarregar as baterias, além de aprimorar competências que se faziam necessárias para sua prática profissional como comunicação, liderança e atendimento. Tudo era perfeito se não fosse pelo fato de tudo aquilo que não conseguia ou não podia marcar para outro dia, ela alterava a agenda e fazia no período que era dedicado ao trabalho voluntário mencionado, ou seja, às queridas e produtivas terças-feiras.

A pergunta que fiz para ela foi: "Se você não tivesse a terça-feira, faria quando?". A resposta: "Quando fosse possível, daria um jeito".

Notou, percebeu?! A prioridade, somos nós mesmos que elegemos! Se os objetivos forem claros as ações acabam sendo direcionadas e a rotina é redistribuída. Se você realmente deseja fazer um novo curso, faculdade, capacitação não irá permitir que este espaço seja preenchido por outra coisa. Além de ouvir seus desejos íntimos e reais, a outra dica é administrar seu tempo. Você pode se surpreender com a quantidade de horas usadas com coisas irrelevantes, e como uma agenda bem feita pode ajudar você a atingir os objetivos definidos.

Objetivos atingidos geram sensação de dever cumprido, bem-estar e motivação para novos desafios. Experimente!  


Profissão: já decidiu o que você vai fazer pelo resto de sua vida? Tem certeza?

Por Ana Maria Imhoff

É mais uma aula da disciplina chamada "Gestão Comportamental" para o curso de gastronomia. Ao abordar o código de ética que pauta a profissão início questionando sobre os motivos que os fizeram optar por este curso. Os motivos são variados, o gostar de cozinhar, a inspiração vinda da mãe ou avós, a necessidade de ter que cuidar da própria alimentação são alguns dos apontamentos feitos pelos alunos. Embora estes motivos possam ser suficientes para uma escolha tão importante, a apresentação da realidade que envolve a área de atuação ainda causa muitas surpresas.

É curioso como isto acontece com frequência mesmo em outros cursos oferecidos. O aluno fica surpreso com as exigências de sua futura profissão, se impressionam (muitas vezes negativamente) com as atividades que esperam ser desempenhadas na execução das funções que envolvem a área, as competências que devem ser desenvolvidas para exercer a atividade, e a realidade de remuneração praticada pelo mercado.

Isto realmente deveria ser fator surpresa para alunos de primeiro ano de faculdade?

Surpreendida eu não fico, mas ainda me causa estranhamento imaginar uma pessoa escolher algo para sua vida profissional sem nenhum ou com raso conhecimento sobre sua opção. O planejamento de carreira evita as surpresas negativas e as frustrações, e a procura de um profissional que auxilie neste processo é o melhor conselho que posso deixar. Profissionais especialistas em desenvolvimento humano como gestores de RH, psicólogos, coaches são alguns dos profissionais consultados. Sugiro também uma pesquisa aprofundada sobre a evolução e expectativa da profissão no momento da escolha.

O cenário e os comportamentos que rementem a atividade eleita são aspectos tão determinantes para o sucesso quanto a remuneração, desafios e possibilidade de aprendizagem contínua. É somente com a junção de todos estes fatores que a certeza da escolha certa se faz.

Então não hesite em buscar ajuda para o autoconhecimento pois isso determinará não só o começo da sua carreira como facilitará o seu desenvolvimento.


Desistir ou continuar (resistir)?

Por Ana Maria Imhoff

"Professora, posso falar um pouquinho a sós com você no intervalo ou no final da aula?" 

Quando recebo este pedido no final de semestre já posso imaginar qual o assunto que será abordado. Infelizmente para alguns o semestre de aulas está se findando e as coisas não estão exatamente como gostaria ou deveria em seu imaginário de realização pessoal. Parece que nada está no lugar, e existe uma sensação de frustração. O curso que eu sonhava tanto não está me preenchendo e não estou feliz como achei que estaria quando fiz minha escolha.

Desistir ou continuar? A pergunta é se resisto mais um pouco já que cheguei até aqui e continuo, ou desisto e não perco mais meu tempo com isto?

Lecionar disciplinas sobre carreira, gestão e mercado de trabalho me dá propriedade para falar sobre o assunto, e desta forma, os alunos se sentem à vontade para me questionar sobre o cenário profissional, e também sobre suas dúvidas, ansiedades e frustrações. Percebo que isto tem acontecido com muita frequência nos últimos anos. As ofertas de cursos, as modalidades de ensino, e a ampla rede de informações a todos nos ajuda muito nas decisões importantes da vida, mas também podem nos levar a mais dúvidas e provocar muitas confusões.

A mensagem que posso deixar para quem está passando por este dilema é um exercício de sinceridade, um exame de consciência e repense sobre os seguintes aspectos:

- Eu trabalho na área do curso em que estou fazendo faculdade?

- O investimento financeiro que já fiz com o curso é maior do que eu poderia?

- Existe possibilidade de empregabilidade, promoção ou readequação de vaga no meu trabalho atual, com a sequência deste curso?

Se a resposta for positiva para as perguntas acima, acredito que deve ser considerado a possibilidade de continuar estudando. É preciso levar em consideração também o tempo e a energia já despendidos para este projeto, o sentimento que lhe desperta ao continuar e ao desistir. Se formos pensar em carreira, talvez seja interessante permanecer, pois não conseguimos fazer só o que gostamos em tempo integral, até os satisfeitos com as escolhas do passado se deparam com atividades que não apreciam em suas profissões. Por sua vez, se na balança o seu "desprazer" está afetando sua capacidade de dedicação e estudo, talvez seja a hora de parar e reavaliar suas escolhas para o futuro.

O mais importante é que a decisão seja clara e certa, pelo menos para você. E aproveito para alertar, evite que isto aconteça pesquisando tudo sobre a profissão que anseia. Desde onde poderá trabalhar, quais as atividades que serão desempenhadas, qual a faixa salarial, até as projeções da carreira para o futuro (lembrando que muitas serão extintas em breve). Escolher o que você quer fazer da sua vida profissional não pode ser por "achismo", "modismo" ou o que é apresentado por personagens de séries. É algo muito sério, e normalmente duradouro.


É mais fácil ser mãe quando se é professora?

Por Ana Maria Imhoff

"Você é professora, mestre em educação, é muito mais fácil ser mãe tendo conhecimento, fica tudo mais claro quando conhecemos a teoria". Certo?! Essa foi uma das reflexões que recebi após a publicação do último artigo "Mediação Didática: Profissão Mãe - A primeira das educadoras". Lamento lhe decepcionar, cara leitora, mas a resposta é... Errado!

Confesso que sou educadora, com formação profissional na área de educação há muitos anos, já vivi muitos desafios, mas o "ser mãe" tem sido o maior deles. Aprendo, assim como qualquer mãe, no dia a dia das atividades e do desenvolvimento de minha filha, e assim também como qualquer mãe, enfrento frustrações, angústias e prática dissociada de teoria. Porém, como professora, me permito experimentar, reinventar e me apropriar sim da teoria, talvez com um pouco mais de ênfase do que outras mães.

Semana do Dia das Mães e ainda por estarmos colhendo frutos dos artigos passados, nos quais falamos sobre a mediação de mães e ou responsáveis na educação de filhos pequenos, nada melhor do que abordarmos novas aplicações do processo de mediação entre mães e filhos.

Como já apresentado aqui no site Novo Contexto, não atuo na educação infantil, minha área de trabalho é a educação profissional (jovens e adultos), porém não posso deixar de me manifestar depois de tantos comentários, questionamentos e pedidos por dar mais exemplos de mediação didática nos cuidados dos pequenos em ambiente doméstico.

A Experiência de Aprendizagem Mediada - EAM (Feuerstein, 1970), só acontece por meio dos critérios centrais de mediação (Intencionalidade/Reciprocidade, Significado, Transcendência). Relembrando que a intencionalidade/reciprocidade é percebida quando a mãe apresenta a tarefa de forma motivante e desafiadora, compartilhando de forma clara o que espera dele com a realização deste desafio, e utilizando a linguagem apropriada. A mãe deve atribuir significado e valores, significados afetivos e sociais; sentimentos e atitudes pessoais da experiência compartilhada. E ainda extrai e generaliza princípios indicando a transferibilidade e utilidade destes elementos.

Neste artigo vamos abordar, mais uma situação habitual na relação entre mãe e filho, só frisando que me refiro e utilizo o termo mãe, pois especialmente nesta semana, segue uma homenagem a todas elas. Porém, é sabido que pais, familiares e responsáveis também são mediadores nos processos de aprendizagem e desenvolvimento. Desta vez, vamos ilustrar, o processo de aprendizagem do subir/descer escadas:

"Você pode segurar no corrimão da escada filha? Será que não é melhor subirmos usando mãos e pés para chegar até ali em cima? Vamos tentar!" (intencionalidade/reciprocidade);

"Olha só como você está indo bem, até parece uma "gatinha" subindo desta forma!" (significado);

"Será que conseguimos subir no sofá?" (transcendência).

Saliento em mais este exemplo que a aplicação não está em usar exatamente os termos descritos acima, mas na utilização dos critérios de mediação definidos por Feuerstein. São inúmeros os ensinamentos ao longo da vida de um filho, e por esse motivo, poderíamos escrever muitos textos com o tema, mas esta só foi uma forma de homenagear as mães nesta semana especial.

Foi curiosa e expressiva a manifestação das mamães leitoras de nossa coluna, então não podíamos deixar de compartilhar mais uma das reflexões, gerando estas discussões tão emblemáticas.

Finalizo deixando um recado para todas as mães especiais, àquelas que dedicam seu tempo, energia e luz para educarem seus filhos, com erros e acertos. Não importa sua formação, o quanto é entendida de teorias da educação e psicologia infantil se a afetividade não estiver ao seu lado. Certezas não há, nem sempre a teoria se aplica, mas a intenção de uma mãe participativa é a de acertar na educação de seus filhos, então sigamos em frente em nossa jornada, pois a caminhada é lenta, e por vezes frustrante, mas sempre realizadora. Feliz Dia das Mães! 


Mediação Didática: Profissão Mãe - A primeira das educadoras

Por Ana Maria Imhoff

Preciso compartilhar com vocês a imensa alegria em escrever sobre um tema que já foi abordado no último artigo, e graças a ele, fui questionada por uma mulher que se apresentou como mãe, e me inspirou na construção deste novo texto. O artigo sobre mediação didática estava no site Novo Contexto a menos de 24h quando recebi uma mensagem que dizia: "Ana, eu sou mãe! Não trabalho fora, não tenho nenhuma profissão, mas li no seu texto, que também sou mediadora na educação de meus filhos. Como assim? Pode me explicar melhor como faço isto mesmo sem ser professora?"

A Experiência de Aprendizagem Mediada - EAM (Feuerstein, 1970), por meio dos critérios de mediação (Intencionalidade/Reciprocidade, Significado, Transcendência) está em várias abordagens: em sala de aula, em ambientes corporativos, e na comunidade. A relação dos pais e ou responsáveis com os pequenos é tão importante quanto a relação com os educadores em cenário escolar, e é a primeira forma de educação. Portanto, ser mãe minha cara leitora, é uma das tarefas mais significantes no processo educacional de seus filhos, e isto lhe confere o papel de mediadora.

A linguagem é considerada a primeira mediação, porque ela permite nomear e representar por meio de formas comuns os objetos captados por percepções. Se sua ação ao ensinar seu filho tem uma intencionalidade/reciprocidade, significado e transcendência você está mediando este ato.

A intencionalidade/reciprocidade é percebida quando a mãe apresenta a tarefa de forma motivante e desafiadora, compartilhando de forma clara o que espera dele com a realização deste desafio, e utilizando a linguagem apropriada. A mãe deve atribuir significados e valores, por exemplo, significados afetivos, sociais, sentimentos e atitudes pessoais da experiência compartilhada. E ainda extrair e generalizar princípios indicando a transferibilidade e utilidade destes elementos. De forma prática, vamos nos imaginar em uma certa situação corriqueira na vida de uma mãe, substituindo a expressão mediar, para um termo de melhor entendimento: ensinar um filho a comer sozinho e de forma autônoma:

"Filha, será que você já consegue segurar o garfo sozinha? Vamos ver se a mamãe pode deixar o garfo na sua mão para comer sozinha a batata!" (intencionalidade/reciprocidade);

"A minha pequena já está conseguindo comer sozinha, pode comer o quanto quiser, está uma mocinha já!" (significado);

"A gente consegue comer sopa com o garfo?" (transcendência).

O exemplo acima não está em usar exatamente as palavras que usei, mas sim com a intenção de ilustrar a aplicação dos critérios de mediação definidos por Feuerstein. O ato da criança se alimentar sozinha, é somente uma das lições que ela aprende ao longo do desenvolvimento. Você mãe (ou responsável) que está lendo isto agora, se identificou?

Pois bem, se você tem também a profissão 'Mãe', sinta-se acolhida, você é a primeira das professoras desse ser humano em construção!


Mediação didática? Eu fazia isto e não sabia!

Por Ana Maria Imhoff

Já estava pensando sobre qual seria a pauta para o artigo desta quinzena em nossa coluna, quando fui palestrar para um grupo de professores em início de carreira. Estes encontros e bate-papos são sempre muito interessantes e reflexivos, e resolvi compartilhar com vocês um dos assuntos em debate. Estávamos discutindo sobre a Experiência de Aprendizagem Mediada - EAM (Feuerstein, 1970), quando um dos colegas colocou que nem sabia que o que fazia em sala de aula, de forma empírica, se tratava de mediação. Ana, fui descobrir que o que fazia em sala de aula (e fora dela também), tinha nome e uma teoria somente quando entrei no curso de pedagogia. Este comentário pode parecer estranho por se tratar de um grupo de profissionais com formação na área (e no olhar de todos já devemos saber de tudo que envolve nossa profissão), mas muitas vezes, antes mesmo de escolhermos a profissão já aplicamos técnicas sem sabermos que existe teoria que as sustentam.

Costumamos discutir, nestes encontros e palestras, que fazemos uso da mediação em múltiplas abordagens, a mediação didática e aprendizagem na sala de aula é uma das mais aplicadas em nosso meio, porém fazemos uso dela também em meios corporativos e na comunidade. E você, sabe o que é mediação didática?

Reuven Feuerstein (1994) afirma que são duas as formas de aprendizagem humana: a aprendizagem direta e a mediada. A experiência de aprendizagem direta é a interação do organismo com o meio ambiente; e a experiência de aprendizagem mediada requer a presença e atividade de um ser humano (ou seja, um mediador), para organizar e elaborar aquilo que foi experimentado. Feuerstein propõe que a Experiência de Aprendizagem Mediada - EAM possibilita potencializar o desenvolvimento da Modificabilidade Cognitiva Estrutural - MCE. Para o autor que se dedicou a estudar a psicologia educacional, a mediação por meio de critérios definidos - Intencionalidade/Reciprocidade, Significado, Transcendência - possibilita uma flexibilização para a mudança. Mudança permite desenvolvimento, e desenvolvimento, aprendizagem significativa.

Se você atua como mediador, organiza e questiona de forma intencional, se coloca intencionalmente entre o objeto de estudo e o aprendiz, possivelmente esteja utilizando da mediação, mesmo sem saber, como aquele colega que relatou isto no início do artigo. Digo ainda, talvez esteja fazendo isto também em sua casa, como pai ou mãe; em seu trabalho, com seus colegas, pares e subordinados; e na comunidade, com amigos e vizinhos.

Somos todos mediados e mediadores... Pense nisto!


Tem a impressão que não aprende mais nada? Não tem nada novo, não?!

Por Ana Maria Imhoff

Você tem a impressão as vezes que não tem nada novo na sua profissão? Que já aprendeu tudo, que tudo é recorrente e você já sabe? Que pergunta!!! Quanta reflexão é possível em um questionamento como este.

Leitores de Novo Contexto, conversando com uma amiga a respeito de profissão, carreira e trabalho (que, por ironia, é um tema que para mim é muito mais do que só um bate-papo, é puro trabalho mesmo), ela me fez as perguntas acima. Muito curiosos os questionamentos levantados por ela. Quem não pensou assim em algum momento? Você já esteve sentado em um auditório para assistir uma palestra ou fazer um curso da sua área de atuação e de repente este pensamento vem: "o que estou fazendo aqui?" "Eu já ouvi e li sobre isto várias vezes", "Não tem nada novo não?!"

Se a sua resposta é sim às perguntas iniciais deste artigo, também já passou por isto e já teve este sentimento, fiquem tranquilos, isto é comum.A sensação de ter um esgotamento com relação a assuntos abordados em sua área de atuação está vinculada ao tempo em que trabalha com isto, a dedicação que se dá ou deu para o tema, e as fases da vida. Quanto maior o grau de envolvimento e o tempo envolvido de sua vida e carreira em alguns assuntos podem gerar este sentimento, e o mais importante quando isto acontecer é refletir sobre:

- Foi só um pensamento isolado, ou isto tem acontecido com frequência?

- Isto foi só um desabafo ou uma constatação?

- Este pensamento não tem relação com "desgostar" do que você faz?

Em algum momento é possível que "a falta de novidade/aprendizado" passe pela cabeça pois existe algum tipo de frustração, cansaço físico e mental, mas as vezes estas indagações podem estar sinalizando o desejo de mudanças. Se o resultado de suas reflexões for somente por um pensamento isolado, e você está contente com suas escolhas, a opção seja a busca de um aprendizado novo, a dedicação em algo completamente desconhecido por você. O novo nos tira da zona de conforto, impulsiona processo de aprendizagem diferente, promovendo desenvolvimento. O ser humano aprende o tempo todo, e a sensação de não estar aprendendo mais nada pode ser o indício de que precisa se motivar por alguma outra coisa.

O deslocamento por algo diferente traz resultados, porém, se isto não acontecer, talvez seja a hora de mudanças de fato, e esta resposta só você conhece!


EAD é uma opção para você?

Por Ana Maria Imhoff

Olá, caros leitores, ainda seguindo o raciocínio de que as escolhas educacionais devem ser estratégicas, assunto em pauta em nosso último artigo, será que o Ensino a Distância (EAD) é uma opção para você? É notório, e muito noticiado que o ensino a distância no Brasil está em franco crescimento e é uma das maiores opções de graduação pelos jovens (e não tão jovens assim). Embora ainda não seja a primeira opção, seu crescimento superou o crescimento do ensino presencial em 2018 segundo dados divulgados pela Agência Brasil (Maio/2018).

A ideia aqui não é defender este ou aquele ensino, e sim considerar e levar a refletir sobre o que é melhor para você, será que o EAD é a melhor opção para o seu estilo de vida, forma de aprendizagem e objetivos educacionais? Mais uma vez, os convido a fazer uma autoavaliação e sinceramente considerar o que lhe faz feliz, o que busca, e se seu percurso educacional está sendo condizente com o resultado destas reflexões. Se estiver indo só porque lhe parece promissor, de fácil acesso e por excesso de opções mercadológicas, talvez não esteja sendo estratégico com sua carreira.

Em atendimento, uma adolescente me trouxe que tem dificuldade em falar em público, expressar e impor suas vontades, e que a timidez acentuada a fez optar por um curso superior de administração a distância. No final de seu planejamento de carreira, ela mesma chegou à conclusão que embora as vantagens do curso a distância sejam muitas, para ela, a interação professor-aluno-professor, e principalmente a interação aluno-aluno de forma presencial seria fator positivo para desenvolver as competências de relações interpessoais que ela tem tanta dificuldade.

Por que a busca pelo EAD?

Flexibilidade de horários e de local de estudo, custo reduzido, a possibilidade de ter seu diploma reconhecido da mesma forma que é no ensino presencial são as principais vantagens do EAD.

Porém, essa mesma a flexibilidade de horário para estudar para algumas pessoas - que é um dos maiores motivos da escolha do EAD e uma das vantagens desta modalidade de ensino - para outras, não garante disciplina, e é quando se percebe que o investimento de tempo e dinheiro não está sendo melhor empregado.

Vamos a nossa lição de casa, pense sobre:

1 - A flexibilidade de horário e local pode ser um fator positivo ou negativo para você?Considere seu estilo de vida

2 - Como se dá a sua motivação para estudar?

3 - A modalidade que lhe atrai lhe permite mais chances de desenvolver efetivamente as competências que tem a melhorar?

Finalizo salientando mais uma vez que sucesso na carreira, bem estar e qualidade de vida depende de escolhas.

Não precisamos visualizar a felicidade no futuro, podemos já ir construindo a partir das escolhas do hoje e durante o processo de formação de carreira.

Boas escolhas!!!


O que escolher estudar? Escolhas educacionais devem ser estratégicas!

Por Ana Maria Imhoff

Ano Novo... vida nova... novos projetos! É impressionante como no início do ano surgem novos planos para as velhas escolhas. E escolhas educacionais estão, em muitos casos, na nossa lista de metas/objetivos para o novo ano. É comum ouvir - em atendimentos de desenvolvimento de carreira,pessoas já consolidadas em suas profissões - os desabafos: "Preciso me atualizar, este ano vou fazer uma pós-graduação", "Penso em fazer um mestrado", "Deste ano não passa, vou fazer algum curso."

Parece óbvio que a pessoa bem-sucedida na carreira normalmente está atualizada e sempre pensando em ampliar seus saberes para otimizar seu currículo, e eu como professora, devo por obrigação sempre achar que o estudo é a melhor maneira para isto, e que conhecimento nunca é demais... certo?! Certo com ressalvas!

O problema está em pensar em educação de forma não estratégica. São muitas capacitações realizadas sem serem refletidas, e o resultado, é gasto de dinheiro, tempo que poderia ser dedicado em outra coisa e desgaste emocional. Embora todo curso seja um ganho intelectual (e como diriam os antigos, ninguém lhe tira), é importante que seu percurso educacional seja estruturado por meio de um planejamento estratégico, para que desta forma, as decisões sejam assertivas. Estava fazendo o planejamento de carreira de uma aluna/cliente que fez mestrado porque seus pais são acadêmicos e julgavam, ser isto o melhor para ela, mas ela não quer e nem nunca quis dar aulas e nem trabalhar com pesquisa, fazer o mestrado (uma pós-graduação stricto sensu) com qual intenção então?!

Questione a real necessidade de um novo curso em sua trajetória de carreira ou de vida, pense sobre:

1 - Por que quero estudar isto? Seja honesto e identifique sua verdadeira intenção

2 - Tem aderência com seu currículo profissional?

3 - Vai buscar desenvolver competências que tem a melhorar, ou otimizar as que já tem desenvolvidas. E qual delas é a mais importante neste momento?

Definir o que estudar não pode ser baseado na escolha de seus colegas de trabalho, não é fazer só porque todos estão fazendo, e nem somente por um título acadêmico. Ir ao museu, ao teatro, viajar, ter experiências gastronômicas, ler um bom livro, interagir nas redes sociais, e filmes também são formas de conhecimento, e o investimento pode ser bem mais baixo do que aquela pós-graduação que foi colocada na nossa lista de objetivos deste ano.

Pensar na carreira de forma estratégica pode parecer calculista, porém o resultado não é nada frio, pelo contrário, escolhas assertivas levam ao bem estar, trabalhar com prazer eleva as chances de ser feliz, porque no fundo o que esperamos mesmo é por qualidade de vida, seja lá o que isto signifique para cada um...

Ser feliz só depende de nossas escolhas! 


Por que deixar para depois? 

Aproveite as férias para pensar em carreira!

Por Ana Maria Imhoff

O processo de planejamento de carreira de um jovem cliente estava findando juntamente com o ano, e a mãe dele me perguntou: "Ana, é final de ano, folgas, voltamos a pensar nisto só depois das férias?". 

Refletindo sobre esta pergunta muito comum, que pensei em escrever para Novo Contexto sobre as necessidades de se pensar e falar em carreira com os jovens. Pais e professores não sabem muito bem como lidar com esta fase, que normalmente é tão conturbada, e vem junto com a puberdade, adolescência, que aliás atualmente, está estendida!.

Por que deixar para depois? Meu conselho é exatamente aproveitar momentos de menos pressão, maior disponibilidade para pensar e repensar situações futuras e, "cabeça" mais relaxada para pesquisar, falar e experimentar carreira. Já discutimos sobre as dificuldades que os jovens têm em escolher o que fazer para a vida toda sendo tão imaturos ainda, e por isso, que esta ação pode ser adiantada. A conversa com filhos e alunos sobre carreira pode e deve ser iniciada antes mesmo do momento efetivo da escolha, desta forma as coisas não acontecem de forma atropelada, o que diminuirá a chance de frustrações e aumentará o tempo de processo de decisão.

Alguns exercícios podem ser feitos, e nada como aproveitar as férias para começar. Vão algumas dicas para os jovens:

1 - Aproveite momentos sozinhos para desenhar algumas situações (procure escrever, desenhar, fazer tópicos, só não deixe ficar só no pensamento): o que você gosta de fazer que ficaria muitas horas sem se entediar? Quais as emoções/sentimentos lhe desperta quando pensa nessa atividade? Como se vê/imagina daqui 10 anos (socialmente/fisicamente/psicologicamente)?

2 -Pesquise se a atividade que lhe dá prazer mencionada pode ter uma formação/curso/percurso educativo.

3 - Busque filmes/documentários/vídeos sobre a atividade pensada (eles ajudam a visualizar, mesmo que de forma "romantizada" o que você pensa).

4 - Guarde estas anotações para pensar em um processo de planejamento de carreira junto a algum profissional especializado, um bom profissional saberá o que fazer com estas reflexões.

Estes exercícios podem ser divertidos quando se imaginando o futuro e debatendo com pais, irmãos, primos e amigos. Não tomará muito tempo de sua folga e será menos estressante do que fazer pressionado pelo tempo/idade.

Imaginar-se exercendo uma atividade profissional pode ser o primeiro passo para a escolha de sua carreira. Fica a dica!

Redes sociais em sala de aula?! Não tem como impedir, una-se a elas!

Por Ana Maria Imhoff

Você está explanando sobre um assunto, e quando percebe tem alguns alunos mergulhados no smartphone, tem a impressão que se cair uma bomba, estes nem perceberiam. Bem-vindos à sala de aula dos tempos modernos! Me inspirei no artigo que escrevi para a coluna de temas contemporâneos sobre mesa posta (Clique --->>>> #Temas Contemporâneos), para relatar aqui como as redes sociais se tornaram minha aliada no momento da construção do conhecimento. Já falamos nesta coluna sobre como a tecnologia e educação são temas atuais e necessários para quem vive a docência.

 A minha primeira experiência com o uso das redes sociais em sala de aula, junto com meus alunos, foi quando depois de concluir a parte conceitual de uma aula sobre Etiqueta à mesa e Atendimento para turma de primeiro ano do curso de gastronomia, eu solicitei que eles buscassem imagens que ilustrassem o que havíamos acabado de discutir. O resultado não podia ter sido melhor, prontamente eles estavam indicando tags uns para os outros, identificando imagens que estavam conceitualmente corretas conforme as regras de etiqueta à mesa, bem como, aquelas que não estavam apresentando como o explicado durante a aula. Tem forma melhor de avaliar se o aluno apreendeu/internalizou ou não o conteúdo fazendo uso de exercícios como este?

Vale lembrar que aprendizagem significativa se dá quando as experiências vividas pelos alunos estejam presentes no contexto de aula, portanto, a dica que eu deixo é que ao invés de ficarmos lamentando pelos alunos que não estão nos olhando durante a aula (pois o olhar nos sugere que estão "prestando atenção", o que nem sempre é verdade, mas deixemos este assunto para outro momento), passemos a inovar e sugerir novas formas de estudo. Mais uma vez, devemos utilizar as técnicas e práticas pedagógicas que nos foram apresentadas durante nossa formação, e aliar com as novas tecnologias.

Experimentei, adorei e tenho praticado! Como diria o antigo ditado quando não podemos com o inimigo se una a ele. O que pode ser um fator de dispersão em sala de aula, se transformado, também pode ser nosso aliado. Pense nisto! 

 Seis dicas de como utilizar filmes como recurso didático em sala de aula

Por Ana Maria Imhoff

"Ah não... Filme não!"

"Professora, o professor Augusto já passou este filme na semana passada!"

"Por que é mesmo que temos que assistir isso?"

Meu colega professor, se você ouve esses comentários ao propor a exibição de um filme durante a sua aula, talvez este artigo possa lhe ajudar. Professores dedicados e preocupados com dinamicidade e aproximação de seus alunos em sala de aula estão sempre buscando novas estratégias ou dicas positivas de colegas. Sou apaixonada por filmes - é meu maior prazer nas horas livres - e embora esteja longe de ser uma estratégia nova, pude perceber em minha pesquisa de mestrado, que alguns professores, ainda não sabem como utilizá-la de forma efetiva. Alunos relataram que não veem sentido a não ser a "matação" de tempo.

Como já falado em artigos anteriores, os jovens estão muito ligados em tecnologia, e na informação ao alcance de suas mãos (literalmente, se considerarmos o "grude" com o celular), e o hábito de assistir filmes, séries ou documentários são comuns entre eles. Diante deste cenário e por acreditar que o uso desta ferramenta ajude na construção do conhecimento, apresento algumas dicas de como usar o filme como recurso didático em sala de aula:

  • Seja criterioso na escolha do filme: qual a sua intencionalidade com a exibição do título escolhido? Esta pergunta deve estar muito clara.
  • Prepare a sala para a exibição do filme: combine com a turma na aula anterior de levarem pipocas, balas e refrigerantes; busque uma sala mais escura, ou aquela diferente de onde estão acostumados.
  • Explique a história do filme: é necessário explicar a história do filme, se possível leia a sinopse, e apresente um roteiro do que deve ser analisado para posterior debate.
  • Avalie o tempo de exibição: não é um problema exibir o filme todo, porém avalie sua real necessidade, entre 15 e 20 minutos a atenção é mais efetiva.
  • Promova discussão: Explore o roteiro que foi apresentado antes do filme ser passado, promova debate e faça perguntas-chave (por isso é importante ter claro sua intencionalidade, o conteúdo que precisa abordar).
  • Faça o fechamento: depois das discussões, feche com suas considerações e o tema da aula.

Para finalizar, saliento a importância também de professores que fazem uso deste recurso em apontar em seu plano de ensino-aprendizagem os nomes dos filmes que foram escolhidos para o semestre, divulgar em reuniões para os colegas, minimizando desta forma, as possíveis repetições, uma vez que esta queixa também foi mencionada pelos alunos.

Vida de Professora

Por Ana Maria Imhoff

Na semana do Dia dos Professores o Novo Contexto decide fazer aquelas perguntas que sempre surgem nesta data para quem exerce a profissão. Colunista para o site na coluna Educação e Cultura - A chave do mundo, eu vou contar como foi que a profissão de professora chegou em minha vida, e quais as minhas percepções sobre a prática da docência nos dias atuais.

Novo Contexto: Como foi o seu processo de escolha para ser professora?

Colunista: Como "virei" professora?! Entendo que meus colegas fiquem bravos com este termo (afinal de contas ninguém "vira" professor de um dia para o outro), mas no meu caso, foi assim mesmo! Eu trabalhava no setor corporativo com comunicação social - que é minha formação - planejava ações para público interno da empresa, era um setor dentro do departamento de recursos humanos, dentre as minhas várias atribuições, organizava eventos, acolhia e treinava funcionários. Fui substituir um colega adoentado, que estava lecionando aulas de tema específico de RH, adorei e nunca mais parei. Costumo dizer que fui dar aula do que fazia no meu cargo na empresa que atuava. Fiz o caminho inverso, estudar pedagogia e o mestrado em educação foi depois de algum tempo ensinando.

Novo Contexto: Fale sobre a sua percepção quanto a valorização do professor no Brasil.

Colunista: Sei que leciono para a educação profissional, atuo em cursos de pós-graduação, tecnólogos e técnicos, portanto não estou inserida na educação infantil e básica (fases que são muito debatidas e afetadas em nosso país). Muito se fala que o professor não é valorizado no Brasil, que antigamente sim professor era uma profissão de valor. Eu não percebo desta forma, eu acho que o professor ainda é muito valorizado sim, sinto admiração e respeito de meus alunos. Entendo que remuneração e valorização são coisas diferentes, no que tange a remuneração concordo que estamos muito longe de receber de forma condizente com o que precisamos nos capacitar e estudar, mas quanto a valor, acho que a sociedade ainda respeita um bom professor.

Novo Contexto: Qual mensagem que deixa para quem quer exercer a profissão de professor?

Colunista: Penso que primeiramente é necessário desconsiderar que para ser professor é fácil. Ouço muitas pessoas dizendo que quando "pararem" de trabalhar irão "dar aula", como se ser professor fosse um plano de aposentadoria, ou não envolvesse planejamento de carreira e estudo árduo. Longe de mim, não acreditar na capacidade das pessoas e no compartilhamento de suas ricas experiências e habilidades, mas temos que parar de achar que todo mundo entende e pode discutir educação. Para ser professor envolve estudo e muito preparo, hoje eu não faria mais o caminho inverso. O rumo das profissões está mudando, com o uso da tecnologia, muitas serão extintas e novas surgirão, mas eu acredito que a interação professor-aluno-professor pode até ser reinventada, mas ainda será necessária e sempre terá lugar para dedicados professores.


Parabéns!!!

Essa foto representa nossa colunista, atualmente, porque faz parte do projeto "Professor em foco". Nossa homenagem a você que tem sido uma colaboradora  interessada em Novo Contexto. Muito obrigada! 

Ana Maria Imhoff é Mestre em Educação, profissional de Relações Públicas e especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Professora de cursos de pós-graduação.

Chegou a hora de ir para a faculdade... e agora?A influência de professores nesta fase da vida dos adolescentes.

Por Ana Maria Imhoff

Se a decisão de carreira é às vezes tão complicada para os mais maduros, imagina para adolescentes que estão vendo suas vidas sendo aproximadas do tão esperado curso superior. Parece que ainda é pior para estes jovens que tem acesso a muita informação nos dias atuais, e não se sentem capazes de filtrar qual delas é a mais apropriada para sua situação. Mais uma vez minha experiência como professora, mostra a tamanha responsabilidade em ajudar meus alunos na decisão e na melhor escolha. 

Uma das disciplinas que trabalhei com os jovens aprendizes foi planejamento de carreira, e pude viver junto com eles as profundas mudanças no que tange as futuras profissões, e como as novas tecnologias impactam todas elas. Nove, em cada dez adolescentes, respondem que querem ser "youtubers" ou produtores de conteúdo, profissionais da área da moda, de games e da gastronomia também dividem as intenções de inúmeros jovens.

Lembro-me que uma vez, estava em uma formatura, quando o pai de um dos meus alunos me abordou: "Você é a prof. Ana Maria? Você quem colocou ideias na cabeça de meu filho?" Confesso que gelei! "Quem será o filho deste senhor? O que que eu falei para ele?" Felizmente, apesar da forma firme de abordagem, ele elogiou por eu ter auxiliado no processo de conversa sobre o tema em casa, e junto da família. 

Embora eu lecionasse uma disciplina tão específica, e apresentasse alguns instrumentos de planejamento de carreira, é nestes momentos que a gente se dá conta o quanto, como professores, mais uma vez desempenhamos um papel transformador nas vidas de nossos alunos. A tomada de decisão do jovem pode ser difícil, assim como, a orientação e o apoio dos pais e responsáveis, que em vários casos, incentivam a escolher uma atividade profissional objetivando sucesso financeiro, e ou aspirações pessoais e sonhos não realizados.

- Apresentar conteúdos;

- Mediar situações de conflito e de ansiedade;

- Auxiliar o processo de pesquisa e esclarecimento sobre as profissões. Tudo isso faz parte da minha missão como educadora, bem como, estimular a discussão e conversa sobre o assunto junto aos familiares.

É evidente que no meu caso a promoção desta discussão seja mais fácil, pois faz parte do meu dia a dia de trabalho, mas os professores de todas as áreas influenciam a tomada de decisão de seus alunos nesta fase.

A sugestão que deixo é orientar para que eles aprofundem as pesquisas sobre suas áreas de interesses, estimulem a ouvir profissionais que já atuam nos segmentos pesquisados, e incentivem a conversa franca e aberta com pais e responsáveis sobre o tema.

É um momento difícil para os jovens e para a família, mas com certeza será mais fácil de encarar quando estamos todos unidos e abertos para ajudar. E a nós professores, vale lembrar que já tivemos a idades deles, e se hoje estamos felizes (ou não!) com nossas escolhas do passado, é porque passamos por isto. 

O desafio de lecionar para adolescentes

Por Ana Maria Imhoff

Estou na sala dos professores durante o intervalo de aula de uma grande universidade, e de repente uma colega, não muito conhecida, me pergunta: "Ana, fiquei sabendo que você dá aulas para adolescentes do programa jovem aprendiz, isto é verdade? Como você consegue"? A colega em questão esclarece o porquê do espanto, "é que tenho dois em casa e não consigo dar conta, imagina em uma sala com 30 deles"?!!! Achei engraçado e curioso o pensamento dela, mas entendi o que quis dizer. São muitas as mães que me procuravam durante o período que além de ser professora, também coordenava e supervisionava estes alunos em seus postos de estágio. As dúvidas e o pedido de ajuda para lidar com estes jovens em casa estava sempre presente.

Percebia que estes adolescentes me procuravam para desabafar sobre suas escolhas, seu dia a dia no trabalho, suas frustrações em tentar conversar com a família em casa, e foram nestes momentos, que pude me dar conta da profunda responsabilidade que temos (como professores que somos) na formação destes jovens. Não somente nos cabe prepará-los para o mercado de trabalho, no caso de professores de educação profissional, mas também para a vida. Saber ouvir, respeitar suas opiniões, deixar argumentar podem ser os primeiros passos para uma maior aproximação de seu aluno adolescente.

"A adolescência se inicia, fundamentalmente, na raiz das mudanças biológicas que ocorrem no organismo" (PALACIOS; OLIVA, 2004), a chamada puberdade, um conjunto de mudanças físicas que transforma a criança para a fase reprodutora. Com as mudanças físicas surgem, também, profundas transformações psicológicas. Neste sentido, na adolescência, ocorre um novo processo de individuação, que leva o distanciamento emocional em relação aos pais e a aproximação aos iguais.

O adolescente vive a angústia da transição - não é mais criança, porém ainda não tem a autonomia e maturidade para ser percebido como um adulto. Nesta fase, os jovens começam a ficar inquietos, questionam a autoridades de seus pais ou responsáveis e demonstram interesses sexuais. Caracterizam-se por terem os próprios hábitos e modelos de vida, adotam estilos diferentes de acordo com seus valores.

E vamos concordar que, se todas estas transformações, são pesadas para os próprios adolescentes, imagina para a mãe, o pai ou o responsável que estava ao lado de uma criança até um dia, é que de repente se constituem como homens ou mulheres. Difícil, muito difícil!!!

Para nós professores, apesar de todas as demandas emocionais que envolvem lecionar para vários indivíduos passando por este processo de mudança, conseguimos inspirá-los com as nossas próprias histórias de vida (no meu caso, minhas escolhas de carreira), exemplos ouvidos e usados em sala de aula.

E aí tenho que concordar com a minha colega da sala dos professores, ser mãe, isto sim é ainda mais difícil que ser professora! 

Por uma aula legal, dessa vez!

"Queremos dinamismo e motivação em sala de aula" - o desabafo de adolescentes aprendizes

Por Ana Maria Imhoff

Seguindo ainda a trilha dos dizeres trazidos por adolescentes aprendizes em um grupo focal realizado durante minha pesquisa de mestrado, posso dizer que este novo artigo seria uma continuação do "chega de aula chata". Os elementos apresentados por estes jovens, juntamente com minha experiência em sala de aula, podem render muitas discussões para esta nossa coluna. Lecionar aulas para jovens da educação profissional, e para o primeiro semestre de graduação me ajudam no entendimento do que é ser professor para jovens, uma vez, que a maioria dos ingressantes em curso superior tem a mesma faixa etária de jovens aprendizes.

Além da falta de diálogo e interação já mencionados em artigo passado, os jovens também trazem em seus dizeres que a falta de dinamismo e motivação docente são características de aulas consideradas "chatas".Aí você pode me perguntar: "Como assim?" "Quantas vezes me dediquei no planejamento de uma aula para que os alunos simplesmente ficassem dispersos e alheios ao aprendizado?"

Por mais planejada que seja nossa aula, será que ela é dinâmica?A técnica chamada de dinâmica de grupo ou vivência grupal,em sala de aula facilita a aprendizagem, proporcionando tanto para estudantes quanto para o professor um rico ambiente para a construção do conhecimento, pois é uma prática que coloca o grupo em movimento por meio de exercícios, jogos, "brincadeiras". Para Andrade (1999) "são vivenciadas situações simuladas, proporcionando sensações da vida real, nas quais os participantes poderão agir com autenticidade, buscando aperfeiçoamento de sua conduta, em situação de auto-avaliação."

A motivação interfere diretamente nos processos de ensino. De acordo com Pozo (2002), aprender significa mudança, para tal necessita-se de grande quantidade de motivação, pois na aprendizagem costuma-se gastar tempo, energia, entre outros, assim, os motivos para aprender devem ser imensamente superiores aos motivos para não aprender. Para criar motivação e gerar significado a prática de aprendizagem sugere-se organizá-la socialmente, favorecendo assim, a cooperação e o intercâmbio, pois aprender não é somente uma prática cultural, mas sim uma maneira de viver socialmente.E nós professores, temos uma imensa influência, querendo ou não, gostando ou não neste "viver socialmente" de nossos alunos, portanto nos cabe mais uma vez, refletir nossas práticas, e incluir um pouco mais de dinamismo em nossos encontros.

Afinal, por mais cansados que estejamos por conta de excesso de trabalhos e ou provas para corrigir, por preencher os processos internos da instituição de ensino que representamos, e acúmulos de aulas, não tem cansaço que apague o prazer de ouvir de um aluno: "Nossa, que aula legal, nem vi passar, pena que acabou!"

Vamos trabalhar para menos cansaço e mais "que legal!"

"Chega de aula chata!"

Por Ana Maria Imhoff

Semestre começando, plano de ensino afinadíssimo, os materiais didáticos preparados, a sala de aula está organizada. Tudo programado, nada para dar errado, certo? Errado! Só esquecemos de seguir o conselho dado no último artigo, não ouvimos o que nossos alunos têm para dizer, e mais uma vez seguimos para o insucesso de nossas aulas tão bem (aos nossos olhos) planejadas.

A falha está em supor que todo adolescente, pela sua conexão direta com tecnologia, imagina uma aula "legal" sendo aquela onde os celulares estão liberados para consulta, ou com, somente, o uso de computadores seja a opção de dinamismo em aula. Imaginamos que aulas atrativas para adolescentes, que cursam o ensino médio, sejam as aulas recheadas de recursos tecnológicos. Ao tentar entendê-los, pude perceber que as aulas desprovidas de diálogo e a interação impactam de forma mais negativa do que a não utilização de estratégias fundamentadas em tecnologia. Os diálogos e as interações são fundamentais em sala de aula, para criar um ambiente agradável de trocas, significações e aprendizado. Os alunos se constituem como sujeitos coletivos, pois interagem e estabelecem relações com o meio físico e social, apropriando-se de padrões de comportamento e de linguagem, ou seja, conhecimento. Autores da área da educação destacam também, que no processo de ensino e de aprendizagem é fundamental a interação dialógica, isto é, apreensão dos conhecimentos do estudante pelo professor e dos estudantes entre si, para que os significados e as interpretações sejam problematizados.

A metodologia expositiva dialogada é uma das técnicas mais utilizadas pelos professores, e apresenta um avanço com relação a exposição dogmática (TOSI, 2001) utilizada durante muitos anos na educação, ou seja, impossibilitando qualquer interferência por parte dos alunos em relação ao seu professor. A exposição dialogada propicia alto nível de elaboração de conhecimento, porque existe uma efetiva interação entre o educador e os educandos. O fundamento desta técnica é o da transmissão de conteúdos, porém de uma forma ativa por parte dos alunos.

Parece-me que o que estes jovens indicam e sugerem é algo menos complexos que imaginamos ao preparar nossas aulas, querem ouvir o professor e os colegas, expressar suas opiniões e experiências cotidianas, trocar informações. Claro que isto não pode ser tão simples assim, mas um professor preparado, consegue alinhar estas interações com o contexto de aula, práticas pedagógicas não nos faltam para isto.

Estratégias de aula sob o olhar de jovens da Educação Profissional

Por Ana Maria Imhoff

Olá leitor da Novo Contexto! Como mencionado no último artigo sobre Educação e Tecnologia, irei compartilhar abordagens pedagógicas e ações experimentadas em sala de aula. Ser professor atualmente já é por natureza um grande desafio, uma vez que a informação está tão simplificada e massificada em tempos tecnológicos. Imagina ser professor de jovens (altamente plugados em tudo), e somando, para jovens que estão inseridos no mercado de trabalho, que buscam conhecimento para se colocarem profissionalmente em dias de muita concorrência e economia nada fácil. O desafio já é grande, e com todas estas variáveis chega a ser assustador. Foi diante deste cenário que resolvi entender como jovens entre 14 e 24 anos percebem as estratégias de ensino e as aulas preparadas para eles.

Ao planejar uma aula, o professor se orienta em um plano de curso estruturado pela escola, as ações educacionais são orientadas em função de um currículo existente. É diante do currículo que o professor planeja seu processo de ensino, levando em consideração os recursos e as estratégias mais adequadas aos objetivos e necessidades dos estudantes. Embora saibamos que muitos são os fatores que podem determinar o insucesso de uma aula, é comum os alunos atribuírem o fracasso desta ao professor, e muitas vezes sinalizam na avaliação formal do educador, que a estratégia de ensino utilizada em suas aulas não foi estimulante ao aprendizado.

Coloco em evidência as estratégias de aula apontadas como estimulantes aos jovens questionados: aulas em que os professores levam recursos didáticos que facilitam a internalização e transferência do conhecimento, como por exemplo: jogos e ou objetos que são alvo de discussão em sala de aula, permitindo a visualização e o toque. Enfatizam o valor das situações contextos, ou seja, levantamento de conhecimentos cotidianos dos estudantes, pois o aluno desenvolve afetividade com o conhecimento científico, sendo assim, possui maior facilidade de internalizar o mesmo. E apontam ainda a utilização de filmes e vídeos em sala de aula como algo positivo e estimulante, e por fim, a dramatização como possibilidade de ensino.

Mais uma vez é reforçada a ideia de que educadores necessitam aperfeiçoar suas práticas e buscar constantemente conhecer as estratégias, técnicas e dinâmicas que estimulam o aprendizado de seus alunos para que a relação em sala de aula (que está cada vez mais rara) seja positiva.

E como conhecer estas estratégias? Para isto não é necessário um grande desafio, basta ouvir seus alunos, eles sempre têm muito a dizer!!!

Educação e Tecnologia

Por Ana Maria Imhoff

Estar profissionalmente em sala de aula há mais de 10 anos me rendeu o convite para escrever este artigo, e passar uma visão de novo contexto para os comprometidos com a educação. É uma honra escrever para este site que se preocupa com assuntos importantes para a vida cotidiana, e educação, é sem dúvida, um deles.

Tenho uma grande amiga que costuma dizer, sabe qual o problema da educação no Brasil? Segundo ela, é que todo mundo acha que está apto para falar sobre o tema. Acredito, exatamente que por se tratar de um assunto da vida cotidiana, todos queremos apresentar opinião formada sobre "a educação". Afinal, tem sempre alguém com filhos estudando, completando a primeira formação, fazendo alguma capacitação ou até em busca de uma nova graduação e não consegue ficar isento do cenário apresentado pelas instituições educacionais.

Os relatos sobre educação apresentam certas expectativas educacionais, como por exemplo, o uso das tecnologias em sala de aula.

A tecnologia e os meios midiáticos estão presentes em tudo, e não faltaria em abordagens educacionais. É esperado que as aulas sejam preparadas fazendo uso da tecnologia. Para Celso Antunes (2012) é importante transformar "professauros em professores". Conhecer profundamente sobre um conhecimento, e querer transferir esse conhecimento, por meio de técnicas desgastadas de ensino, já não cabem mais. Aprendizagem significativa se dá quando as experiências vividas pelos alunos estejam presentes no contexto de aula. Se por um lado a tecnologia se faz necessário em meios de aprendizagem, por outro, é importante salientar que usar uma lousa digital na sala de aula, e, ser ou ter, um professor, que autoriza o uso de smartphones e ou computadores durante a aula, não significam mudança de comportamento e nem garantia de aprendizagem significativa.

O grande desafio está em descobrir e aplicar metodologias que auxiliam no processo de aprendizagem, e refletir como pensamos a educação, como pensamos a tecnologia, bem como, qual o resultado que esperamos delas. No discurso de muitos professores a fala repetida é que se faz necessário aprimorar práticas pedagógicas, refletindo sobre elas.

A tecnologia, que segundo Veraszto (2008), significa a razão do saber fazer, é ainda mais discutida em cenários educacionais, intensificando o entendimento de que não é possível fazer educação sem tecnologia nos dias atuais. Portanto, estamos longe de terminar esta discussão, pelo contrário, só no início. A intenção desta coluna é abordar novas práticas pedagógicas; aprofundar como podem ser utilizadas, e quais os resultados obtidos; apresentar novas ações experimentadas em sala de aula, e desta forma compartilhar com educadores o que estamos vivendo na educação em tempos tecnológicos. Assunto para muitos artigos ainda! 


Ana Maria Imhoff é Mestre em Educação, profissional de Relações Públicas e especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Professora de cursos de pós-graduação. 

Contação de Histórias é o encanto da Literatura Infantil

Por Adriana Filie

A contação de histórias é uma das práticas mais remotas que se tem registro da humanidade. E apesar de ser universal o campo da educação dedica boa parte de seus estudos a esse método para ser aplicado à literatura infantil de maneira a ampliar a formação das crianças.

Além de ser encantador, tanto para as crianças como para os adultos. "O momento de troca é uma rica experiência e trago comigo uma parte da minha carreira onde me dediquei a esse tipo de projeto e do qual guardo imenso carinho", contou a Ms. Luciana Teofilo Santana durante a aula especial destinada a um grupo de alunos de pedagogia.

A aula fez parte das comemorações pela Semana do Pedagogo, a Ms. Luciana retomou seu vasto conhecimento promovendo para a turma de futuros professores as técnicas que podem ser utilizadas na contação de histórias e, principalmente, na seleção de um repertório rico em qualidade literária e conhecimento humano.

O recurso de contar histórias é um fator didático altamente importante como um preparatório para a alfabetização ajudando na aquisição da escrita, leitura, interpretação e oralidade. Abre o campo lúdico das crianças possibilitando aflorar o imaginário infantil, o encontrar e criar novas ideias, estimular a curiosidade em descobrir o mundo, o sentir e reconhecer emoções desenvolvendo o potencial intelectual desde cedo e garantindo o desenvolvimento humano ao permitir a apropriação da cultura.

Primeiro, a professora Luciana narrou de maneira instigante o livro Mania de Explicação, da jornalista Adriana Falcão, que em forma de poesia, escreve sobre palavras que remetem emoções e sentimentos; em seguida, utilizou objetos do cotidiano para falar sobre morte na poesia de Manuel Bandeira e guardada em canção por Dorival Caymmi; depois foi a vez de trazer Pedro Malasartes e sua história A Sopa de Pedra, um clássico popular recontado no universo literário por meio de diversos escritores famosos.

Alargando a experiência literária dos presentes, se utilizando de tecidos, encantou a todos com o conto tradicional alemão A Mulher do pescador, no qual são levadas à reflexão as expressões das fragilidades humanas.


Na foto, participação especial de Heitor, filho da Professora Ms. Luciana, contando histórias que fazem parte do repertório que ela narra a ele.


As técnicas de contação de histórias são muitas e, durante a noite, os alunos puderam observar narrações através do teatro de sombras, histórias guardadas na memória da experiente docente Luciana Teofilo que encerrou a noite emocionada ao contar a história A Moça Tecelã da escritora Marina Colasanti, onde é abordado de maneira poética as possibilidades da mulher tecer suas escolhas, enquanto os participantes interagiram utilizando novelos de lã formando uma teia colorida pela sala de aula.

Luciana Teofilo Santana é Pedagoga pela Universidade de São Paulo - USP (2006) e Mestrado em Políticas Educacionais pela Unesp de Rio Claro (2011). Atualmente é efetivo - Secretaria Municipal de Educação de Pirassununga e efetivo - Secretaria Estadual de Educação ( SP), atuando profissionalmente, na docência da Educação Básica e como membro da Equipe Técnico Pedagógica. Pesquisando atualmente questões relativas à Política Pública Educacional e Avaliação. Professora dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da Faculdade de Tecnologia, Ciência e Educação FATECE.

Devemos manter a Educação como prioridade para o desenvolvimento

Por Adriana Filie

A Educação é o caminho para garantir oportunidades de acesso a melhores condições de vida e de trabalho a toda população. Vamos continuar a batalha para atingir uma educação de qualidade para todos transformando cidadãos que aprendam a ser, a fazer e a conviver, um mundo melhor a cada dia

O Dia Internacional da Educação, 28 de abril, é uma oportunidade importante para promover a reflexão sobre o assunto na sociedade. A data originou-se a partir do Fórum Mundial de Educação, realizado em abril de 2000, na cidade de Dakar, no Senegal, onde foram reunidos representantes de 180 países.

Durante essa conferência foi estipulada a Declaração Mundial de Educação para Todos, com o intuito de impulsionar os esforços para oferecer a educação adequada para toda a população em seus diferentes níveis de ensino. Ao todo, mais de 150 governos adotaram esse compromisso, de não poupar esforços para que a educação chegasse a todas as pessoas do planeta até 2015.

Avanços e Desafios

Segundo a representação da UNESCO no Brasil, o país apresentou avanços nas últimas duas décadas, como o acesso quase universalizado ao ensino fundamental para a população de 7 a 14 anos, o grande aumento da proporção de jovens na idade própria que se encontra no ensino médio (o que aponta um expressivo avanço no acesso à educação secundária), além da redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos e o aumento no acesso ao ensino superior.

Convidamos a todos a assumir o papel de educadores de alguma maneira em sociedade. Temos infinitas possibilidades de transformar nossos meios, sejam eles familiares, sociais e profissionais exercendo a cidadania e a responsabilidade pessoal com os nossos e com o país.


Implicações do uso do celular na área gastronômica


Por Ana Maria Imhoff

Como professora na área da gastronomia, e que leciona disciplinas na área de gestão de pessoas e serviços, me deparo com questionamentos constantes, bem como, com depoimentos sobre o uso do aparelho celular em empreendimentos de A&B (Alimentos e Bebidas). 
Este meio de comunicação transformou a forma de ver e interagir com o mundo, e desta forma, afeta as relações sociais, as relações profissionais, bem como, nos padrões de atendimento estabelecidos em vários setores, e principalmente em meios gastronômicos. Os estudos apontam que o tempo gasto com as refeições sofreu considerável alteração devido ao uso do celular à mesa. Como regra de etiqueta, o celular não deve estar à mesa durante as refeições, por questões de higiene, segundo Miranda (2015) telefones celulares carregam 10 vezes mais bactérias do que a maioria dos vasos sanitários. Mas a questão também vai além da higiene, trata-se da ausência da interação olho no olho, da conversa despretensiosa com um grupo de amigos, e até mesmo da dificuldade da execução operacional de um profissional do serviço, como garçons, maîtres e atendentes em geral. 
É inegável que os aparelhos celulares são extremamente importantes, que facilitam, e muito, as relações profissionais, que aproximam pessoas, viabilizam negócios, e até mesmo projetam estabelecimentos gastronômicos de forma surpreendente. Afinal de contas, quem não se encanta com aquela foto maravilhosa daquela sobremesa experimentada no estabelecimento "X", que foi divulgado na sua página social no final de semana? Assim como gera curiosidade, vontade de experimentar, também são apresentados fatores nem sempre positivos, mas temos que considerar que atua como um poderoso instrumento de marketing. 
Alguns estudos, na área de atendimento, divulgam que os comensais demoram em média 40 minutos a mais em uma refeição do que levariam normalmente, isto se deve ao fato de que fotos dos pratos e bebidas são registrados e divulgados em redes sociais ainda no momento em que estão sendo consumidos. Isto pode ser excelente do ponto de vista de divulgação para o estabelecimento e dependendo do tipo de serviço que este oferece, porém para um estabelecimento onde o tempo médio considerado pelos comensais no salão é inferior a 40 minutos pode ser um intensificador de problemas. 

Trata-se de um desafio sair sem o celular em tempos tecnológicos com o qual estamos vivendo, seu uso se faz necessário e causa uma certa dependência, mas além da higiene (uma vez que estamos falando de gastronomia) e da interação, é um tanto quanto desagradável você notar que está falando sozinho, ou que todos aqueles que você convidou para comemorar contigo seu aniversário, estão com os olhos vidrados em seus aparelhos celulares. O que será tão importante? 
Será que se não fotografarmos aquela sobremesa ela ficará menos saborosa? Será que dar uma olhada rápida nas suas mensagens justifica o desprestígio na comemoração de aniversário de seu amigo? 
Olhar nos olhos durante uma conversa com amigos, interagir com palavras e sorrisos, e fazer quem está ao seu lado se sentir especial pode estar em desuso, mas ainda é a forma mais antiga de afeto. Celular é muito bom, mas tem hora! Pensem nisto!! 


Ana Maria Imhoff é Mestre em Educação, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Professora da área da gastronomia.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio neurobiológico. Embora a causa exata ainda seja um mistério para a medicina, todos os estudos apontam para causas multifatoriais, como genética, má formação cerebral, fatores ambientais, entre outros.

É chamado de Espectro Autista porque cada pessoa afetada apresenta uma ampla variedade de sinais e sintomas, com diferentes níveis de gravidade. Entretanto, em todos os casos, há dois impactos presentes, que formam a chamada díade do autismo: comunicação social e comportamento repetitivo ou restrito. O TEA está inserido dentro do grupo de Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD).
Quando falamos do autismo, é preciso entender que há dentro do Espectro alguns diagnósticos, sendo que todos têm em comum o impacto na comunicação social e comportamentos restritos ou repetitivos. O TEA engloba os seguintes diagnósticos:
- Transtorno Autístico (autismo)
- Transtorno de Asperger
- Transtorno Desintegrativo da infância
- Transtorno Global ou Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação

Novo Contexto tem a honra de entrevistar a psicóloga, Ms. Maria Elisa Granchi Fonseca, referência quando falamos em autismo. Ela é profissional certificado como TEACCH Practitioneer, atua em gestão acadêmica, clínica e é coordenadora do CEDAP - Ensino Estruturado para Autistas na APAE Pirassununga. Trabalha em clínica há 25 anos com avaliação e intervenção em neurodesenvolvimento e psicologia comportamental e na avaliação e tratamento dos TEA - Transtornos do Espectro do Autismo e vem atuando com formação de pessoas desde então.

1 - Na sua vasta experiência, o que você pode dizer que mudou nos diagnósticos das crianças? 

Mudou a idade do diagnóstico que está cada vez mais precoce; mudou o tipo do autismo, passando a abranger o espectro mais leve e mudaram os critérios diagnósticos que hoje seguem o DSM-5. Mudando o conceito de Autismo, muda-se a forma de avaliar. Uma nova realidade diagnóstica inclui mais demanda, mais clínicos avaliando e com isso, a necessidade de qualificação.

2 - Quais os principais tratamentos disponíveis para o TEA?

Os TEA fazem parte de um grupo de condições do neurodesenvolvimento e portanto, os apoios seguem por toda a vida. Ocorre que para cada fase da vida existe uma necessidade. Uma abordagem multidisciplinar com terapias baseadas em evidências são as mais indicadas. No entanto, somente uma avaliação vai apontar quais as áreas essenciais. Usualmente fazem parte desse grupo: psicologia comportamental, fonoaudiologia, terapia ocupacional, medicina, psicopedagogia, atividade física. Porém, muitos outros recursos podem ser usados e sem avaliar cada caso, nenhum programa terá efeito.

3 - Os pais e familiares estão preparados para promover o desenvolvimento das crianças?

Depende dos pais e das crianças.Nenhum pai vem equipado com recursos para desenvolver seus filhos, sejam eles especiais ou típicos. Mas, hoje, vemos muitos pais já capacitados e envolvidos diretamente na causa. Existem propostas de orientação que olham pra isso.

4 - Como você vê, realmente, a aceitação ou inclusão na escola e na sociedade?

Vejo com muita alegria! Não temos mais como voltar atrás na proposta da Inclusão em nenhuma instância ou lugar. A realidade cobra e pede uma sociedade cada vez mais inclusiva. Eu penso que devemos sempre oportunizar recursos adaptados, material estruturado e situações de ensino nas escolas para que os autistas tenham acesso ao currículo. A escola deve estar aberta ao autismo e com isso, entender as necessidades que o acompanha.



5 - Pode deixar uma mensagem para aqueles que se dedicam a formação dessas crianças?

A mensagem que eu deixo é que todos invistam no autista e nas suas possibilidades. Façam isso ao longo de um ano inteiro e por conta de uma causa. Deixar para falar de Autismo no mês de abril não ameniza nem fortalece o grupo. O autista é autista o ano inteiro! Se você trabalha com autismo, estude, busque formação, veja o que tem de atual e saia do lugar! Seja a diferença que o Brasil precisa.

Se você é pai, siga em frente! Junte-se a grupos e capacite-se!

Justiça para a educação, estamos precisando!

Vamos aproveitar as polêmicas para oferecermos conteúdo de qualidade e refletirmos o que de fato, podemos aprender. Essa semana, mais uma vez, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, postou críticas a professores com síndrome de Down questionando o que eles podem ensinar a alguém de maneira rude e discriminatória. Ela é a mesma que divulgou informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada na semana passada.

Por causa desta postagem, uma representação contra a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio foi protocolada no Conselho Nacional de Justiça.

Federação se manifesta com repúdio

Nesta segunda-feira (19), a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down publicou uma carta de repúdio "à demonstração de preconceito manifestado por uma autoridade pública, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em relação às pessoas com síndrome de Down".

Na carta, a associação ressalta a luta empreendida pela sociedade e pelo estado brasileiro pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência e critica a postura da magistrada.

"A FBASD considera que a mensagem carregada de preconceito, ofende, definitivamente, os ditames impostos aos juízes por seu Código de Ética. Textos dessa natureza claramente denigrem a magistratura e, assim, devem ser rigorosamente apurados pelos órgãos competentes, tais quais a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional de Justiça."

Mas o que é isso senão inclusão?

Débora Araújo Seabra de Moura tem 36 anos e trabalha há 13 como professora auxiliar em uma escola particular de Natal. Ela é ainda autora de livro infantil chamado "Débora Conta Histórias" (Alfaguara Brasil, 2013).

Professora potiguar com Down recebe prêmio nacional de educação

Débora Seabra recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro em Brasília. Ela foi considerada exemplo no desenvolvimento de ações educativas no país.

A potiguar Débora Seabra, primeira professora com síndrome de Down do país, foi homenageada com o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação 2015 em Brasília. O prêmio é promovido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que elege todos os anos três pessoas - físicas ou jurídicas - consideradas exemplos no desenvolvimento de ações educativas no país.

A entrega da homenagem aconteceu na última terça-feira (27). "Eu amo o que eu faço. Amo meus alunos, amo o meu trabalho e também eu gosto muito da minha equipe de trabalho. É importante também para incluir muitas pessoas como eu", disse Débora.

Ela é professora há mais de 10 anos e faz palestras no Brasil e em outros países, como Argentina e Portugal, sobre o combate ao preconceito. Hoje ela trabalha como professora assistente na Escola Doméstica, um colégio particular de Natal. Quando mais nova, Débora sempre estudou em escolas da rede regular de ensino e se formou no curso de magistério, de nível médio, em 2005.

Em 2013, ela lançou o seu primeiro livro, chamado "Débora conta histórias". A obra traz várias fábulas infantis que se passam na fazenda e têm animais como protagonistas. Embora sejam animais, eles precisam lidar o tempo todo com problemas humanos, especialmente o preconceito e rejeição por serem diferentes.

O nome de Débora foi indicado a concorrer ao prêmio pelo deputado federal Rafael Motta (PROS). "Ela é um orgulho para todos os potiguares e essa é uma justa homenagem por sua competente atuação no setor educacional do Rio Grande do Norte", contou o deputado. Ao escolher os homenageados, a Comissão de Educação levou em consideração critérios como originalidade ou caráter exemplar das ações educativas desenvolvidas pelos indicados ao prêmio. 

Fonte: G1

Consciência Fonológica e Alfabetização

A aprovação da versão final da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em dezembro de 2017, tem sido fonte de debates e expectativas, com relação a algumas modificações e à inserção de novos critérios, especialmente na etapa de alfabetização. Um dos critérios do novo documento é o levantamento das habilidades que devem ser trabalhadas e esperadas da criança, na aprendizagem inicial da leitura e escrita.

Dentre as habilidades esperadas para a etapa inicial do ensino fundamental I, citadas no documento, está apropriação das relações entre as letras e os sons. Tal habilidade, chamada de consciência fonológica, passa a ser considerada como parte importante da construção do sistema alfabético de escrita.

A decisão de inserir o desenvolvimento da consciência fonológica no processo de alfabetização vem ao encontro de inúmeras pesquisas, especialmente na área de neuroaprendizagem, que apontam esta habilidade, como um pré-requisito indispensável para a aprendizagem da leitura e escrita. Mas afinal de contas, o que é consciência fonológica?

Nosso sistema de linguagem escrita é alfabético, ou seja, cada letra (grafema) representa um som da fala, chamado de fonema.A representação escrita das palavras obedece, mediante algumas regras, a relação entre as letras e seussons. Consciência fonológica é, portanto a habilidade de perceber as características dos sons da fala, manipulando, segmentando, identificando estes sons e os relacionando à estrutura da linguagem escrita.

A criança é estimulada a perceber a forma como a linguagem se apresenta na oralidade e, aos poucos, relacionar a estrutura dessa oralidadecom seus representantes gráficos. Por exemplo, quando falamos a palavra PATO, ouvimos duas partes menores - PA - TO. A primeira parte, PA,também existe na palavra PANELA e no meio da palavra SAPATO. Para pronunciar a sílaba PA, devem existir padrões articulatórios e sonoros, representados pela letra P e pela letra A. Esse jogo de associações, leva a criança a relacionar sons e letras, construindo seus conhecimentos a respeito da leitura e escrita.


O desenvolvimento da consciência fonológica é gradual, a medida que a criança vai se tornando consciente de palavras, que estas podem ser segmentadas em sílabas e as sílabas segmentadas em fonemas. A identificação e manipulação destas unidades sonoras favorece a alfabetização, enquanto que a aprendizagem da linguagem escrita promove o refinamento das habilidades da consciência fonológica, formando assim uma relação de causalidade recíproca entre habilidade e aprendizagem(NAVAS; SALLES, 2017). Na leitura inicial, por exemplo, as habilidades de consciência fonológica influencia na decodificação precisa das letras em sons, chamada de rota fonológica. A precisão desta conversão é considerada um dos pré-requisitos necessários à automatização da leitura e escrita.

São inúmeras as possibilidades de trabalho do desenvolvimento da consciência fonológica em sala de aula. Jogos de rimas e aliterações, segmentação, identificação e manipulação de sílabas e fonemas, utilizando o lúdico como ponto de partida, são dicas importantes para que as crianças estabeleçam as relações necessárias para o início da alfabetização.

Para finalizar, é importante ressaltar que estas habilidades não são inatas, mas desenvolvidas a partir de estimulações coerentes aos objetivos propostos. Quando, apesar de intervenções consistentes no aprendizado das relações entre as letras e seus correspondentes sonoros, a criança apresentar dificuldades na aquisição da leitura e escrita, é necessário aprofundar a observação e a investigação destas dificuldades, com apoio de profissionais da educação e saúde.

Espero, de maneira breve, ter contribuído para o entendimento desta nova habilidade, inserida no currículo da etapa inicial do Ensino Fundamental I.

Bibliografia

NAVAS, A.L.; SALLES, J. F. Dislexias do desenvolvimento e adquiridas. São Paulo: Pearson, 2017.
ROTTA, N. T.; OHLWEILER, L.; RIESGO, R. Transtornos de aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2016.
SEABRA, A. G.; CAPOVILLA, F. C. Problemas de Leitura e escrita: como identificar, prevenir e remediar numa abordagem fônica. São Paulo: Memnon, 2011.



Ana Carolina Ferronato é pedagoga, pós graduanda em neuropsicopedagogia e psicopedagogia. Atua na área de orientação escolar e familiar e dificuldades de aprendizagem.


Contatos: (19) 99618-5822 - e-mail: carolferronato@terra.com.br