Pet Dúvidas

DEZEMBRO VERDE: DIGA NÃO AO ABANDONO DOS ANIMAIS

Por Mila Godoy

Dezembro chegando e logo começa os preparativos para a festa de Natal: preocupação do que dar de presente, o que comprar para a ceia de natal, que roupa irá vestir, organizar a viagem de final de ano, ir a inúmeras confraternizações... A lista de compromissos aumenta e os gastos também.

Mas, infelizmente, é nessa época em que aumenta o abandono dos animais. E porquê isso acontece? 

Já disse isso em outras ocasiões, mas vale relembrar: falta de planejamento e adoção por impulso. Então, a pessoa adquire um animalzinho, e no final do ano, quer viajar. Tá armada a confusão que é viajar com um cão ou gato!! Pior, não dá pra viajar para todo o lado com o animal, pois não é todo hotel que aceita. Hotel pra animal é caro, muita gente pensa isso, e pronto, a melhor solução é jogar na rua que alguém pega.

Pode parecer maluquice os argumentos acima, mas é o que muita gente pensa na hora de abandonar o animal. Por isso, surgiu a campanha Dezembro Verde, num esforço para relembrar a Lei do Abandono dos Animais, e diminuir esses números nessa época do ano.

Como você pode ajudar? Primeiro faça a sua parte: não dê animal como presente! 

Sim, filhotes são bonitos, fofinhos e encantadores, porém , fazem sujeira, ficam doente, crescem. É uma vida, uma responsabilidade pra no mínimo 15 a 20 anos. Ás vezes o seu amigo parece ser uma excelente pessoa, mas ao se deparar com essa nova aquisição, aceita para não deixar magoado quem está "presenteando" e, depois, na primeira oportunidade, abandona o animal. Tem abrigo que até suspende as doações de animais nesse período para proteger os animais e evitar o abandono.

E não precisa ser animal adotado de abrigo não. Tem muita gente que compra bichinho nessa época do ano e logo percebe que não fez uma boa escolha. Como não consegue devolver, acha mais fácil abandonar usando a desculpa: ele é de raça, logo logo arruma alguém.O mesmo vale para dar de presente à crianças, animais. Bichinhos de estimação são ótimos para crianças e fornecem muitos ensinamentos a elas, mas muitos pais, após passada a empolgação, se deparam com as responsabilidades e resolvem dar fim no animal - com uma desculpa pior que a outra - numa infeliz tentativa de justificar o injustificável. Bicho não é brinquedo! Não é um objeto para ser deixado de lado quando a criança enjoa! Bicho é responsabilidade. Senão está disposto a ter essa responsabilidade, não adote ou compre um animal.

E quando falo em abandono, não é somente naquela cena horrível em que a pessoa larga o cão/gato em alguma beira de estrada e vai embora. Abandono acontece nas clínicas veterinárias onde o proprietário deixa internado e não volta para buscar. No pet shop, aquele animal que é deixado para dar banho e não voltam para pegar e não atendem as chamadas. Na ida ao Canil da cidade com o animalzinho e o tutor alega: mas você não está entendo, eu vou me mudar e preciso que fiquem com ele... É o melhor pra ele e você tem que fazer algo... É aquele vizinho que some e deixa o animal trancado dentro de casa sem comida e nem água. É aquele que não fornece tratamento ao animal quando este necessita de cuidados. Várias crueldades...

Configura-se também na Lei de maus tratos: abandono de animal quando não se fornece água ou comida; quando não se fornece cuidados médicos veterinários; quando o animal é deixado em condições que não lhe garanta o seu bem estar, entre outras. E hoje além da multa, que é bem alta, é um crime passível de prisão.

Por isso, Natal é muito mais do que comemorações. É tempo de reflexão. E aqui neste mês, temos de lembrar que uma adoção ou uma compra de um animal deve ser feita com muita consciência. Afinal, eles não escolhem a família humana deles, então, se você está disposto a ser papai ou mamãe de um filhotinho, seja ele cão ou gato, coelho, etc, faça-o com muita consciência e ciente das responsabilidades de um animal.

Dezembro verde está aí, para nos lembrar que apesar de muita gente má com os animais ainda existe gente de boa vontade, disposto a ajudá-los, e que eles merecem respeito, carinho e cuidados. Ajude nessa causa e compartilhe essa ideia. 

Até a próxima!!



Os perigos da automedicação em Pets

Por Mila Godoy

Fim de ano vai chegando e começam a acumular contas, boletos e o dinheiro vai apertando. E no meio da correria do final de ano, o seu pet começa a ficar doente! E agora? Tô sem dinheiro! O primeiro pensamento é: ah, tudo bem, esse probleminha de pele acho que aguenta até o pagamento... Ou ainda: é só um enjoosinho bobo, eu acho que dá pra aguentar.... Essa coceira no ouvido não é nada.... No dia seguinte, a pele tá um terror, o enjoo virou vômito profuso e o ouvido tá superinchado. 

O que a maioria dos tutores faz? Leva num veterinário? Não, está sem dinheiro, lembra?

O desespero faz tomar uma decisão perigosa: olha a caixinha de remédios humanos e resolve arriscar um deles.... Afinal o que funciona para mim também dá certo para o meu pet, certo?

Este cenário acontece todos os dias nas casas de muitos tutores brasileiros. Você já tomou medicamento sem consultar o médico não é? Se ainda não fez, com certeza conhece quem já fez. E extrapolar esse comportamento de automedicar para animais não é difícil. Seja por decisão própria, por uma ajuda do google, ou ainda porque algum conhecido indicou, todos os caminhos levam a automedicação.

Nenhum gato, nem cachorro é uma criança!

O primeiro ponto que tenho que esclarecer é o uso indevido da medicação humana. Veterinário prescreve sim medicamento humano, mas ele sabe qual o princípio pode ser usado e em que dose adequada sem haver intoxicação. Animais possuem uma resposta farmacológica diferente da nossa. A velha história do que vale para uma criança, vale para um cão ou gato não é verdade. Além disso, muitos princípios ativos de medicamentos são tóxicos para animais, e alguns inclusive podem levar a óbito sem ter muito o que se possa fazer. Paracetamol, diclofenaco, ácido acetilsalicílico são alguns dos princípios que causam intoxicação fatal em gatos. A ivermectina, um medicamento muito usado para tratamento de sarna, ou ainda derivados de suas moléculas, presentes em muitos anticarrapaticidas, é fatal para border collies, algumas variações da raça pastor alemão, inclusive para os vira-latas provenientes dessas cruzas. Isso acontece porque essas raças não possuem a enzima necessária para processar e absorver o medicamento. E não há antídoto.... o animal morre nas mãos de um veterinário que tenta de tudo para dar conforto a ele durante as últimas horas. E como dizer ao proprietário, que se ele não tivesse dado aquela medicação, o animal poderia estar vivo? Difícil!

O segundo ponto é que automedicar com produtos veterinários não é garantia de que não haverá intoxicação. Alguns medicamentos veterinários não podem ser usados em felinos, e tem muito tutor que vai na casa de ração, compra um medicamento que deve ser usado em grandes animais e tenta adaptar, com graves consequências.

Tem gente que tenta ainda driblar a situação: resolve dar uma planta medicinal ou um remedinho caseiro. Um sério problema, pois como já disse em outro texto, tem uma série de plantas que são tóxicas a cães e gatos. Muitos tutores, por desconhecimento, nem sabem se a planta que utilizou para o chazinho era medicinal mesmo. Quem já não ouviu que quiabo salva o animal de cinomose? Um monte de gente que viu na internet, afinal, isso é amplamente divulgado. Quiabo salva o animal de cinomose? Não! Se algum animal ficou curado de cinomose por quiabo? Não temos comprovação científica, nenhum estudo que demonstre essa correlação. Mas tem muita gente que acredita nisso, e defende isso. Outra grave questão é que essas plantas medicinais vendidas em barraquinhas, nem quem vende sabe dizer se está misturado ou não com outra planta, que pode ser tóxica.

De qualquer forma, todos vão ao veterinário. E aí o veterinário, além de lidar com a intoxicação, tem de procurar quais eram o sintomas iniciais do paciente, para descobrir qual a melhor conduta clínica, pois, muitas vezes, os sintomas foram mascarados por conta da automedicação. Pra piorar, o animal corre o risco de ter alergia ao princípio ativo e ao invés de um problema, podem ter dois.

O tratamento então fica mais custoso e demorado, e o proprietário é obrigado a lidar com a realidade: como teria sido diferente se tivesse trazido antes... Seria com certeza bem mais rápido e menos custoso. Então pra que complicar? Se seu pet ficar doente, nada de automedicar. Leve seu animal ao veterinário .

Seu pet merece os melhores cuidados! Não automedique. A vida dele está em suas mãos.

Até a próxima!


Meu Pet é uma divertida CHINCHILA

Por Mila Godoy

Houve um tempo em que se quando se desejava ter um animal de estimação, as pessoas escolhiam entre cães, gatos e peixes. O tempo passou e caiu no gosto da população o interesse pelos animais exóticos como pets. A chinchila foi um dos animais exóticos que viraram febre entre aqueles que querem um pet pequeno, curioso e divertido.

A chinchila é um roedor pequeno. São dóceis, divertidas, curiosas, estão sempre dispostas a brincar e de manejo fácil, e por esse motivo, são principalmente animais de estimação de pessoas que trabalham fora o dia inteiro, e somente retornam a noite. São muito apegadas ao dono, e quando se acostumam com a nova família, costumam pedir carinho, ficar no colo e atender pelo nome, como qualquer cão e gato. O tamanho é pequeno, mas a vida é longa: uma chinchila pode viver até 15 anos de idade.

Possuem hábitos noturnos e podem ser vistas brincando durante a madrugada, o horário favorito delas para brincadeiras. Necessitam de muito espaço, com uma gaiola ampla e uma roda própria para a espécie. Não pense em sair de casa, e deixa-la solta para curtir a casa ou o apê!

Sendo um roedor, ela não pensará duas vezes em destruir sapatos, brinquedos, tapetes, móveis, fios de telefone, aparelhos eletrônicos, o que no caso desses últimos podem ter um final bem trágico, pois um choque pode matar o animal. Não se preocupe, ela estará feliz em sua gaiola espaçosa, e quando você chegar do trabalho, provavelmente vai encontrá-la brincando feliz na rodinha de chinchilas. Aí sim, sob a sua tutela, solte-a e curta as suas brincadeiras.

Não invente achando que é um cão ou gato, cuide dela como uma Chinchila e tudo dará certo!

Nunca 'abra mão' da ração para chinchilas. Essa é uma recomendação que deve ser seguida à risca. Não pense em dar a ração de cachorro, gato, coelho, etc. para economizar. A chinchila possui o sistema digestivo bem delicado, e podem ter complicações, inclusive ao óbito. Então, não pense em arrumar uma solução para alimentação porque não vai fazer bem.

Mas variar o cardápio é sempre bom, portanto se quiser agradar, ofereça legumes e frutas. Esses animais possuem alta tendência a ter prisão de ventre, então sempre dê alimentos ricos em fibras, como alfafa, frutas secas sem açúcar, maça, damasco e ameixas. Evite amendoim, castanhas, guloseimas e doces. (não dá pra dividir com ela o saquinho de Fandango, e nem as balas de goma).

As chinchilas convivem muito bem com outros animais de estimação, mas, atenção: isso só acontece quando elas convivem desde filhotes com esses animais. Isso não significa que uma adulta não consiga conviver, porém será mais difícil criar confiança. Além disso, nunca deixe ela sozinha com esses animais, pois as brincadeiras envolvem patadas e pequenas mordidas de afeto, que num cão ou gato não teriam muito problema, mas numa chinchila isso pode levar a morte.

Também sempre é bom dizer que as brincadeiras de cães e gatos nem sempre são engraçadas para a chinchila já que estas envolvem brincadeiras de predador/presa e a chinchila sempre será a presa, o que é extremamente assustador e desconfortável ao animal.

Com outras chinchilas elas costumam interagir muito bem. Mas caso seja essa a sua opção é bom lembrar de que esses animais devem ser castrados para evitar uma superpopulação. Não precisa tosar, escovar ou dar banhos. No caso de queda de pelos, isso só acontece em animal doente. Portanto, qualquer queda visível recorra a um atendimento veterinário especializado. Como os coelhos, os dentes delas estão sempre bons pra roer, mas eles não sofrem desgastes. Então, o futuro tutor poderá levá-la para que ela sinta o conforto necessário.

Curiosidades sobre as Chinchilas

As chinchilas são originárias das Cordilheiras dos Andes, no Chile. O nosso país é de clima tropical, e beem quente, então, elas tem muita dificuldades em se adaptar ao calor. Como elas armazenam todo o calor dentro do organismo, muitas podem ter um colapso e vir a óbito. Então nem pense em deixá-la tomando sol sozinha, nem a deixe em lugares muito abafados. Em dias em que a temperatura ultrapassa a faixa dos 25 graus, coloque um ventilador na frente da gaiola e evite maiores complicações .

Mantenha sempre limpo o pote de ração e água deve ser fresca. Existem pessoas que conseguem passear com as suas chinchilas pela rua. Isso só é possível com o auxílio de uma guia, para evitar que fuja ou seja atropelado por um veículo.

Gostou de conhecer a Chinchila? Exótico ou não, todos os animais encontram o seu dono ideal e merecem amor, respeito e confiança sempre. Portanto, não deixe de levar o seu animal ao veterinário!

Até a próxima coluna!!


Quero comprar um pet mas... Porque não adotar?

Por Mila Godoy

Recentemente, depois de 2 anos desde que perdi o meu labrador, decidi que era hora de colocar mais um cão em minha vida. Então, diante do meu perfil e do tipo de animal que procuro, optei pela Raça Golden Retrivier. Como veterinária, sei quais são os critérios para se procurar um canil e lá fui eu perguntar para uns conhecidos sobre quais canis da raça poderiam me indicar na região.

E aí me vieram um mar de perguntas: - mas, nossa, você é veterinária, vai comprar um cão? Porque não adota? Percebi que não era a única. Muita gente, quando opta por comprar um animalzinho passa por essas e outras. Como se fosse crime optar por ter um cão ou um gato de raça.

Vamos por partes. Sim, o número de animais abandonados é alto. Todo mundo que está nesse meio sabe que o número de cães e gatos na rua aumenta e a maioria é de vira- latas. E não é segredo que o número de adoções é baixo e não é proporcional ao número de animais. A conta nunca fecha: o número que entra num canil é bem maior do que sai.

O problema é que grande parte dos futuros adotantes não enxerga os canis ou ONGS como lugares provisórios para cães e gatos em situação de risco. Infelizmente, tem muita gente que enxerga isso como um depósito de animais e como um lugar para se obter um cão ou gato de raça de graça. Esses últimos são para mim o pior tipo: chegam no canil com a frase pronta:

- "Oi, eu quero um poodle, você tem?" (substitua isso por Yorkshire, shitzu, Rotwailler, Pit bull, etc) e se decepciona quando ao olhar os cães e gatos disponíveis para adoção são vira latas. Claro que numa tentativa de não ficar feio acaba levando um animal. Alguns pra fazer pose, outros pra tentar se convencer de que vai gostar do cão, e, outros ainda acabam ficando com o animal, nem sei por qual razão...

Mas dessas que levam o animal querendo inicialmente outro, após um período, que pode variar de 1 semana ou até mais, acabam retornando com o animal ao local e pedindo pra aceitar de volta. Isso é muito doloroso para o animal e eu já presenciei várias vezes. Muitas vezes, ele já sofreu, está criando confiança na família e esta que deveria o acolher, o entrega de volta porque não tem o perfil da raça que queriam, e, novamente o abandona.

Mas esse adotante não acha que abandonou, acha que fez o bem entregando o animal a uma instituição que na cabeça dele não tem mais do que a obrigação em cuidar. A verdade é que esse tipo sempre quis um animal de raça mas não quer pagar os custos de se adquirir um. E quem começa assim ao adquirir um animal não é um bom tutor. Com certeza não vai querer pagar os custos quando ficar doente, não vai pagar vacina e por ai vai... Isso ficou bem claro quando a Luiza Mel fez um ação em que recolheu mais de 30 animais de raça num canil ilegal que foi amplamente divulgado pela mídia: uma fila de futuros adotantes de virar a esquina, mesmo antes dos animais chegarem ao local, cujo canil antes só tinha animais vira-latas para adoção e nunca tinham recebido esse número de interessados. Acho que muita gente não imagina esse lado da adoção, mas ele infelizmente existe!

Criação de cães e gatos de raça não é errado!

Não é crime! E o comprador não deixa de ser um bom dono quando compra um. Errado é a criação de fundo de quintal. Essa sim tem de ser combatida. É aquela criação feita sem acompanhamento veterinário, onde as pessoas cruzam os animais 'a torto e a direito' e deixam em condições insalubres. Normalmente, começam com alguém que comprou um cão de raça, viu o quanto pagou, e acha que pode fazer disso um meio de ganhar direito rápido e sem gastar muito. E ai começa a cortar custo de veterinário, custo de ração, diminuir o espaço, aumentar o número de animais, não poupam as fêmeas, tudo isso pra ter um monte de filhote pra vender e ganhar dinheiro. Ultimamente, nem isso mais fazem. Está crescendo o roubo de animais de raça nas grandes cidades com o objetivo de iniciar uma criação ou mesmo vender a quem queira por um preço baixo.

Existem bons criadores de raça no segmento pet. Sim,tem muita gente boa e com critérios bem definidos pro futuro comprador. Eu achei vários que atendiam somente as especificações de criação de veterinários com acompanhamento veterinário integral, com ninhadas programadas, com a saúde das matrizes atestadas e sempre com disponibilidade de visitas ao local pro futuro comprador ver que não é fundo de quintal. Mas todos os filhotes tinham o preço de acordo com a estrutura oferecida. E nenhum deles tinha como principal ganho da empresa a criação dos animais. Quem deseja adquirir um animal de raça tem que procurar boas indicações para que ao comprar o animal não esteja contribuindo pra essa péssima indústria da criação de fundo de quintal (e isso é difícil, porque eu mesma quase fui enganada).

Mas não tem nada de errado em adquirir um animal de raça, desde que você esteja disposto a arcar com os custos em adquirir um!

Errado é procurar em ONGS e canis municipais esse tipo de animal numa tentativa de conseguir de graça. Errado é adotar só pra fazer pose. Errado é querer comprar um animal de raça baratinho e achar um absurdo o preço cobrado pelo outro criador (quando é muito barato um filhote, desconfie). Errado é não lembrar que independente de se adotar ou comprar existe uma vida que merece cuidado e respeito e que não deve ser descartado como se fosse um objeto.

Então se quer ter um animal de estimação, não há problemas em querer comprar. Se você deseja adotar um, ótimo, estará dando uma nova chance a quem já tanto sofreu. Se você já adotou, não critique quem quer comprar: ele só está iniciando a família dele de outra forma.

O importante é dar amor, carinho e saúde ao seu futuro pet. Seja lá qual caminho você optar!

Até a próxima!

Pet Dúvidas

Até nossos pets entram na Campanha Outubro Rosa
Prevenção ao câncer de mama em cadelas e gatas

Por Mila Godoy

Iniciou outubro, e com ele a Campanha Outubro Rosa em que se chama a atenção das mulheres em realizar o auto-exame, como forma de prevenção ao aparecimento do câncer de mama. O outubro rosa também existe para pets, e com o mesmo objetivo: prevenir o aparecimento do câncer de mama em cadelas e gatas, pois quanto mais rápido o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento e a longevidade do animal aumenta.

No Brasil não se sabe o número correto desse câncer nos animais, pois não há um Registro Nacional deste tipo de diagnóstico para pets. Mas, o que se verifica na rotina de muitas clínicas veterinárias no Brasil, esse tipo de câncer é um dos cinco mais frequentes. E porque isso acontece? Porque muita gente ainda não castra a sua fêmea. E as desculpas são várias: eu quero dar uma cria antes de castrar, eu não tenho dinheiro, eu não acho legal castrar fêmea, eu uso anticoncepcional, eu estou desempregado, eu tenho outras preocupações agora...

E assim o tempo passa a cadela ou a gata envelhece, e, aí, o câncer aparece!

A castração ainda é uma forma eficaz na prevenção deste tipo de câncer nos animais. Estudos indicam que fêmeas castradas antes do primeiro cio, tem menos de 1% de chance de desenvolver câncer de mama. Bem naquela época dos 6 a 7 meses, que é quando surgem as desculpas.

Além disso, existem raças que apresentam maior predisposição para apresentar o problema, como poodle, labrador, golden, dogue alemão, cocker, rottwailler, entre outras, o que faz a doença aparecer até mesmo mais precocemente.

E porque castrar faz tanta diferença na prevenção? Porque esse tipo de tumor responde a hormônios e ao período que o organismo é exposto (exigido), pois esses mesmos hormônios são responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais.

E quanto mais tardia a castração, mais complicado é o procedimento, lembra? Já falamos sobre isso, mas não custa recordar: exames periódicos, anestesia específica, risco anestésico elevado, recuperação mais demorada. E aí desistem do procedimento, e quando vemos o animal está com um tumor de mama que precisa ser operado, quando tudo complica ainda mais!

Mas o que causa o câncer de Mama nas fêmeas? É só porque não castra?

Não, não é. Esse é um dos principais fatores, porém o câncer é uma doença multifatorial, isto é, em que vários fatores podem estar envolvidos no surgimento dessa doença. Como já foi dito, existem raças que são mais predispostas, fatores como poluição, tipo de alimentação, uso de anticoncepcional (sendo que esse aumenta ainda mais a ocorrência desse tipo de tumor), histórico familiar do animal, sedentarismo, obesidade, entre outros.

E porque esse câncer causa tanta preocupação? Muitos tutores só vão procurar auxílio veterinário quando o tumor está muito grande, o que torna a recuperação mais difícil e dolorosa pro animal. Não é uma cirurgia de recuperação fácil. Além disso, esse tipo de câncer é altamente metastático, isto é, se espalha com facilidade para outros órgãos, principalmente para pulmão, fígado e rim. Quando muitos proprietários procuram, enfim, ajuda com um veterinário porém o câncer já atingiu outros órgãos e tem de lidar com um prognóstico difícil.

Cuidados - Prevenção ainda é a melhor forma para evitar o aparecimento desse tipo de tumor, portanto, sem desespero! O outubro rosa está aí para lembrar aos tutores que cadelas e gatas podem ter esse tipo de câncer. A melhor forma ainda é a realização da cirurgia de castração e que deve ser feita o mais cedo possível.

Visitas constantes ao veterinário também são importantes. Sabe aquela visita pra vacina? Não, o veterinário não só vacina. Ele verifica a saúde do seu animal, e com certeza estará atento, fazendo o exame clínico.

Você também pode ajudar o seu pet. Cadelas e gatas não fazem autoexame, mas o proprietário, pode sim dar uma ajudinha, que cumpre esse papel. Como? Ao fazer carinho no seu animal, verifique se há algum nódulo ou bolinha nas mamas. Notando qualquer tipo de diferença, leve ao veterinário imediatamente.

Fique de olho em feridas que não se cicatrizam, dificuldades em mastigar ou engolir, cheiros incomuns, mudanças nas fezes, dificuldade em urinar. Sempre que qualquer sintoma diferente leve o seu animal ao veterinário. Não fique procurando desculpas.

A partir dos 5 anos, os animais estão ficando velhinhos. Sim, eu sei que é difícil entender isso, mas é a hora que os órgãos já começam a apresentar algum problema. Por isso, a partir dessa idade, faça visitas constantes ao veterinário para acompanhar a saúde do seu animal, e realizar exames de rotina. Eles são importantes para o diagnóstico precoce da doença.

Então participe do outubro rosa. Lembre-se que seu carinho pode ajudar a diagnosticar a doença mais cedo! Até a próxima!

Pet Dúvidas


A Síndrome de Burnout que atinge Médicos Veterinários

Por Mila Godoy

Vamos dar uma pausa no tema pet e falar de um assunto bem importante, mas pouco discutido. Setembro é o mês amarelo, símbolo de uma campanha iniciada em 2015, para prevenção ao suicídio. E porque estamos falando disso? Porque não podemos ser omissos e uma das profissões com maior taxa de suicídio é a medicina veterinária. Aposto que você não sabia disso!

Mas sim, essa é a realidade! Segundo uma pesquisa realizada na Inglaterra, essa é uma das profissões onde se tem quatro vezes mais chances de suicídio em relação à população em geral, e o dobro de chances se comparado a outros profissionais da saúde. Muitos colegas meus, conhecem pessoas próximas que se mataram. Eu mesma, cada vez mais ouço notícias de um veterinário que se matou. Gente que parecia estar bem, mas no outro dia tira a vida. E parece tão absurdo, tão fora da realidade. Mas acontece! E assusta saber que a família, muitas vezes, não reconheceu os sintomas da depressão e do esgotamento profissional.

Veterinário tem os mesmos custos que um médico, mas não recebe igual...

Muitos são bem sucedidos em suas carreiras, com currículos maravilhosos, mas estão vivendo os desafios da profissão, tentando ser bem sucedidos e desesperadamente acabar com a dor.

Uma das principais causas é a frustração com a remuneração, principalmente, entre aqueles que trabalham com a clínica de pequenos de animais. Pode parecer algo improvável, mas veterinário não recebe igual médico, porém possui custos semelhantes a um.

A remuneração entre clínicos de pequenos animais é bem abaixo da média. Não somente pelos custos envolvidos na manutenção da clínica, mas também pela falta de pagamentos e concorrência. Além disso, a pressão para que se acerte, salve vidas, ajude, pois ama os animais (não é assim que muita gente diz?) cria uma cultura, uma obrigação social como se ele não precise sobreviver de sua formação.

O calote após ter tentado ajudar um animal de pessoas sem condições, leva o profissional ao esgotamento pro situações de abusos desse tipo. E na tentativa de ganhar um dinheiro, a profissional cobra (sim gente, veterinário paga conta como todo mundo, não dá pra viver e pagar conta por amor) e, geralmente, escuta coisas como: mas você não fez veterinária por amor? Como tem coragem de cobrar?

Síndrome de Burnout

Difícil ser clínico de pequenos no mercado de hoje. Você luta para salvar vidas mas também para sobreviver. O estresse comum, somado ao cansaço físico e emocional, pode levar o profissional a desenvolver a Síndrome de Burnout, outra causa associada ao suicídio.

Nessa síndrome, o profissional desenvolve uma depressão ocasionada pelas más condições de trabalho e pelo desgaste físico e psicológico. E como o dono de uma clínica veterinária pode desenvolver isso?

Afinal, são só cachorros e gatos fofinhos não é mesmo? Sim, aparecem muitos cachorros e gatos fofinhos. Mas a grande maioria vem acompanhada de uma pessoa que não acordou de bom humor e desconta no profissional a sua frustração, também não paga a consulta, cobra solução mágica, desfaz do serviço do veterinário ao dizer que é um absurdo pagar por aquele preço sendo que fulano cobra tanto... Também sempre tem um que grita horrores, ameaça matar e processar porque o veterinário não quis fazer o atendimento já que ele não tinha dinheiro, e onde já se viu o veterinário não atender de graça? Não fez o juramento?

Por essas e outras, que muitos sucumbem e acabam afundando na dor. Piora ainda o quadro se a pessoa tiver uma depressão, ansiedade ou um transtorno bipolar. O problema é que o veterinário não percebe o problema e não procura ajuda. É sempre a desculpa do horário de trabalho, do cansaço pós cirurgia, é o stress da calúnia e difamação que algum tutor colocou nas redes sociais, é a pressão para pagar os boletos da clinica e dos fornecedores. São os finais de semana perdidos para trabalhar, e também noites perdidas em atendimentos para tentar botar as contas no lugar. São muitos os fatores estressantes e pouca compreensão, empatia.

Por isso, é importante levar essa informação entre estudantes e profissionais, para que eles reflitam sobre o que os leva a ir trabalhar; e, a saber, quando procurar ajuda. Pois depressão tem tratamento, e muitos não sabem onde procurar auxílio. Infelizmente, no meio de tudo isso, muitos optam pelo suicídio.

E como você pode ajudar, sendo um tutor de um pet?

Seja educado, pague a sua consulta e procedimentos, e nunca questione preços e valores. Procure escutar o que o veterinário lhe diz. Mas principalmente, lembre-se que por pior que seja seu dia, o outro pode estar passando por um grande sofrimento e qualquer palavra dita de maneira errada pode ocasionar mais problemas. Respeite o profissional sempre! Você não sabe das lutas diárias da pessoa...

Então, respeito sempre!! Até a próxima!!


MEU PET É UM SPHYNX

Por Mila Godoy

Na última coluna conhecemos uma das raças mais populares de cães no Brasil, o Shi Ttzu. Na coluna dessa semana, vamos conhecer uma raça bem diferente de gatos, o Sphynx. Esta raça ficou bem conhecida por causa do filme Austin Powers, em que um dos personagens, o vilão, possui um exemplar dessa raça como pet. Ela também teve uma breve aparição num episódio da série Friends, em que a personagem Rachel adquire uma fêmea dessa raça.

Diferente no nome e no visual, o Sphynx chama atenção por uma característica bem marcante: não possui pelos, sendo conhecido como gato pelado. 

Na verdade, ele possui uma leve penugem na parte de trás da orelha e no nariz. Por não ter pelos, o visual é de um gato enrugado. E por isso muita gente fica pensando como é a sensação de acariciar um Sphynx. 

Bom, a sensação é de você estar passando a mão num camurça. Sei como é, pois quando fui numa exposição para gatos, foi a primeira coisa que pedi para fazer quando vi esta raça. E fui atendida de muito bom grado pelo criador dessa raça.

Geralmente essa raça não possui bigodes, mas se os tem, são pequenos e curtos. O gato é pelado mesmo gente! E tem de tudo quanto é cor e padrão.

Como é que surgiu essa raça?

Bom, sabe-se que ela teve origem no Canadá. Se você olhar este gato, verá que o rosto dele lembra muito um siamês. Conta-se que em Paris, já havia relatos de uma cruza de 2 siameses geraram uma ninhada de gatos sem pelo, algo que não se repetiu nas ninhadas seguintes. Mas foi em 1966, no Canadá, que 2 gatinhos um branco e outro preto, se cruzaram e geraram 3 exemplares sem pelos. Como eles lembravam muito a antiga escultura egípcia de mesmo nome, SPHYNX, foram assim chamados. Com o passar dos anos, com cruzas naturais, essa característica foi aprimorada e assim surgiu a raça .

Quando se olha esse gato tem muita gente que fala: eu não teria um gato assim!! Sim, mas tem outros muitos que gostam justamente das características dessa raça. Até porque o Sphynx apesar de ter uma aparência bem peculiar, ele é um gato como outro qualquer: amoroso e fiel a família. Adora brincar, se esconder, escalar, e é ideal para apartamentos. Emite um miado mais longo quando deixado sozinho muito tempo, ou, mesmo, para saudar o dono. É um gato que se dá muito bem com crianças, mas com outros gatos nem tanto. Ele prefere ser filho único!

Alías essa raça torna-se uma opção para quem tem alergia a pelo de gato, já que este não tem pelo. Uma solução para  quem quer ter um bichinho e não pode. Porém, isto deve ser bem estudado. Mesmo sem pelo, esse animal pode fazer mal a pessoas alérgicas, pois a alergia muitas vezes está ligada á uma proteína presente na saliva e nas glândulas sebáceas, o que pode também provocar reações alérgicas.

Mas por ser peladinho, a atenção com a pele deve ser redobrada: como ele não tem pelos, a pele tem uma oleosidade maior, o que exige uma maior frequência de banhos para evitar problemas de pele. A pele deve ser bem seca, principalmente, nas rugas, com auxílio de gaze ou mesmo cotonete. Se essa região não for bem seca é possível que apareçam infecções e até fungos.

Nessa raça é bom evitar a exposição solar, e por isso, como todo gato eles adoram ficar no sol. Eles podem, desde que se passe um protetor solar antes para animais. Sim, existe esses produtos para pets! Nos dias mais frios, o ideal é colocar uma roupinha de frio e evitar que o gato fique longos períodos no ambiente externo, pois ele sente muito frio mesmo!

Cuidado com galhos e pontas, pois esse gato se machuca com facilidade. Ele escala como qualquer outro da espécie, porém, por não ter a proteção do pelo possui maior facilidade para se machucar.

Gostou de conhecer essa raça? Aposto que não sabia que ela era tão peculiar. Independente da raça, o importante é curtir o seu pet! Até a próxima.


MEU PET É UM SHI TZU

Por Mila Godoy

Na coluna de hoje vamos conhecer uma das raças mais populares no Brasil. Tanto cães e gatos possuem diversas raças, com características próprias e personalidades variadas. Cabe ao futuro proprietário, que deseje ter um animal de raça, escolher aquela que mais combine com sua realidade, estilo de vida e personalidade. Uma das raças mais famosas e populares entre os brasileiros atualmente é o Shi Tzu.

Essa raça é de origem chinesa, e supõe-se que inicialmente foi criada a partir da cruza de um lhasa-apso (o cão sagrado do Tibet, que havia sido dado de presente pelo Dalai lama aos imperadores), com pequinês nativo da China. Por isso muita gente ainda confunde este cão com um da raça lhasa apso.

O Shi Tzu foi durante muito tempo a raça preferida dos Imperadores, sendo isso em várias tapeçarias e quadros antigos da época, em que o cão dessa raça aparece. Por isso, durante muito tempo, houve restrição para saída de cãezinhos dessa raça da china para outras regiões, sendo que poucos eram levados a exportação. Mas apesar dessa dificuldade, a raça foi trazida para a europa, onde se adaptou muito bem, e, finalmente, foram levados aos EUA, onde se popularizou e foi reconhecida como raça.

O Shi Tzu é bastante popular pois é uma adorável bola de pelo fofa, com personalidade dócil, porte pequeno, afetuoso e brincalhão, logo essa raça encanta com o olhar.

Os olhos são proeminentes, e o focinho é pequeno e achatado, o que faz ser enquadrado no tipo conhecido como braquicefálicos. Esse tipo de raça, onde também aparecem o pug, o boxer, dentre outros necessitam de atenção especial ao proprietário: olhos proeminentes faz com que eles sejam mais sujeitos a acidente com o globo ocular, onde o olho literalmente cai. E isso pode acontecer em pancadas bobas ou ainda simplesmente no stress do animal latir, já que seu globo aumenta de tamanho, o que leva então a sua protusão. Em épocas de calor, o animal sente mais dificuldade de respirar, além de ser mais sujeito a problemas respiratórios. Por isso o exercício intenso deve ser evitado no calor e no frio extremo.

Esta raça não liga muito para exercícios físicos, e se adapta facilmente a ambientes pequenos, como apartamentos. Eles adoram serem pegos no colo e se apegam muito rápido a família que o adota. Por isso muito comum os donos dessas raças notarem que ele fica deprimido quando sai para trabalhar. Sim, ele fica mesmo triste pela ausência do seu dono. São muito apegados e não sabem ficar sozinhos muito tempo. São teimosos , por isso tem que ser adestrados bem cedo para que entendam logo a hierarquia da raça e os comandos. Eles adoram crianças e são uma ótima escolha para quem tem criança . Porém atenção: são cães frágeis, por isso lembre-se sempre de ensinar as crianças a como pegar o cão sem o machucar. Algumas crianças quando pegam no colo dão um abraço excessivamente apertado tipo a famosa personagem Felicia), que pode machucar o animal.

Por serem peludos, necessitam de banho e tosa semanais. Nada de pensar em economizar e dar banho em casa. O pelo é volumoso e fino e tende a embolar rapidamente, formando nós. Muitos proprietários tentam tirar por conta própria o nó dos pelos achando que é uma coisa boba e que não é necessário pagar pra isso. Não faça isso pois isso realmente é doloroso e o animal pode pegar trauma, inclusive não permitindo banhos. Então, invista num bom pet shop e terá sempre um cão bonito e sem dores. Além disso, se você tem essa raça, compre uma escova e escove o seu animal diariamente para evitar a formação de nós e retirar os pelos que estão caindo. Cabelo comprido é difícil gente!!

Outra questão sempre importante, tenha um bom acompanhamento veterinário e mantenha as vacinas em dia. Um animal dessa raça bem cuidado pode viver em média de 12 a 17 anos.

Ah sim, essa raça late bastante, pois está sempre alerta e disposto a avisar o seu dono de qualquer descoberta e late mesmo quando sozinho. Por isso se você mora em condomínio e mora sozinho, esta raça não é uma boa opção. Claro que tem alguns se adaptam, mas lembre-se que no condomínio ou prédio podem morar pessoas que não são tão chegadas a animais, e qualquer assunto virar um problema.

Espero que tenha gostado de conhecer essa raça. Se você já tem um desses, viu se está cuidando direitinho? E você qual raça quer conhecer? Só mandar uma mensagem pra nós que vamos ajudar!

Até a próxima!!


Meu pet tem carrapato: e agora?

Por Mila Godoy

É sempre assim: tempo seco vai chegando e a temperatura aumentando, você sai para dar uma volta com o seu cachorro, e dias depois, lá está a casinha dele, ou ele mesmo lotado de carrapato.

Rola aquelas dúvidas e desespero... Mas de onde eles vieram? Aqui não tem mato! Como pode ter aparecido isso? Inconformado e consternado, você então vê que seu cão está, agora, cheio de carrapatos! Alguns grandes, outros menores ainda, e você luta em vão tirando todos eles. Se for muito azarado, vai ver que outros menores ainda estão pelo quintal, muros e ainda dentro da casinha do cachorro. O que fazer?

Se você viveu ou está passando por essa situação acima, significa que você descuidou em algum momento do controle de carrapatos. Se você não está passando por isso, e já assustou com o quadro, hora de manter o controle ou descobrir como aprimorar.

O cenário descrito no início, faz parte do cotidiano de muita gente, ainda mais nessa época, em que o tempo está seco e a temperatura um pouco alta. Basta uma fêmea do carrapato para que ele se prolifere rapidamente e a dor de cabeça se torne ainda maior. Por isso, é que todo veterinário diz para controlar pulga e carrapato. Fica uma situação descontrolada, muitas vezes!

Os carrapatos, além de serem causadores de desconforto e incômodo nos animais, podem ser carreadores de uma parasita que causa a conhecida e temida Doença do Carrapato. Como eles tem facilidade para se reproduzir e se espalhar, o controle é difícil mesmo, e pra piorar, muitos desenvolveram resistência a vários produtos carrapaticidas bons.

Mas aonde estão esses temidos insetos?

Normalmente, estão em frestas de pisos e paredes, forros de canis, debaixo de móveis e outros locais. Se você observar bem, vai reparar que as maiores infestações de carrapatos acontecem em cachorros. Gatos também podem pegar carrapato, mas isso acontece bem menos, pois muito são domiciliados e pouco saem na rua, o que diminui a possibilidade de contato. Além disso o hábito de se lamber constantemente, evita que se apresente uma alta carga desse parasita.

Como evitar o parasita?

Conhecer o ciclo do carrapato é uma arma importante para controlar o carrapato. O parasita é minúsculo, com milimetros no tamanho e possuem cor marrom- avermelhada ou ainda marrom escuro. As fêmeas botam os seus ovos em frestas, pisos e paredes, e outros locais quentinhos e escuros, que são ambientes perfeitos para os seus ovos. Assim que faz a postura, ela vai para o alto de paredes e muros e busca um hospedeiro para fixar-se. No início, ela é pouco visível, mas logo, com o passar do tempo ela fica cada vez maior por estar sugando o sangue do animal. Quando os ovos eclodem, em cerca de 4 dias, recomeça o processo novamente,e faz surgir mais ninfas do parasitas, que irritam donos e pets. Pra piorar a situação, ovo é bem resistente e pode durar até 600 dias no ambiente mesmo se não tiver um animal no local.

O carrapato é resistente em todos os seus estágios de vida por isso torna é bem difícil o controle. É importante você compreender isso, antes de brigar com o veterinário e questionar porque o carrapaticida não está fazendo efeito. Não existe solução mágica. O controle desse parasita tem que ser feito o ano todo, e o problema não é somente no animal, mas sim no ambiente que ele circula.

Geralmente, ambientes com ovos e carrapatos escondidos só estão aguardando o pet mais próximo, sua ação será grudar no animal para se alimentar. A proliferação é comum após passeios, idas em parques ou áreas de gramado....

Um combate eficaz são aplicações mensais de antipulgas e carrapacitidas do tipo pour-on no animal. Várias marcas oferecem uma infinidade de opções. Não economize nesse momento. È preciso investir nesses produtos - que são sim de valor mais elevado - mas, que são realmente eficientes. São anos de pesquisa da indústria animal, atenta para o problema para obter um veneno que ataque o parasita sem prejudicar o seu bichinho. Então, sim os custos são altos!

Também não medique o animal, utilizando de dicas de internet para o uso específico de um produto no animal, pois alguns desses carrapaticidas podem ser letais para gatos e outras raças de cães. Nem todos podem usar o mesmo produto!

Além disso, a maioria desses produtos não possuem um poder repelente. Então, atente-se que a doença do Carrapato pode aparecer sim, mesmo com o uso desses produtos. Isso porque o carrapato pica o animal e suga o sangue, e ao entrar em contato com o veneno do carrapaticida morre. Mas se ele tiver infectado com a bactéria causadora da doença do carrapato, ela vai se instalar. E basta somente um para isso acontecer.

Não busque soluções caseiras como vinagre com sal, ou outra receita que a internet possa oferecer. Os produtos carrapaticidas disponíveis no mercado são eficientes. O que acontece é que a maioria das pessoas só trata do animal e não o ambiente. A indústria veterinária, criou inclusive, recentemente, um comprimido que é eficaz no controle do carrapato. É de custo mais elevado do que o tipo pour-on, porém como já foi dito, tem apresentado excelentes resultados.

Como controlar o ambiente?


Agora que você já aprendeu como controlar no animal, deve estar querendo saber como controlar o ambiente. O ambiente precisa ser tratado, mas precisa ser conhecido. Um veterinário pode avaliar o local e dizer qual o melhor produto para o seu problema. O mesmo vale para empresas dedetizadoras, que inclusive fazem o tratamento do local escolhido para esse parasita. A consulta deve ser prioridade para aqueles locais em que possuem alta infestação do carrapato. Se o problema é grande, não tente lutar sozinho. Esses parasitas são espertos e já criaram resistência a muitos produtos bons no mercado justamente pelo uso descontrolado e sem consulta prévia a esses profissionais. E existem poucos produtos eficazes no combate do carrapato no ambiente.

Lembre-se de consultar um veterinário antes de sair aplicando o produto do ambiente. Na internet você acha vários, porém eles podem ser tóxicos ao animal e à você, tanto no preparo quanto na aplicação. Os animais só podem ser expostos ao ambiente tratado somente após quando ele estiver seco e sem cheiro, pois podem sofrer intoxicação por inalação.

Outra atitude que ajuda é antes de lavar o local, aspirar o ambiente pois ajuda na retirada mecânica de ovos e ninfas. Aspirar 2 vezes na semana ajuda muito no controle. Em seguida, lave com alvejantes e somente após isso, e com o local seco, deve-se fazer a aplicação do produto indicado.

Complicado, não é? Piora, quando o problema se instala nesse tempo seco e quente. Então, se não quer esse presente para você, lembre-se de manter em dia o controle de carrapatos!



"Agosto é o mês do Cachorro Louco!"

Você provavelmente já deve ter ouvido essa frase. Mas você sabe de onde vem essa expressão? Muito difundida aqui no Brasil, ela traz à lembrança para muitos que chegou a hora de vacinar o cachorro contra a Raiva.

Existem várias explicações sobre o surgimento dessa expressão, e a mais provável é de que seja um resquício da observação feita durante o cio dos cães, principalmente, durante o mês de agosto onde é maior a incidência solar, ou seja, a luminosidade aumenta e esta por sua vez possui grande influência no cio das cadelas.

Por conta disso, um maior número delas entra no cio ao mesmo tempo, e os cães machos saem em bandos à busca dessa fêmea pronta para acasalar. Antigamente, antes mesmo da vacina de Raiva ser criada, as pessoas observavam esse tipo de comportamento nos animais de rua, que eram um número muito maior do que hoje, e associavam as brigas pela disputa da cadela, e os uivos para atraí-las a sintomas parecidos de loucura. Diziam que os cães estavam loucos.

Isso também serviu de base para a pesquisa de Louis Pasteur sobre o vírus da Raiva. Foi observando esses mesmos cães de rua durante esse período, no mês de agosto que Pasteur conseguiu determinar a transmissão da doença e iniciou as suas pesquisas para combater o vírus e assim, produzir uma vacina contra a doença.

A raiva é uma doença que sempre causou medo nas pessoas. E pudera: a doença é quase 100% letal. Em mais de 100 anos de descoberta e a produção da vacina, existem apenas 3 ou 4 casos conhecidos de cura até o presente momento, e os médicos não sabem ao certo o que levou a cura dessas pessoas. Quando Pasteur criou a vacina contra a Raiva, a doença matava tanto os animais como pessoas e constatou que as pessoas contraiam a doença quando eram mordidas pelos animais com a raiva, e pensou: se eu vacinar os animais as pessoas não vão contrair a doença. E foi uma observação acertada, pois assim que ele verificou a eficácia do controle da doença nos animais, essa medida se tornou uma das ações mais importantes para o controle da transmissão. Tão importante que nós usamos essas vacinas até hoje. E mesmo passado tanto tempo, pouco se conseguiu mudar sobre a doença: ela ainda não tem cura para animais e grande parte dos humanos.

Por isso, grande parte das pessoas termina a frase dizendo: "é hora de vacinar o meu animal contra a Raiva." E por isso muitas campanhas de vacinação antirrábica dos municípios tem início nesse período.

A Raiva é uma doença que é transmitida para a maioria dos animais domésticos. Cães e gatos podem transmitir a doença a seus proprietários pela proximidade com seus tutores, através da saliva dos animais contaminados, geralmente após mordeduras. Como o principal sintoma no cão e no gato é a agressividade, por isso conhecida como doença do Cachorro Louco. Hoje em dia, devido a difusão da vacinação e campanhas, é difícil que cães e gatos contraiam a doença entre eles. O maior responsável pelo aparecimento da doença ainda é o morcego, que pode transmitir aos pets quando ocorre algum contato com essa espécie.

Por isso, sempre que um cachorro ou gato morde um morcego, lambe ou brinca, existe um protocolo diferenciado de vacinação e deve ser feita a observação do animal que entrou em contato com o morcego por 180 dias. Esse procedimento deve ser realizado por equipes capacitadas e treinadas, serviço realizado pelos Centros de Controle de Zoonoses das cidades que tem essa Unidade de Saúde. Se na sua cidade não tem essa unidade de Saúde, vá até ao veterinário e peça auxílio. Ele saberá como conduzir.

Em caso de acidente com cães e gatos, lave a ferida com água de sabão e procure a unidade de saúde mais próxima imediatamente. Quanto mais cedo procurar o auxílio, menos chance de se desenvolver a doença, caso o animal esteja contaminado. Além disso, o animal deve ser mantido em observação por 10 dias, procedimento este que deve ser feito pelo CCZ da cidade, ou pelo médico veterinário. Lembre-se que ser agressivo é só um dos sintomas, portanto, só um técnico treinado será capaz de verificar se o sintoma corresponde ou não a doença.

Felizmente as campanhas de vacinação antirrábica estão aí presentes nos municípios. Elas são organizadas pelas prefeituras e o aumento da conscientização , as pessoas tem vacinado seus animais tanto em clínicas veterinárias e campanhas, o que tem mantido a doença sobre controle em alguns Estados. E apesar disso, nos últimos meses tem surgido noticias na internet de pessoas que morreram contaminadas pelo Vírus. A maioria dos casos causada por animais que anteriormente haviam sido contaminados pelo morcego, e que foi agravado porque a pessoa não foi ao posto de saúde para informar o acidente, só indo quando os sintomas da doença já haviam aparecido. E uma vez que isso acontece, não tem mais volta. Mas não vamos culpar somente os morcegos e nem sair à caça deles. Esses mamíferos tem seu importante papel no meio ambiente.

A dica mais importante é lembrar-se de sempre tomar cuidado quando for socorrer animais doentes e em situação de risco, como atropelados na rua. Isso porque por medo e por dor o animal pode morder, e às vezes pode estar contaminado com a doença. Se o animal morder, lamber ou arranhar, logo após o resgate, procure uma unidade de saúde mais próxima e consulte um médico.

Não se esqueça então de manter a carteirinha de vacinação em dia do seu animal! Seu pet é seu amigo e ele só tem que ficar louco de amores por você! Até a próxima!

Foto: Divulgação Prefeitura Itaí


MEU PET É UM COELHO

Por Mila Godoy

Muita gente tem como pet cachorro e gato. Sim, mas a gente não pode esquecer que existem animais que também são pets e estão cada vez mais presentes na rotina clínica veterinária: como coelhos, hamsters, furões, etc. O tema dessa semana é sugestão da parceia e colunista Rute Góes e seus filhos. Eles ganharam um coelho e não sabem dizer se é macho ou fêmea. Fizeram até uns stories pedindo isso, rsrsrsrs.

Adoráveis, fofos, e inteligentes os coelhos cativam cada vez mais pessoas, principalmente as crianças. Quando se adota um coelho, uma vez com o animal em casa, é hora de pensar em como cuidar dele. Aqui vão algumas dicas.

SEXO

A dúvida do saber qual o sexo do coelho é muito comum. É difícil, porque dependendo da idade em que o animal é adotado, pois os indicadores do sexo não são tão evidentes . Além disso, são animais nervosos e não gostam muito da manipulação. Mas se você tem um coelho, coloque ele no colo e vire de barriga pra cima. A partir dos 3 meses de idade, os testículos dos machos são visíveis, então se você os ver é bem provável que você tenha um macho. Mas em algumas ocasiões , ainda que raras, os testículos não descem, e só se visualize o pênis. Na dúvida, leve o animal ao veterinário e ele fará a identificação correta. Se optar por ter 2 coelhos, é imprescindível que essa identificação seja feita corretamente, ou você terá uma ninhada em breve em seu quintal, já que esse animal se reproduz muito rapidamente.

ALIMENTAÇÃO 

Coelhos são herbívoros. Existem rações específicas para a espécie, que devem ser fornecida ao animal. Não forneça a ração de chinchila, hamster, porquinho da índia entre outros pois elas não tem os nutrientes necessários para o animal. Além disso, você pode dar verduras no geral, pois eles adoram: feno, alfafa, rúcula, couve, ramagem de cenoura ou beterraba,almeirão, chicória, qualquer uma que tenha a cor verde escura. Não forneça temperos como salsinha, cebolinha, ou verduras claras como alface. Eles podem causar contispação no animal. Mas moderação na quantidade de verdura: quanto mais ele comer, mais forte o cheiro de urina terá. E não ofereça as verduras úmidas.

Agua sempre a vontade, e sempre verifique se o bebedouro e comedouro estão sempre limpos. Ninguém gosta de comer em lugares sujos né?

BRINCADEIRAS

Coelhos gostam de brincar sim, principalmente com objetos. Depende da personalidade do animal, alguns podem gostar de brincar de destruir objetos ou mesmo brincar de buscar objetos como a bolinha. Não coloque o seu cão ou gato para brincar com o coelho. Esta é um brincadeira que não é divertida para ele, já que ele é a presa em qualquer uma dessas situações, sendo divertida apenas para os predadores. Brincadeira é pra ser divertida e não um sofrimento, certo? Então, coelhos só podem brincar sozinhos ou com o seu dono. Os brinquedos para ele destruir são importantes, já que os dentes e unhas dos coelhos não param de crescer, e eles precisam desgatá-los roendo madeiras, ou desgastando no piso. Se o seu piso não oferece esse tipo de condição, leve ele ao veterinário para que ele possa aparar as unhas.

HIGIENE E SAÚDE

Muita gente não sabe mas os coelhos comem as próprias fezes. Sim, eles o fazem para repor a flora intestinal que vai embora junto com as fezes. Eles não possuem a enzima responsável pela digestão da celulose, então, quem faz essa digestão é a flora intestinal deles. Assim, eles repõem o que foi embora e também as vitaminas e aminoácidos que foram produzidos pela ação dessa flora intestinal.Isso não significa que eles comam as fezes espalhadas pelo chão da gaiola. Eles comem as fezes diretamente do ceco, portanto, ainda assim a higiene da gaiola deve ser feita , pois o coelho não deve entrar em contato com a urina e com as fezes. Se você usa jornal vai ter de trocar todo dia, se for a serragem própria, uma vez a cada 2 ou 3 dias.

A gaiola deve ser colocada num lugar arejado e com proteção de vento. Evite locais escuros e fechados. Ele também precisa ter vida. Ele não é um objeto a ser guardado. Também deve ter uma parte de madeira para que o coelho possa ficar deitado confortavelmente. O contato direto com a grade causa calos.

FORMA CORRETA DE SEGURAR UM COELHO

É gente , precisamos falar de como segurar o coelho corretamente. Nunca, jamais segure ele pelas orelhas e oriente as crianças a não fazerem. Também não o segure embaixo dos braços.Essas posições são dolorosas e desconfortáveis ao animal. Sempre que você o segura de maneira incorreta, ele fica nervoso, agitado e tenta morder. O jeito segurar é sempre oferecer um apoio completo ao animal ,com as 4 patas, de forma que ele possa ficar deitado e apoiar a barriga confortavelmente. Se ficar difícil visualizar isso, peça pra um veterinário demonstrar.

E SE MEU COELHO FICAR DOENTE?

Se o seu coelho não parece estar bem, leve ele imediatamente ao veterinário especializado em animais silvestres. Não espere ele melhorar sozinho porque isso não vai acontecer.

Bom espero ter ajudado com essas dicas. Cuide bem do seu coelhinho. Até a próxima!



CUIDADOS COM PETS NO INVERNO

Por Mila Godoy

O inverno começou no dia 21 de junho. Esse ano, o inverno no Brasil não está muito típico, com frio, inclusive está bem quente. Mas sempre surge uma frente fria, que surpreende todo mundo. Então não custa tomar alguns cuidados e preparar o seu pet para o frio.

PROTEÇÃO - Cães e gatos precisam ser protegidos do frio e vento. Para isso uma boa casinha, com um cobertor, num local coberto, costuma protegê-los bem. Alguns animais ficam ao relento no quintal e gostam disso. Então, uma boa opção é deixar uma casinha com cobertor para que ele entre caso sinta necessidade. Mas por estarem desacostumados talvez não a procurem. Então, o tutor pode colocá-lo num local fechado para proteger da chuva ou frio intenso. No caso de gatos, muitos preferem se aninhar na cama do dono, principalmente, nos dias mais frios, mas se esse não for o caso do seu gatinho, compre um arranhador com toca, para que ele possa ficar dentro e se aquecer do jeito que mais gosta.

Olhar atento em filhotes, e cães e gatos idosos. Filhotes ainda não tem um sistema imunológico maduro, e podem contrair com mais facilidade as doenças infecto contagiosas Os idosos perdem a capacidade de manter a temperatura corporal então sentem muito mais frio e podem inclusive morrer de hipotermia, portanto não devem ficar ao relento.

Não é porque são animais que devem suportar as alterações da natureza sem problemas, eles precisam de cuidados, senão morrem sim ao ficar expostos as mudanças da temperatura e até ao relento!

VACINAÇÃO - O tempo tá seco, com muita poeira e ventanias. Isso são condições ideiais pra problemas respiratórios aparecerem. No caso de gatos, aumenta as chances de aparecerem a Rinotraqueíte felina, pois é uma doença infecciosa transmitida por via área, hora de reforçar a quadrupla felina, ou ainda tomar a dose caso o animal não tenha tomado ainda.

No caso de cães, o tempo favorece a contaminação por cinomose, doença grave e infecto- contagiosa, já descrita em outras ocasiões. Hora de reforçar a vacina contra virose a V10 ou a V8, ou ainda dar a primeira dose, caso o animal nunca tenha tomado. Os cães também devem tomar a vacina de Traqueobronquite infecciosa canina, ou a tosse dos canis. È uma doença de transmissão rápida e que provoca uma tosse nos animais levando a outras complicações perigosas no caso de filhotes e idosos. Existe uma vacina específica para essa doença, com grande eficácia. Basta ir num veterinário de confiança que ele terá disponível para aplicação. Pneumonias são comuns aparecerem no inverno. Evite sair com o animal em dias muito frios e onde existam muitos animais aglomerados.

BANHO E TOSA - Se o seu animal faz exercícios regulares, já está acostumado a banhos, e não tem problemas de saúde, a rotina de tosa pode ser mantida. Mas na maioria dos animais, recomenda-se aproveitar a proteção natural e deixá-los com os pelos longos para ajudar na proteção do frio. Banhos em casa devem ser evitados, já que na maioria das vezes o tutor não tem condições de secar o animal, o que deixa ele vulnerável ao frio.

ESCOVAÇÃO - Essa é a época que eles mais soltam pelo e se lambem com mais frequência, principalmente os gatos. Hora de aumentar a frequência das escovações para que possa eliminar os excessos. Excesso de pelo pode causar a formação de uma bola de pelo no intestino, que leva ao quadro de constipação intestinal ou ainda obstrução intestinal, que pode levar ao óbito. Não custa então reforçar a escovação, não é? No caso de cães, a escovação previne a formação dos nós nos animais de pelo longo.

COMPORTAMENTO - No inverno a gente costuma se sentir com muito mais sono. Com os animais acontece o mesmo. É normal o seu cachorrinho e seu gatinho dormirem mais e ficarem mais quietinhos. Claro que todo bom dono deve ficar atento a uma mudança brusca de comportamento, mas nessa época, não se desespere se ver o seu pet mais dorminhoco.

EXERCÍCIOS - Nada mais gostoso do que acordar em pleno inverno e se exercitar, né? Então, não é muito comum esse gosto... Se nós não temos vontade de enfrentar o frio e o vento, os cães também não. Mas claro, a rotina de passeio deve ser mantida, então procure sair em um horário mais quentinho, com mais sol, e evite sair em dias de vento e frio intensos, a não ser que precise sair para fazer as necessidades. Nesses dias procure brincar com o seu animal em casa mesmo para estimulá-lo a gastar a energia acumulada.

BAIXA UMIDADE - Atenção proprietários de raças braquicefálicas: shi-tzu, boxer, buldogue inglês, buldogue francês e afins. Essa época o tempo fica seco e difícil de respirar, e essas raças que já tem um problema de respirar naturalmente, tendem a piorar. Então, lembre-se de levar o seu animalzinho para o veterinário, pois em alguns casos, é necessário fazer inalação para auxiliá-los a amenizar os efeitos do ar seco. O ar seco, assim como nós, provoca nos animais, espirros, coceira nos olhos, boca seca e desidratação. Fique de olho na ingestão de água do seu animal, principalmente dos idosos. Nessa época se nem a gente lembra de tomar água, com os animais acontece o mesmo, mas eles podem desidratar com mais facilidade. E qualquer sintoma de dificuldade respiratória ou outro problema deve ser levado a um veterinário de confiança para ajudar o seu animal.

COMIDA - Assim como nós os animais ficam mais comilões no inverno, e costumam comer mais ração. Porém, diminuem a quantidade de exercícios e podem engordar com facilidade. Então, evite dar petiscos em excesso nessa época e ofereça a quantidade diária de ração em um freqüência maior durante o dia, dividindo em 2 a 3 porções. Verifique com o seu veterinário qual a melhor freqüência para o seu animal.

CARRAPATOS - As chuvas param, os campos e pastagens ficam mais secos, o que é um ambiente perfeito para a proliferação de carrapatos e infestação, e, além do incômodo e da coceira, os carrapatos podem trazer doenças letais aos cães. Existem muitas opções no pet shop, como shampoos, sabonetes, loção, spray, coleiras, pour-on (que são aquelas pipetas que aplicam na nuca do animal) e comprimidos. Entre todas essas opções, considera-se as coleiras, sprays, pour-on e alguns comprimidos como os mais eficazes. No caso, entre esses dois últimos, verifique com o seu veterinário qual a escolha mais adequada para o seu animal, já que nem todo carrapaticida pode ser aplicado em todas as raças.

Agora você já sabe: as temperaturas diminuem e seus cuidados aumentam. Até a próxima!! 


FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS

Por Mila Godoy

A coluna dessa semana foi sugestão do leitor e amigo Ricardo Amorim. Assim como ele, muita gente quer saber se pode ou não dar frutas a cães e gatos, e quais delas podem ser dadas.

A dúvida surge porque muitos proprietários sabem que não podem dar comida a seus animais, pois ela engorda e pode até mesmo intoxicar. E quem resiste a carinha de um cão pidão ao seu lado? Dificil né? Aí, as pessoas fazem a associação: vou dar fruta! Não faz mal pra mim, o médico recomenda, portanto vou dar pro meu cachorro, e ele não vai fazer mal, certo? Em termos é a melhor resposta. Partindo do principio que frutas oferecem fibras e vitaminas sim eles podem ser dados, mas é necessário equilíbrio

A maioria dos felinos não se atrai por esse tipo de alimento, já que são carnívoros estritos. Porém os cães tem o metabolismo próximo dos humanos, e tem predileção por frutas. E aceitam sem o menor pudor. Sim, eles adoram receber esse tipo de alimento. E ele pode ser dado, mas com cautela, pois nem todas as frutas são indicadas.

Para animais com problemas prévios como cardíacos, diabéticos, problemas renais , problemas de fígado, o proprietário deve ter antes uma conversinha com o profissional que cuida dele para saber o que pode ou não ser dado. Cães não tem o mesmo limite que nós , então tudo o que o proprietário oferece, ele comerá sem limites.

Mas no geral , as frutas podem ser dadas, e para auxiliar na escolha segue as principais abaixo e o que se deve ter cuidado:

As que podemos evitar!

JABUTICABA- devem ser evitadas, porque quando eles comem, eles comem sem limite, o que pode provocar vômitos e mal estar. Além disso a casca e o caroço são problemáticos. O caroço pode parar no intestino e o animal parar de defecar, e ter uma obstrução, que somente poderá ser resolvida cirurgicamente, com risco de óbito ao animal. Portanto, evite dar essa fruta.

Frutas cítricas como LARANJA, MEXERICA, ABACAXI E MAMÃO, pois fazem mal ao estômago do bichinho e no caso do mamão solta o intestino.

As que podem ser oferecidas!

MAÇÃ E PERA - Pode ser oferecida sem problemas mas sem o talo.

GOIABA, FIGO,CAQUI, AMEIXA E AMORA - liberadas com moderação, claro, é um agrado não uma refeição!

BANANA- pode ser oferecida sem a casca.

MANGA- pode ser oferecida fatiada pois o caroço pode obstruir o intestino do animal se oferecida por inteiro.

Lembrar que existem animais com alergia alimentar. Isso pode acontecer tanto na ração, quanto nas frutas, portanto, aqueles que já possuem esse diagnóstico devem consultar um veterinário antes. E que a alergia pode aparecer comendo frutas também.

Nunca substitua a ração por frutas. A ração do animal deve ser a base de toda a dieta e as frutas como um agrado ao seu animal. Portanto, agora que você já sabe quais frutas pode dar, não se esqueça de oferecer com moderação!!


QUANDO UM CÃO OU GATO SE PERDE...

Por Mila Godoy

Todos os dias nas redes sociais a gente se depara com pessoas divulgando animais resgatados, tentando achar os seus prováveis donos, ou, ainda, um número maior de proprietários desesperados divulgando fotos de seus pets numa tentativa de encontrá-los.

Ninguém quer passar por isso, afinal, como dormir em paz sabendo que seu animal não está em sua casa? Que pode estar debaixo de chuva, passando frio, fome, sede, e correndo o risco de ser envenenado ou ser atropelado?

E as redes sociais e o número de animais encontrados perdidos ou achados em grande proporção demonstram que o número de donos que passam por essa situação aumenta a cada dia.

Situações corriqueiras que oferecem grande risco

Grande parte do problema nas fugas tanto do gato ou do cão é porque o dono não visualizou uma situação simples como potencial de risco. Exemplificando, um simples passeio com o seu cão pode virar uma dor de cabeça, caso ele esteja usando uma guia fraca ou uma coleira de tamanho inadequado para o seu porte. Então, quando ele encontra outro animal como um cão briguento, ou visualiza algo que lhe interesse, o tranco pode ser o suficiente para ela se romper, e o cão fugir em busca do seu alvo e nem sequer olhar pra trás. E lá fica o dono desesperado porque mesmo chamando o cão não retorna.

Outra situação que pode levar a fuga do animal: trovões em dias de chuva, ou fogos de artifício. Se o cão for assustado, o barulho pode fazer com o que animal fuja, ainda mais quando o muro do quintal onde ele está é baixo o suficiente para que ele consiga pular e ir para a rua. Outra situação são os famosos portões eletrônicos que muito facilitam o dia a dia de quem entra com o seu carro na casa. Numa chuva, ou queda de energia, o portão pode abrir espontaneamente e o cão ir embora.

Gatos são os que mais estão vulneráveis a se perderem. Isso porque muitos donos ainda insistem em acreditar que essa espécie deve ser criada para dar as suas voltinhas. Numa dessas voltinhas muitos acham normal o animal demorar 2, 3 dias pra voltar e não se preocupam com o mesmo. Apesar de gatos serem independentes e adorarem explorar o ambiente, eles não devem ser criados com esse hábito, e devem ser criados para evitar essas saidinhas. O mesmo vale para cães, pois muitos atraídos por uma fêmea no cio acabam por se perderem.

Esqueça a velha história de que o animal sabe voltar pra casa. Não sabem. Até tentam, isso é verdade. Entretanto, como muitas vezes se deslocam distraidamente, retomar as referências é demorado. E muitos donos deixam de procurar os seus animais contando com essa capacidade deixando-os vulneráveis.

O que fazer para encontrar seu pet?

O fato é que independente do que ocasionou a fuga, o dono quer o seu animal de volta. Após muito choro, é hora de tentar uma solução. O que fazer então? O primeiro passo no caso de gatos é procurar dentro da casa. Mas procurar bem mesmo. Isso porque essa espécie tem mania de escolher alguns cantos diferentes para dormir, explorar e muitas vezes não atendem ao chamado do dono, mesmo que esse pareça desesperado. Se não foi esse o caso, hora de partir para divulgação: coloque uma foto do seu pet, junto com um telefone para contato e o ultimo local em que foi visto nas redes sociais. Lembre-se de divulgar a foto em modo público e colocar junto a ONGs e protetoras, que podem vir a recolher o seu animal.

O velho método do cartaz com foto ainda funciona. Ainda tem muita gente que não tem rede social. Então, espalhe cartazes com fotos por todo o bairro, e em locais públicos também, onde o animal foi visto a última vez. Divulgue também em clínicas veterinárias para que caso eles recebam o seu animal eles possam entrar em contato.

Um cão pode andar até 15km logo na primeiras 24 horas após a fuga. Então, não hesite em verificar uma suspeita em locais distantes. Interaja com as pessoas do bairro para verificar o provável caminho que ele fez.

Fique de olho no celular! Nada pior que encontrar um animal e o dono não atender. Muitas vezes as pessoas não seguram o animal antes de contatar o dono. 99% das pessoas que acham o animal, ou o vê, comunicam o proprietário e não o mantém por perto. Quando finalmente o dono vai até o local, o animal já sumiu. Então tempo é tudo!

Infelizmente, corpos de animais mortos também entram nessa lista. È duro, mas tem que passar por esse processo para verificar se é, ou não, o animal fujão. È triste, e sinceramente espero que ninguém passe por isso, mas é necessário para checar o seguimento da busca.

Atualmente, existem empresas especializadas para busca de pets perdidos. Convém se tiver meios financeiros disponíveis, entrar em contato e verificar se vale a pena ou não o trabalho. Algumas tem tido bons resultados, outras o recomendado é checar as referências e os resultados antes de contratar.

Finalmente, caso o seu animal for encontrado, nada de punir ele!!

É hora de dar muito beijo e abraço e agradecer quem o ajudou a encontrá-lo. Também é hora de tomar atitudes para evitar esse problema de novo: verifique muros, portões, acesso do animal ao exterior. Providencie telas protetoras para evitar que o gato ou o cão saia da área em que pode ocorrer fuga.

Não deixe de adquirir um pingente ou coleira com identificação, com nome do animal, e telefone para contato, caso isso ocorra novamente. Existem microchips que garantem a identificação do animal e que devem ser aplicados em veterinários, onde em algumas cidades do país, tem-se tido resultado no reencontro. O microchip dura para uma vida inteira do animal e os seus dados são inseridos num banco de dados, que pode ser acessado via internet. Para que isso funcione, é necessário que o veterinário ou o abrigo de animais tenha um leitor de microchip. Em cidades onde esse sistema já foi implantado, o microchip tem tidos bons resultados.

Acima de tudo, desejo sinceramente que você nunca passe por isso, mas se isso acontecer que você reencontre o seu pet. Final feliz!


AS PLANTAS QUE SÃO TÓXICAS PARA CÃES E GATOS

Por Mila Godoy

Toda casa fica muito mais bonita com flores e plantas. E quem não gosta não é mesmo? Deixa o ambiente mais alegre e mais bonito. E na hora de ir na floricultura pra comprar o vasinho ou a flor, muita gente esquece que as plantas podem intoxicar o seu animal de estimação.

Isso porque a ideia de comermos planta é para nós algo fora da realidade, a não ser quando somos criança, isso pode acontecer. Mas cachorro e gato tem por hábito sair mordiscando uma plantinha por ai. "Muita gente sai dizendo: meu cachorro comeu uma graminha e logo vomitou", "meu gatinho vive mordiscando uma graminha". Sim, sem alarde. Os animais tem mesmo o hábito de comer plantas para tirar o enjoo quando algo não lhe faz bem. E isso não é errado e nem é sintoma de doença, tampouco de intoxicação. É simplesmente um dia que a ração não caiu legal e ele precisa aliviar de alguma forma.

Mas as vezes a planta escolhida para ele tentar se aliviar, ou por curiosidade mesmo, é uma planta tóxica. No geral animais adultos ficam longe de plantas tóxicas, mas por tédio e curiosidade a intoxicação pode acontecer.Em Filhotes a intoxicação acontece com mais frequência porque estes tem o hábito de conhecer tudo de novo pela boca, inclusive uma planta tóxica.

A intoxicação pode ser imediata em alguns casos. Mas em outros, dependendo do tipo da planta, ocorre ao longo do tempo, isto é, o animal tem que comer durante um certo tempo, e após um certo período a intoxicação se manifesta. E a maioria das plantas ornamentais acontece por esse último tipo de intoxicação, o que torna mais difícil ainda pro veterinário diagnosticar, pois o proprietário não sabe que a planta é toxica e não relata a ocorrência dessa planta ao médico.

ENTÃO QUAIS SÃO AS PLANTAS TÓXICAS?

As plantas mais comuns que se são toxicas aos cães e gatos são:

  • Antúrio 
  • Comigo-ninguém-pode
  • Copo-de-leite
  • Costela de adão
  • Espada de são Jorge
  • Jiboia
  • Azaleia
  • Espirradeira
  • Begônia
  • Babosa
  • Bico-de-papagaio
  • Coroa de cristo
  • Dama da noite
  • Hibisco
  • Hortênsia
  • Mamona
  • Samambaia
  • Tulipa

A maioria dessas plantas causa problemas digestivos, queimação na boca, lábios, dificuldade para engolir, irritação ocular. Algumas podem inclusive levar a lesões graves no coração.

E lembrando que algumas podem não estar no interior da sua casa, mas sim no seu jardim. Atenção redobrada ao deixá-los livres!

EU TENHO UMA DESSAS PLANTAS EM CASA. O QUE EU FAÇO?

Calma, sem desespero. Não precisa sair eliminando as plantinhas da sua casa. È só lembrar de colocar as plantas num lugar mais alto, onde o seu pet não tenha acesso, ou ainda colocar num lugar onde você saiba que ele não vai. Quando for comprar uma planta nova, vale também dar uma pesquisada e ver se ela é toxica para animais ou não, pois por curiosidade seu animalzinho pode ingeri-la.

MEU ANIMAL FICOU ESQUISITO DEPOIS DE COMER UM PLANTA. O QUE FAÇO?

Leve pro veterinário e relate imediatamente o ocorrido. Se não souber o nome da planta, leve uma amostra dela para o médico para que ele possa identificar o tipo de intoxicação e entrar com o tratamento correto. Quando não se sabe qual a planta causou a intoxicação, o tratamento é do tipo suporte, isto é, é apenas para minimizar e aliviar o seu animalzinho. Mas sua recuperação completa depende do quanto ele ingeriu e se intoxicou. E de esquisito aqui, pra não ficar preocupado a toa é: animal salivando excessivamente, vômito, tremores, convulsões, perda da coordenação motora, diarréia com sangue, entre outros.

EU GOSTO DESSAS PLANTAS!! TENHO QUE JOGÁ-LAS FORA AGORA QUE DESCOBRI QUE É TOXICA PRO MEU PET?

Não, você não precisa se desfazer de nenhum vaso. Reforço, apenas coloque num lugar mais alto, onde o seu pet não tenha como pegar. Vale suportes para vasos, prateleiras em paredes, ou até mesmo colocar em um móvel mais alto. Para gatos, claro é mais difícil, pois esta espécie é mais curiosa e adora escalar. Existe a opção das graminhas prontas para gatos, vasinhos prontos disponíveis em pet shop ou ainda as sementes para serem plantadas. Existe também sprays com gosto e repelentes de cheiro que podem ser borrifados na planta, e que levam os animais a se manterem afastados delas.

Alternativa é sempre entreter o seu animal, com exercícios físicos e passeios, e brinquedos, pois normalmente é o tédio que leva o animal a se aventurar para novas descobertas nem sempre seguras.

Portanto, fica a dica: próxima ida a floricultura, pesquise antes para ver se ela não faz mal ao seu animal! 


GESTAÇÃO EM CADELAS E GATAS

Por Mila Godoy

Em época de Dia das Mães por que não falarmos das mamães gatas e cadelas? Sim, ainda tem muita gente que tira uma cria de sua cachorrinha ou gata, e não há nada de errado nisso, porém alguns cuidados já devem ser tomados.

Quais são esses primeiros cuidados?

Os primeiros cuidados devem ser tomados antes mesmo de se cruzar a fêmea. O proprietário que tenha tomado essa decisão tem que cuidar tanto da mamãe quanto dos filhotes dela. O primeiro passo é antes da cruza, ter as vacinas em dia e vermifugar o animal. Esse passo é importante pois os anticorpos gerados nas vacinas irão para o leite materno e isso trará filhotes saudáveis. No caso da vermifugação evita que os filhotes se contaminem com algum verme que possa ser transmitido pela ingestão do leite.

A gestação de cadelas e gatas dura em média 65 dias. Como toda mamãe, elas também devem ser submetidas ao pré-natal e ter o acompanhamento veterinário. Nessa etapa, o animal faz exames de ultrassom periódicos, onde é possível verificar se a cadela ou a gata está gestante mesmo, mas também verificar se há alguma má formação em algum dos filhotes e saber o número de filhotes que o animal irá parir.

Muita gente desconsidera essa etapa, e deixa que a natureza siga o seu rumo. Sim, os animais fazem isso exemplarmente, entretanto, se tiver algum filhote com alguma má-formação, o processo de inicio de parto pode não acontecer (e isso acontece num mecanismo conjunto de hormônios entre mãe e filhote), o que leva a uma cesariana de emergência, que tem risco de vida ao filhote e também a mamãe. Além disso, se o número de animais esperados não nascer o proprietário saberá que seu animal esta tendo problemas no parto e irá procurar assistência veterinária.

Outra medida importante a ser tomada deve ser a troca de ração para uma do tipo filhote. Essa troca deve ocorrer porque estas rações possuem um nível de cálcio mais elevado, pois nessa fase este e um elemento muito importante sendo muito utilizado, e evita que a cadela ou gata na sua falta venha a ter convulsões no parto por conta de um hipocalcemia (que e quando nível desse elemento esta muito baixo no sangue). Qualquer outra suplementação, o médico veterinário que acompanha o caso poderá orientar.

Na hora do parto, muito cuidado. Deixe a fêmea num lugar tranquilo, e que ela escolha o ninho. Normalmente as cadelas e gatas sabem o que fazer, mas caso algum dos filhotes fique preso, ou ainda não venha a nascer, corra para um veterinário. Após o nascimento, evite encostar nos filhotes. Isso porque o cheiro, as lambidas para limpar o filhote, tudo isso é importante para que a mamãe deixe o seu cheiro e os reconheça como filhos. Algumas fazem isso graciosamente, mas outras, param e logo deixam a ninhada pra trás.

Entenda e não fique bravo com a sua fêmea

Não é porque elas não gostam de suas crias, mas algo no processo de reconhecimento materno não aconteceu, ou simplesmente ela realmente não serve para o papel de mãe. Se isso acontecer, recolha os filhotes e peça ajuda ao veterinário para cuidar. Não fique bravo com a sua fêmea. Gestação e maternidade não é como em humanos. Isso é determinado geneticamente e algumas podem ser boas mães como não podem ser. Os proprietários costumam ficar chocados com esse tipo de comportamento, pois acham que o instinto materno tem que acontecer. Nem sempre isso ocorre e isso só dá pra saber no pós parto imediato.

Outro comportamento que choca o proprietário é quando a cadela ou gata come uma das crias. As vezes uma ninhada toda, ou apenas um filhote específico,e a primeira pergunta que vem é:

Por que ela fez isso?

Em animais, na vida selvagem, a ninhada deve ser saudável para que possa crescer e logo acompanhar a mãe para fugir de predadores. Animais com deficiência ou má-formação logo são eliminados para garantir a segurança da mãe e dos outros filhotes. Esse comportamento, é proveniente da cruza e domesticação dos lobos e dos grandes felinos e ainda existe nos animais. Eles já nascem com essas características e nem as inúmeras gerações e raças que vieram após o inicio da domesticação dos animais eliminou esse comportamento. Então, quando uma cadela ou gata come um filhote ou uma ninhada toda, ela percebeu que havia algum problema, incompatível com a vida e com possibilidade de riscos, e toma essa decisão.Essa é uma das teorias que explicam esse comportamento.

Depois que os filhotes nascerem, é normal a fêmea querer ficar mais perto deles. Mas depois, ela vai desejar voltar as suas atividades normais. Então, é muito comum ela querer voltar a ficar próximo do dono e levar a ninhada toda junto, nem que for trazendo na boca um por um. Em gatas isso pode acontecer quando elas querem dormir novamente junto a cama de seu dono. Elas trazem os filhotes junto ao dono e tentam retomar o ritmo. Muita paciência com essas mamães!! Lembre-se que elas só querem voltar a rotina, mas sem deixar os filhos pra trás.

Se o animal foi submetido a cesariana, cuidado redobrado. Além do pós cirúrgico, o reconhecimento materno é mais difícil, pois a fase de cheiros e lambidas não aconteceu, e alguns animais podem não aceitar o filhote. Além disso, o ato de mamar próximo aos pontos pode machucar a fêmea e ela se recusar a oferecer o leite por estar sentindo dor.

Em ambos os casos deve se ficar atento as mamas, para verificar se há inflamação, outra outro fator de rejeição das mães para com os filhotes. Também deve-se oferecer áua e alimentos próximos, para evitar que ela se desloque e deixe a ninhada.

Já deu pra ver que dá um trabalhão cuidar de mamães e filhotes né? Mas tudo isso dá certo, se você tiver sempre um médico veterinário de sua confiança por perto. Portanto, cuide bem da sua mamãe pet!!


BRINQUEDOS PARA CÃES E GATOS

Por Mila Godoy

Quem nunca entrou num pet shop no setor de brinquedos e não se encantou com a variedade de opções, de cores e tamanhos e formatos diferentes? Dá vontade de sair levando tudo o que tem direito pra fazer um agrado tanto pro cão ou para o gato, quem sabe até para os dois. Há pessoas, entretanto, que torcem o nariz e acham que é um gasto desnecessário e que cão ou gato não precisam desse tipo de entretenimento, que é apenas jogar dinheiro fora.

 E aí, fica a dúvida: Eles precisam disso mesmo?

Brinquedos são uma forma de entretenimento e interação tanto para o cão quanto o gato. É uma oportunidade que o proprietário tem de interagir com o seu animal e, ainda aproveitar e adestrar ele. Então, sim, não é uma compra desnecessária. Porém deve ser feita com cautelas. O motivo é que se o brinquedo não for adequado ao tamanho ou ainda tiver partes pequenas, o animal pode ingerir e inclusive morrer por complicações gástricas, ou ainda porque se asfixiou com o brinquedo. E ninguém quer que o animal morra por causa de um brinquedo que deveria causar alegrias.

Então qual brinquedo comprar? Cães adoram bolas. É o brinquedo favorito deles. Nada mais divertido para o cão do que passar um tempo com o seu dono brincando de pegar a bola quando arremessada. A bola, porém, deve ser grande o suficiente para que o animal consiga pegar porém não seja capaz de colocar o objeto inteiro na boca. Isto porque, durante a brincadeira, a ansiedade do animal pode fazê-lo engolir e aspirar o objeto. Parece exagero, mas acontece frequentemente. Então, como vou saber qual é a bola correta? Evite bolas de tênis, por exemplo. Bolas feitas para cães normalmente tem pinos e são feitas de borracha, de forma que o animal, faça a apreensão e consiga brincar.

Se o seu cachorro ama destruir, evite bichinhos de pelúcia. Sim, porque o cão pode destruir o brinquedo e ingerir o seu conteúdo trazendo graves complicações gástricas. Prefira os brinquedos que fazem barulho, que muitas vezes atrai o animal e que são flexíveis, onde ele vai morder várias vezes e segurar a sua ansiedade.

E para os gatos, o que comprar? O principal é um arranhador. O arranhador, de várias formas e tamanhos, possui uma estrutura onde normalmente o animal arranha a sua unha. Gatos adoram fazer isso, e é preferível investir nesse objeto, pois há grandes chances dele arranhar as suas unhas em sofás, móveis e cadeiras. Normalmente, eles logo se entretem com o objeto e buscam por conta.

A propósito, vocês sabem o que é CATNIP?

Gatos também gostam de bolas, ou pequenos ratos para brincar. A maioria dos brinquedos dos gatos são impregnados com CATNIP, a famosa erva dos gatos. Essa erva possui um cheiro atrativo, somente perceptível aos felinos, que os deixa mais felizes. È possível notar nitidamente a mudança de comportamento do animal quando ele é sensível a essa erva. Sim, digo quando é sensível, pois nem todo felino responde a ela. Para alguns gatos ela é indiferente. Sendo um produto que deixa o animal mais feliz, ela pode ser adquirida em pó e ser colocada em locais e objetos onde se deseja colocar o animal, como por exemplo a caixa de transporte. Gatos também podem ser destruidores!! Reforçando, muita atenção ao comprar brinquedos com pequenas peças que podem ser ingeridas.

Tanto para o cão quanto para o gato, o brinquedo só faz sentido se estiver interagindo com o dono. Não adianta encher o bichinho de brinquedo, pois ele logo perde o interesse. Então, a dica é que o dono use o brinquedo como uma oportunidade de interagir com o seu animal. No caso de gatos, o dono pode interagir com o uso de fitas, ou também brincar de arremessar as bolas. Gatos amam brincar de buscar a bola. Possuem o seu jeitinho para fazer isso, mas o fazem, rsrsr.

Brinquedos são uma ótima oportunidade de interagir com o seu animal. Faça desse momento o melhor para eles e para você. E da próxima vez que entrar num pet shop, lembre-se dessas dicas e com certeza você trará um presente bem seguro e interessante ao seu animal!


Castração em Machos - Parte 2

Por Mila Godoy

Vamos falar agora da Castração em cães e gatos machos. O procedimento cirúrgico se chama Orquiectomia, e apesar de ser amplamente difundido, muita gente ainda acha que não tem que castrar os machos, sejam eles cães ou gatos. Mas por que as pessoas acham isso? Bom, um dos fatores se deve porque o macho não carrega os filhotes, então fica com a impressão de que não são responsáveis pelo aumento populacional. Uma grande inverdade, já que a mãe não faz o filhote sozinha. Ela depende do esperma do macho para ser fertilizada.

Outro fator muito importante é o preconceito. Observa-se que proprietários de cães e gatos machos, principalmente quando são homens, relutam em fazer o procedimento por considerar que o animal vai perder a sua masculinidade e virar gay como eles mesmos o falam. Por isso o número de cães e gatos machos castrados ainda é menor quando se compara ao número de fêmeas.

Mas então porque os machos devem ser castrados?

Um das razões é evitar as fugas desses animais. Os machos são atraídos por fêmeas no cio, e acaso uma delas esteja passando na rua, ou no caso dos gatos, berrando por aí, eles invarialmente na primeira oportunidade, vão sair das suas casas e além de se perderem dos seus donos, podem ser atropelados, envenenados ou ainda se envolverem em brigas.

Evitar brigas com outros cães e gatos é um outro motivo para se castrar os machos. Eles são territorilistas e se envolvem em brigas para ganharem a fêmea no cio, ou ainda pra disputar o território ( que pode ser local, pessoa, brinquedo.) Muita gente que tem mais de um macho seja ele gato ou cachorro, sabe que se eles não forem castrados, o número de brigas é alto.

Também deve-se fazer a castração por conta de razões médicas: prevenção de tumor de testículos e também o câncer de próstata, já que esse órgão sofre influência dos hormônios da testosterona ao longo do tempo.

Aumento da expectativa de vida- estudos mostram que um animal castrado vive mais do que um animal não castrado.

Com que idade se castrar um macho?

Muita gente desconhece a fisiologia da puberdade um macho seja ele um cão ou gato. A primeira novidade é que eles não nascem com os testículos dentro da bolsa escrotal. Por isso muita gente tem dificuldade de saber o sexo dos filhote logo quando nasce. Não tem bolinhas para se ver, apenas o pênis.

Mas aonde estão os testículos? Na cavidade abdominal. Conforme o animal vai se desenvolvendo o testículo, vai descendo até a bolsa escrotal e uma vez nela, se desenvolve e aumenta de tamanho. Essa descida normalmente termina por volta dos 4 a 6 meses, por isso que é nessa idade que se recomenda a castração. Entretanto, existem animais em que o descenso é mais tardio, ou ainda ele é feito parcialmente. Nesses último caso ,os animais ficam com o testículo ainda no abdômen ou ainda visível na pele. Isso é um defeito genético conhecido como criptorquidismo. Os animais que apresentam esse defeito, são animais onde o comportamento sexual é exagerado , onde no caso de cães é comum o proprietário relatar que o animal fica constantemente simulando em suas pernas o ato sexual, ou ainda se masturbando como eles mesmos se referem. Por isso um ultrassom é recomendado quando não se localiza o outro testículo. Pois nem sempre o órgão todo é formado , ou ainda há somente o tecido celular no local, que provoca os mesmos sintomas e neste último nem sempre é possível de ser corrigido cirurgicamente.

Quanto mais cedo se castrar um macho, maior será o resultado da cirurgia em termos de comportamento. Uma vez que o comportamento sexual ou territorialista é introduzido, o animal apenas diminui o mesmo, ele não será eliminado. Afinal os testículos são a maior fonte produtora de testosterona no corpo do animal, mas não são a única. Alguns cães, que são castrados antes de aprender a fazer xixi em pé, ainda mantém o hábito de urinar como filhotes mesmo depois de adultos.

Como é feita a castração dos machos?

O procedimento cirúrgico é feito com a retirada de ambos os testículos da bolsa escrotal, já que é neles que está a maior fonte produtora de hormônios de machos. Alguns veterinários fazem a vasectomia, ocluindo os túbulos seminíferos, e mantendo os testículos. O animal não é capaz de gerar filhotes, porém ainda há a fonte produtora maior de testosterona, o que não impede o aparecimento das outras doenças citadas anteriormente. Essa técnica não é muito difundida no Brasil, mas existem alguns veterinários que optam por ela.

O procedimento cirúrgico é rápido e o corte é pequeno. Em gatos não é necessário dar pontos e a recuperação é bem rápida. Para essa espécie, alguns nem se utilizam da roupinha cirúrgica para o pós operatório, pois eles não alcançam o corte com a língua. Mas é necessário dar remédio para dor, pois assim como todo mundo eles sentem dor. No caso de cães, uso de roupinha cirúrgica depois do procedimento é indispensável. Eles são agitados e costumam arrancar os pontos, que pode provocar sangramentos , inchaço e infecções.

E depois que castrou tem mais algum cuidado?

Depois do procedimento, tanto o gato quanto o cachorro podem ganhar um aumento de peso. Então é sempre bom trocar pra uma ração para animais castrados para controlar o mesmo. Especialmente em gatos, esse cuidado deve ser tomado com a ração . Isso porque nessa espécie, ocorre a mudança do PH da urina ,e caso o animal tenha tendência, pode haver formação de cálculos e obstrução urinária, um quadro grave emergencial que pode levar a óbito do animal. Trocar de ração para gato castrado não significa que ele não virá a apresentar o quadro, afinal é uma doença multifatorial, entretanto, o rim estará saudável, e a dieta balanceada para minimizar o aparecimento da doença.

Não é difícil, não é? Então, deixe o preconceito de lado e procure um veterinário para agendar a castração do seu bichinho se ainda não o fez!


Castração em fêmeas- Parte 1

Por Mila Godoy

Castrar um animal é sempre uma dúvida para muitos donos. Desde a necessidade ou não da realização do procedimento, se há vantagens, como é feito o procedimento e, por ai vai.

Na coluna de hoje vamos tentar esclarecer as principais dúvidas e como o assunto é extenso, começamos explicando apenas sobre as fêmeas. Na próxima coluna, será a vez dos machinhos!

Por que castrar?

Primeiramente, temos que lembrar que cadelas e gatas são pluríparas, isto é, podem dar mais de um filhote por gestação. A gestação de uma cadela e de uma gata dura em média 65 dias. Nesse período, elas podem ter 4 a 10 animais, e por isso,o número de animais sobe rapidamente, o que aumenta o número de doenças entre animais e consequentemente, as que são transmissíveis aos seres humanos.

Como é o cio?

A maioria das pessoas não identifica o cio nas cadelas e nas gatas e costumam achar que o cio vai aparecer da mesma forma que os humanos. Um grave engano, que leva muita gente a se descuidar. A cadela libera uma secreção semelhante a menstruação. Muita gente acha que é nesse momento que o cio está acontecendo. Não é! Esse é só o aviso de que a cadela vai entrar no cio e a secreção serve como atrativo para o macho.

Já nas gatas, quem nunca ouviu no famoso miado do cio? Insuportável, ensurdecedor. Mas a gata berra cada vez mais alto até atrair um macho para procriar. Como o miado é muito alto, mas muito alto mesmo, o dono sempre acaba por soltar a gata, e ai ela para de miar, maaassss volta com filhotinhos. Irônico? Não dá, certo? Tudo isso pode ser evitado castrando a fêmea. Mas esse procedimento ainda gera muitas interrogações.

Com que idade castrar? A partir dos 4 meses o procedimento pode ser feito. As fêmeas ciclam o tempo todo, não entram na menopausa. Por isso a chance dos problemas reprodutivos aparecerem acontece mais na velhice. Quanto mais cedo a castração, menor a chance de desenvolver um problema. Entretanto, quanto mais tarde for feito o procedimento cirúrgico, maior será o risco cirúrgico.

Mas a vantagem é apenas para não procriar? Veja...

A primeira dúvida muito comum é quais os benefícios de se castrar um animal, além daquele que se diz de não mais procriar. No caso de fêmeas, tanto nos gatos quanto nas cadelas, verifica-se uma redução quantitativa nas chances de se ter o câncer mamário, pois esse tumor é responsivo aos hormônios produzidos pelos ovários. O câncer de mama nas fêmeas se desenvolve muito rápido e possui alta capacidade de se espalhar para outros órgãos, incluindo pulmão, rins, fígado e coração. Quanto mais cedo for feito o procedimento de esterilização, menor será a chance da fêmea vir a desenvolver a doença. Então castrar uma cadela ou uma gata, é aumentar a sua sobrevida . Claro que mesmo castrada a fêmea pode vir a desenvolver um câncer mamário, afinal biologia não é matemática e essa doença possui muitos outros fatores que contribuem para o seu surgimento. No entanto, esta ocorrência é menor quando comparada a uma fêmea não castrada.

Além disso, a castração evita o aparecimento da Piometra ou Hiperplasia endometrial cística. Esse quadro, extremamente grave, e que leva ao óbito, aparece em fêmeas não castradas, com histórico de gravidez psicológica, entre outros fatores. Uma vez que o único tratamento disponível é a castração e, nesses casos, o quadro é mais arriscado e com chance da cadela ou gata morrerem durante o procedimento cirúrgico, o custo da cirurgia é bem mais alto. Então, nada mais certo do que esterilizar antes de ter problema.

Mas como é a castração?

Outra dúvida muito comum é sobre o procedimento em si. São retirados os ovários, os cornos uterinos e útero. A maioria dos veterinários usa essa técnica, inclusive, ela é a mais utilizada nos mutirões atualmente. O pós operatório é simples, mas deve-se tomar alguns cuidados, que a maioria dos proprietários desconsidera. Isso porque eles tem idéias preconcebidas sobre o próprio animal: o dono de uma cadela grande costuma achar que ela não sente dor. Uma idéia completamente errada. Não é porque ela é grande que ela não sinta dor como uma cadela pequena.

O procedimento pode ser feito no cio? Deve ser evitado, pois nessa fase há o maior risco de sangramento após o procedimento. Além disso, castrar no cio evita que a fêmea não tenha o filhote, porém o processo de cio ainda continua. E geralmente, nesses casos, meses depois o proprietário liga falando que a fêmea voltou a entrar no cio. Tudo porque o processo já estava iniciado, e mesmo após a recuperação cirúrgica ele continua. A cirurgia tira a fonte de produção do hormônio, porém aquele hormônio já liberado, em circulação ainda continua ativo e segue o processo normalmente. Lembre-se disso antes de brigar com o veterinário que fez o procedimento e o acusar de erro.

Eles sentem como nós, uma cirurgia!

Alem disso, muita gente esquece que o procedimento cirúrgico ainda é uma cirurgia. Parece bobagem dizer isso, mas tem gente que quer que o animal saia andando radiante, sozinho, e não pensa que depois de uma cirurgia ninguém faz isso. Você repousa depois de um procedimento cirúrgico certo? Também sentirá dor. Não vai querer fazer muita coisa. Então compreenda o seu animal! As cadelas grandes tem que se ter um cuidado redobrado. Se ela for gorda atenção maior ainda. Isso porque elas tendem a sangrar mais por conta da gordura e movimentos bruscos numa cirurgia recente pode provocar até mesmo ruptura de pontos. Portanto, muito cuidado com as grandonas. Elas merecem maior carinho e atenção.

Gatas também merecem atenção. Isso porque o animal tem a tendência de subir em moveis e subir em telhados. Sim, isso é o normal, mas não num animal que acabou de fazer um procedimento cirúrgico invasivo. Esse descuido - acredite - muita gente faz, provoca ruptura de pontos , podendo inclusive ocorrer a exposição dos órgãos.

Para as duas tem que se usar a roupinha pós cirúrgica que pode ser adquirida em qualquer pet shop. Não deixe de fazer isso. Gatas e cadelas quando estão com dor, costumam lamber o local onde ocorreu a incisão. Por mais forte que seja o remédio analségico prescrito para o pós, ainda assim esse cuidado não deve ser deixado de lado. Elas lambem como mecanismo de defesa e como forma de se confortar, e não percebem que podem abrir os pontos podendo inclusive, expor os órgãos. Elas continuam a fazer isso sempre. Em gatas o problema é ainda maior, pois como a língua é áspera, o quadro de ruptura e exposição dos órgãos mais rápido.

Após o procedimento muito comum ocorrer o aumento de peso. Então é hora de trocar a ração para uma especifica para animais castrados, para evitar a obesidade que pode provocar outras doenças. No mercado em geral, existem muitas disponíveis para a escolha do proprietário. Consulte com o seu veterinário para saber a diferença entre elas.

Como vocês viram castrar é um ato necessário mas que merece atenção. Vai aumentar a vida do seu animalzinho e evitar o aparecimento de muitas doenças. Não deixe de castrar!


Meu primeiro gatinho e o fim do preconceito!

Por Mila Godoy


Ter um gato é sempre uma aventura. E quem decide por ter esse animalzinho fica com um ponto de interrogação na cabeça. Afinal, a maioria das publicações são a respeito de cães e, além disso, existem muitas injustiças em torno dos gatos como: 'apegam-se a casa e não aos donos'; 'não podem ser adestrados', 'não dão carinho' e, muitas outras crendices. Esses mitos só colocam dúvidas se foi uma boa escolha ou não ter um gatinho. E, mais ainda, o dono do gato fica na dúvida se vai saber cuidar dele ou não.

Bom, se você ganhou um gato ou adotou um, filhote ou adulto, meus parabéns! Esses são seres únicos e impares. Tem comportamento peculiar e apaixonante. Quem tem um gato descobre o qual fascinante e arrebatador pode ser um felino.

Qual a diferença entre o afeto de um cão e de um gato?

A ideia de que eles se apegam a casa e não aos donos é uma tremenda de uma injustiça. Os cães enxergam os donos como um líder da matilha e mantém a fidelidade canina ao seu líder. Mas um gato enxerga o seu dono como uma família. Por isso, eles demoram a demonstrar carinho e afeto pois, enquanto não tem certeza de que estão sendo bem acolhidos, não irão demonstrar.

Porém quando o fazem, fazem de um jeito próprio: dão presentes, como assim? A sua caça é uma honra máxima do felino por reconhecimento que o dono dele muitas vezes desconhece. Gostam de se aconchegar perto do seu dono, dormindo perto ou em cima dele. Também costumam ronronar quando estão se sentindo confortáveis.

Descobertas novas sobre gatos

Durante muito tempo, os felinos eram considerados "cães pequenos", isto é, pensava-se que seu metabolismo era similar a de um cão pequeno. Com a evolução das rações, verificou-se justamente o contrário: gatos são estritamente carnívoros, isto é, necessitam da proteína e aminoácidos obtidos pela carne, e por isso possuem um metabolismo completamente diferente de um cão, que é onívoro (come carne e vegetais). Por isso, existe uma ração especifica para essa espécie, que apesar de ter uma variedade enorme de marcas, tem apenas 10 anos de existência no mercado.

A medicina Felina é uma descoberta recente, onde os próprios veterinários descobriram que os gatos necessitam de cuidados diferenciados na internação, na medicação, no tipo de doença que podem apresentar e quais as vitaminas necessárias, etc. Demorou-se muito tempo até descobrirmos que essa era uma espécie com metabolismo diferente e com necessidades nutricionais diferenciadas. Por isso, não adianta dar ração de cachorro para o seu gato. Se fizer isso, seu gato vai apresentar uma deficiência de Taurina, um aminoácido essencial a essa espécie, que somente uma ração de felino pode fornecer.

Há também o mito de que o gato não pode tomar banho. Gatos são animais com o hábito de se limpar. Os banhos deles longos, e um ritual necessários, já tiram grande parte das sujidades. Mas se você quiser dar banho, pode sim, mas leve num pet shop de confiança. O único problema é que como eles vão perder o seu cheiro, vão estranhar pra caramba e lamber-se ainda mais. Eles fazem isso porque ao perder seu próprio cheiro ficam estressados e irritados. Dai vem a impressão de que eles não gostam de água, mesmo assim, tem alguns gatos que curtem um banho e não se estressam. Cada um tem sua personalidade! Sim, entre os animais também.

Outro erro comum é achar que os gatos não necessitam de vacina. Parece absurdo, mas ainda tem muita gente que fala: ah, mas não vacino o meu gato, ele não precisa. Sim, gatos também precisam tomar vacina, mas tomam uma vacina diferente que os cães tomam. Como já disse em outro artigo, os gatos necessitam tomar a quadrupla felina, que protege eles contra as principais doenças,a maioria de origem respiratória. Completa-se a vacinação com a proteção da vacina antirrábica, também necessária para essa espécie.

Gato transmite toxoplasmose?

Acredito que a maior injustiça contra os gatos seja a de dizer que eles transmitem a toxoplasmose. Por esse erro, muitos gatos são abandonados ou deixam de ser adotados. A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo Toxoplasma Gondii, porém, hoje, dificilmente é uma doença transmitida diretamente do gato para o ser o humano. E você pode perguntar: então porque o gato é associado a essa doença? Porque os felinos são os únicos hospedeiros definitivos e, participam do ciclo do protozoário, com a replicação do agente em seu sistema intestinal e na eliminação de oocisto não esporulado nas fezes.

Lá vem a conclusão de muitos: Nossa então ele transmite! Não. Apenas de 10 a 15% dos gatos são infectados. Dentre esses, aqueles que tem acesso a rua e se contaminam alimentando-se de roedores e aves, e também aqueles cujos os donos dão carne crua sem saber a procedência. E mesmo essa pequena parcela, para se contaminar por um gato, o tutor tem que ser desprovido de higiene. Isso porque todo o felino tem o hábito de fazer côco e xixi em sua caixinha de areia. Então seu tutor mexeu na caixinha sem a pá, entrou em contato com as fezes mas não lavou a mão logo em seguida, grandes chances de se contaminar!

Outro detalhe, todos os vermífugos existentes no mercado para gatos eliminam o protozoário do animal e a maioria deles, hoje em dia, são alimentados com ração. Ou seja, é muito difícil um gato contaminar uma pessoa, pois a contaminação, normalmente, é por ingestão de carne ou verduras contaminadas, mal cozidas ou mal lavadas.

Cuidados com seu gato são fáceis

Aliás, uma grande vantagem dos felinos: eles aprendem rápidos a usar a caixinha de areia. Mesmo um filhotinho, ele logo entende para que serve, e o adestramento do animal é muito rápido. A caixa com areia própria tira o cheiro da urina e das fezes. Deve ser limpa uma a duas vezes no dia, sempre que verificar a presença de fezes.

Não se esqueça de castrar o seu gato ou gata. A castração previne doenças e tira o comportamento do cio da gata. O miado de uma gata no cio é ensurdecedor! No macho, previne brigas e o comportamento de sair a rua em busca de gatas no cio. Futuramente, falaremos sobre a importância da castração em outro artigo.

Felinos também são mais longevos que cães. Um gato, bem cuidado pode viver até os 15 anos de idade ou mais eu já atendi uma gata que tinha 25 anos e estava super bem). Depende de cada gato: já perdi uma com 22 anos de idade e outro recentemente com 11 anos. Mas todos são muito longevos.

Vamos falar de abandono

Como já falamos no começo, não pense que seu gato não tem apego, isso é a maior inverdade. Já pensou? Aquela família que ele confiou e que ele demorou a demonstrar afeto o abandona? Gatos adultos que vêm de abandono levam muito tempo a confiar novamente, mas com fé e persistência do proprietário, o coração do felino se abre ao novo tutor. Portanto, dê muito carinho ao seu gatinho!!

Assim, se você ganhou o seu primeiro gatinho, filhote ou adulto, fique tranqüilo, você ganhou um membro fiel e amoroso a sua família. Deixe-se apegar também sem receios!

Bem vindo ao clube dos amantes de gatos!!


PETS FOLIÕES

O que fazer quando você quer curtir o Carnaval com seu animal?

Essa semana começa o maior feriado do Brasil, o Carnaval. Muita gente quer cair na folia e levar o seu bichinho junto. Outros preferem viajar e levar o seu cão e gato junto. E aí, o que fazer?

Acho que a primeira dúvida pra quem quer levar o animalzinho junto pro bloco é: pode? Bom para os donos de gatos isso não é recomendado. Acho que o próprio dono de um gato sabe disso, já que eles ficam muito assustados e levar um gato no meio do bloco é certeza de perder ele no meio da multidão e não achá-lo mais, literalmente!

Bom, os donos de cães foliões esperam ansiosamente essa data para colocar as fantasias e levar o seu amiguinho para o bloco. Não há problema nenhum nisso, mas algumas recomendações devem ser dadas:

  • Fantasia: sim elas são fofas e faz a gente fazer o "ownnnnn" gigantesco , e faz o seu cachorro virar a atração principal. Mas lembre-se que elas devem ser confortáveis ao seu animal e permitir que ele se locomova naturalmente. Também evite maquiagens ou tintas pois essas podem provocar alergias no seu animal.
  • Acidentes podem acontecer: pra quem leva o animal pra um bloco cheio de gente, tem que saber os riscos. E quais são eles? Ele se assustar com alguém e com o barulho morder alguma pessoa, ou ainda, escapar da guia e se perder no meio da multidão. Na primeira situação, nem adianta brigar com a pessoa mordida. Porque não? Porque ela não tem culpa, foi você que levou o seu cachorrinho e ao levá-lo no meio do 

 bloco, você está assumindo toda a responsabilidade dos atos do seu cão. Então, certifique-se que seu animal é tranquilo o suficiente para não se assustar e se defender dessa forma. Mas se não tem certeza, leve uma focinheira.

  • Hidratação: muita água para o seu cão sempre! É muito quente e os cachorros precisam de água, então ofereça-o sempre que possível. Lembre-se que ele não fala, então não tem como pedir por água.
  • Cuidado com outros animais! Tanto os de rua, quanto o de outros foliões. Mantenha uma distância segura e não confie no papo: ele é bonzinho, deixa ele cheirar. São pensamentos assim que geram descuidos e acidentes acabam por acontecer
  • Foliões não medem perigo. Então seu cachorro não curte muito carinho de estranhos? Não caia na conversa de outros foliões que dizem: eu posso passar a mão? Eu posso tirar uma foto? Se seu animal não curte nada disso, melhor ficar em casa, ou então dizer não.
  • Cuidado com os fogos de artifício, cornetas e outros itens 'de barulho' no bloco! Nesses blocos, muito comum alguém levar uma corneta e sair soprando ela. Esse apetrecho gera um barulho que pode assustar o seu cãozinho e ele fugir. Portanto, se o seu cão não é acostumado com barulhos, talvez seja uma boa idéia considerar deixá-lo em casa.

Ah, mas eu não quero levar o meu animal no meio da folia. Quero viajar com o meu cão ou gato. Posso?

Pode sim. Mas fique atento aos locais onde for se hospedar: nem todos aceitam animais... mas aqueles que aceitam a hospedagem oferecem inclusive atividades aos pets. Então você vai poder se divertir tranquilo e seu pet também.

Mas tem que pesquisar muito bem mesmo. Infelizmente, hotéis que aceitam pets são poucos números no Brasil e nem sempre tem no destino que você planeja viajar. Lembre-se de 15 dias antes, ir ao veterinário, verificar a saúde dele e reforçar as vacinas caso seja necessário. Não se esqueça de buscar a GTA (GUIA DE TRÂNSITO ANIMAL), que é o documento do seu animalzinho para ele poder se locomover entre cidades e estados. Um veterinário pode emitir esse documento. Não deixe de pegar o GTA. Ele é um documento importante! Em caso de Blitz, ou numa eventual parada da policia rodoviária, se você for pego transportando o animal sem essa guia, o policial pode apreender o seu animal e aplicar uma multa. E você não quer isso, certo? Então evite o stress e pegue o GTA.

Atenção redobrada ao meio de transporte suas documentações!! Em CASO DE CARRO, os documentos, carteirinha de vacinação e GTA também devem estar presentes. Gatos devem ser transportados em caixinhas de transporte. Os cães podem ser transportados em caixas que os caibam com conforto, ou ainda por meio de cintos de segurança específicos para a espécie.

No CASO DE ÔNIBUS E AVIÃO, é bom consultar os documentos necessários, pois cada empresa tem a sua exigência. Mas, na maioria dos casos exige-se o GTA, a carteirinha de vacinação em dia, e que o proprietário do animal compre uma passagem a mais. Cães pequenos podem ser transportados no banco ao lado, junto ao dono. Cães grandes, devem ser transportados em caixas de transporte grandes, que caibam o animal com conforto em pé ou deitado, no bagageiro ou no local de bagagens de avião. No caso de ônibus, verifique se o veículo possui ventilação no bagageiro e não insista no transporte caso este não o possua. O animal pode vir a óbito durante o trajeto devido ao calor, e ninguém quer passar por essa dor durante um passeio.

Se for VIAGEM INTERNACIONAL os cuidados são ainda maiores! Verifique as regras para entrada de animais, país de destino, e os documentos necessários. Nesses casos, o planejamento deve ser feito meses antes da viagem. Isso se deve grande parte ao país final em que se deseja viajar. Cada um deles possui a sua legislação específica. O que vale para o Brasil nem sempre vale para outro país.

Além da GTA, deve-se procurar reforçar a vacina do animal no mínimo 15 dias antes. No dia do embarque deve-se ter em mãos a carteirinha do animal e a GTA. No caso da carteirinha, a maioria dos países solicita a vacinação antirrábica importada, feita em veterinário particular. Caso o seu animal tenha sido vacinado em campanha, você deve se dirigir ao CCZ de São Paulo, por meio do seu veterinário e solicitar a sorologia da Raiva. Nesse exame, o laboratório verifica se seu animal está realmente protegido para essa doença. Sem esse documento, você não vai conseguir entrar no país que o exige e o seu animal ficará retido na alfandega sujeito as penalidades do país.

Se nada disso faz o seu estilo, mas você quer ainda viajar, há também os hotéis para cães e gatos. Esses hotéis, hoje em dia, oferecem serviços de banhos e tosas, locais amplos e bem equipados para garantir o conforto do seu animal, inclusive com webcams para que você possa ver o seu animal em tempo real.

Para saber se o hotel é uma boa escolha, vá até o local e conheça as instalações, equipe , rotina, requisitos para hospedagem (sim os hotéis também fazem exigências), e se eles tem um veterinário 24horas caso aconteça alguma emergência.

Se possível, no caso de cães, leve-o junto para essa visita. Observe como ele reage na área de brincadeiras, como ele se porta com outros animais, se ele está a vontade ou não. Também converse com outros clientes que já utilizaram o local e veja se eles aprovaram o serviço ou não. Nada melhor do que alguém que já utilizou para recomendar o local.

Você também pode chamar alguém para cuidar do seu cachorro/ gato ou deixá-lo na casa desse cuidador. Para essa situação, converse muito com quem ficar responsável para não ter dor de cabeça no futuro. Deixe ele conhecer o seu animal, veja como o animal se porta diante dele, se realmente a pessoa gosta de animais e tem paciência. Se preferir, alguns vão até a sua residência cuidar do animal, o que facilita muito e minimiza o stress.

Bom, espero ter ajudado você a irar alguma das suas principais dúvidas sobre como agir com seu pet no Carnaval. Boa Folia !!


Quando os animais vão para o "céu"!

Por Mila Godoy

Muitas vezes quando falo que sou veterinária, as pessoas me perguntam porque escolhi essa profissão. Quando criança eu lembro de dizer que queria ser professora, veterinária e escritora, e sabe-se lá porque motivo eu queria que fosse nessa ordem. Mas foi observando o meu pai que decidi ser veterinária. Não, ele não é veterinário! Trabalhou na Aeronáutica a vida toda. Mas foi o primeiro que demonstrou pra mim o que é a compaixão por animais.

No primeiro, ainda criança, eu e meus irmãos vivíamos pedindo um cachorrinho. Um dia, ele voltando do serviço, de moto, avistou um homem parado junto a lagoa da pista, com um saco de estopa. Curioso, parou para ver o que era. O homem disse que era uma cachorrinha, que ele já tinha dado todos os outros filhotes e que só tinha restado ela. Ele iria jogar na lagoa porque ela não fora adotada. Meu pai, pediu a cachorrinha pro homem pois as filhas dele viviam pedindo um cachorrinho. O homem entregou ao meu pai e foi assim que surgiu a Lassie em casa, uma bela SRD marrom.

 No final ela melhorou, correu o tempo, e já idosa desenvolveu câncer de mama. Demoramos a perceber e a levamos para o antigo CIZIP onde tinha um veterinário. Não acompanhei a consulta, mas lembro da minha mãe dizendo que foi proposto a eutanásia e que meu pai negou o procedimento. Não porque existisse possibilidade de melhora, mas porque ele disse que não conseguiria dizer aos filhos que a cachorra que ele salvou um dia, agora tinha sido morta por ele. Então, ele retornou com a Lassie em casa, onde ela veio a falecer depois de uma semana.

Desde esse dia, eu decidi que não iria me sentir frustada daquele jeito. Que deveria haver um jeito de melhora. E foi aí que decidi ser veterinária.

Hoje já formada, eu sei que a Lassie não tinha possibilidades de melhora, e que sim foi feito o que era possível na época. Já acompanhei despedidas. Já eutanasiei muitos animais e realmente nunca é uma decisão fácil. Já me perguntaram: Como sendo veterinária, tiro a vida deles? Nenhum veterinário tira a vida. Nós retiramos o sofrimento tanto do animal quanto do seu tutor.

Sempre é difícil admitir que estamos perdendo a luta. Que tudo o que fizemos não é o suficiente. Mas a gente tem que aceitar e fazer o que é o melhor pro animal e para o seu dono.

Admitir que perdeu vem do próprio dono do animal

Eu cliniquei um tempo em Biritiba Mirim, interior do estado de sp,cidade cheia de sitiante, atendi um akita, idoso, companheiro de um senhor de idade do seus 84 anos. Ele levou o cão durante todas as consultas pacientemente, trazendo-o do sitio em sua caminhonete. O animal tinha múltiplos tumores de pele que foram se espalhando pelos órgãos. O dono do akita tratou ele de todos os jeitos: fez as cirurgias, cuidou do póos operatório, medicou, mas o animal uma hora parou de andar.

Um dia dia pela manhâ, esse senhor trouxe o seu cachorro deitado na caminhonete e disse: Dra. Ele já não anda mais. Existe algo que possa fazer?

Eu disse que poderíamos dar um anti-inflamatório e um remédio para dor a longo prazo. Que talvez com o passar do tempo ele não fosse mais responder a medicação. Entã ele me disse que iria tentar mais uma vez.

Cinco dias depois ele retornou a clinica. O animal ainda em decúbito , com aspecto cansado. Ele relatou que o animal não se alimentava. Eu disse que poderia coloca-lo no soro para melhorar. Ai, este senhorzinho disse: não Dra não vamos tentar. O meu cão já me disse que quer ir. A gente já tá tentando faz tempo. A sra. Tentou tudo o que era possível por ele. Mas já tâ na hora de eu ouvir o que ele me pede. Vou dar o adeus definitivo a ele, num lugar onde vá que não tenha dores e nem sofrimento. Ele foi fiel a mim por tanto tempo.... Não vou viver muito tempo mais, mas no mínimo quero dar uma partida decente a ele.

Ali compreendi que a gente nem sempre aceita a perda da luta na tentativa de salvar o animal. Que é necessário momentos em que alguém te faça entender que continuar a luta é causar sofrimento e que então é hora de fazê- lo dormir.

Despedidas nunca são fáceis... Em minha experiência clínica, percebi que se o dono não está aceitando a morte do animal , eles nunca partem sem antes ter a certeza de que o dono ficará bem. Sempre digo que eles precisam saber que sua missão aqui na terra foi cumprida, e é dever do dono estar ao seu lado num momento tão difícil. Dever difícil eu sei, mas quando for possível sempre tem que estar presente.

A presença não precisa ser física. Basta uma conversa, aquela séria, aquele momento em que vc sabe que ele tem que ir mas não quer desapegar. Entre tantas coisas ditas, somente no íntimo do coração você saberá o momento do adeus ao seu animal. Enquanto eles não ouvem esse adeus, eles não partem.

Tomar a decisão nunca é fácil. A gente avalia todas as variáveis, não importa a espécie animal. Cão, gato, cavalo, boi, etc todos na necessidade de eutanásia tem que partir sem dor, e uma morte rápida.

Quanto a Brumadinho...

Por isso, imagino que decisão difícil foi a dos meus colegas em Brumadinho- MG. Por que em grandes calamidades, como desmoranamento, guerras , furacões, etc não temos o consultório . Nem sempre conseguimos chegar até os animais sem correr risco de vida. E como você só entra nesse local autorizado por pessoas preocupadas em zelar pela sua vida, você tem de decidir como eutanasiar o animal minimizando a dor e oferecendo a morte rápida.

E por mais feio que seja, o rifle sanitário está previsto para esse tipo de situação, de acordo com a norma do CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária). Não, realmente não é bonito, mas é o único jeito nessas condições. Por isso, não os acuse de serem assassinos. Não os acusem de maus tratos. Eles estão fazendo o que muita gente não teve coragem de fazer: sair de sua casa, levar o seu medicamento, o seu conhecimento , com a convicção e coragem de salvar o maior número de animais, mesmo correndo sério risco de vida.E aqueles os quais eles não puderem salvar, que eles tenham uma morte sem dor. Porque no fundo o que somos é porta- vozes daqueles que não tem voz.  

Lembre-se que é um veterinário que estará ao lado de você quando decidir dar decidir que o seu animal deve ir ao "céu"!


Cinomose em Cães

Por Mila Godoy

Na última coluna falamos de vacinação em cães e gatos e sobre a importância de se dar a vacina. Hj vamos falar um pouco mais sobre uma das viroses mais frequentes em cães: a Cinomose.

Você já deve ter ouvido falar dessa "ose". Tem gente que se refere a ela como a doença que cai os quartos ,numa referência um dos sintomas que ela pode causar.

A cinomose é uma doença que acomete os cães e é transmitida por um vírus chamado CDV (vírus distemper Canine, que traduzido, quer dizer vírus da cinomose Canina.). A cinomose atinge principalmente animais jovens, no primeiro ano de vida , e cães em qualquer idade que não estejam vacinados .

O vírus da cinomose é um vírus bem esperto. O vírus sobrevive muito bem em ambientes secos e frios. Pode permanecer até 3 meses no ambiente, mesmo depois da retirada do animal que apresentou a doença do local. È por causa disso que vem a recomendação dos veterinários que não introduza um animal novo no local imediatamente após a morte de um animal por essa doença.

Quando o proprietário de um cão recebe esse diagnóstico é muito difícil para ele compreender. Primeiro porque o veterinário tem que dizer que o cão está infectado porque não tomou as vacinas, ou se as tomou, tomou incorretamente. Ninguém gosta de admitir que errou, mas é bem isso. O cão está doente porque o dono não deu a vacina. Alguns até tentam justificar dizendo: mas eu nem saio de casa com o meu cachorro, ele nunca saiu!! Nem para tomar banho!! É impossível isso!! Você está errado!! Não tem nenhum cachorro com essa doença em casa!!

De fato uma das formas de transmissão é através dos espirros, das secreções oculares, das fezes, e até mesmo respirando pelo ar infectado. As vezes um cão está com a doença, mas está aparentemente sadio, isto é ela está incubada, e este cão estará transmitindo a doença também. Muitas vezes esse cão está no pet shop onde o seu animal não vacinado frequenta, passeando pela rua com o seu dono, mas está transmitindo a doença. O vírus se espalha bem rápido , então é comum que muitos cães se infectem numa mesma região, um atrás do outro. Você com certeza já deve ter ouvido alguém falar que tem uma epidemia de cinomose. Esse alto número de casos é devido ao alto número de cães não vacinados ou vacinados sem acompanhamento pelo veterinário, não pela agressividade do vírus em si. Tá, mas o meu animal nem sai de casa, tá trancado no apartamento, e como foi que ele pegou?

Bom o próprio dono do animal pode ter trazido o vírus. Pode ter andado em um local onde um cão contaminado esteve, ou entrou em contato com um cão com a doença incubada, e trouxe a doença a doença para o seu animal através da roupa e dos sapatos.

Por isso que todo veterinário fala: não passeie com o seu animal enquanto ele não terminar a sua vacinação. Não leve o seu animal a um pet shop se você não terminou as vacinas!

O vírus da cinomose é esperto na transmissão, mas não é resistente. Então o calor, a maioria dos desinfetantes e o sol já matam o vírus, pois ele não consegue ficar muito tempo fora do hospedeiro. Sabendo disso, o veterinário sempre recomenda além de não sair com o seu cão não vacinado, trocar de roupa, lavar as mãos e manter limpa o local com desinfetante, para evitar a contaminação do seu cãozinho.

Tá, isso é pra evitar a doença, mas e quais são os sintomas dessa doença? Porque ela mata tanto cachorro?

O vírus da cinomose é um vírus esperto e bem agressivo ao animal. Uma vez dentro do corpo do animal ele provoca uma imunossupressão, isto é , acaba com as células de defesa do organismo. Agora imagina isso num filhote, que muitas vezes nem está com o sistema de defesa completo. É uma doença difícil!!!E para melhorar o corpo depende desse sistema de defesa! Ai aparece uma febre alta, logo vem as secreções oculares, tosse, espirro e uma pneumonia se instala.

Como o cão está sem sistema de defesa nenhum provocado pelo vírus, ele fica susceptível a qualquer organismo. Então é muito comum que muito embora ele esteja tomando antibiótico, logo tenha que trocar, porque ele fica resistente a todos os antibióticos disponíveis. Muitas vezes o cão não aguenta a pneumonia que se instala.

O vírus tem atração pelo sistema nervoso do animal, então quando ele se instala no corpo do cão objetivo dele é chegar no cérebro. E ele o faz de uma maneira bem rápida. Então logo, o animal começa a apresentar paralisia nos membros posteriores, membros anteriores. Também é comum as contrações dos músculos do animal, e finalmente uma vez no cérebro as convulsões. Uma seguida da outra. E isso não é algo bonito de se ver. È doloroso para o proprietário. Quem quer passar por isso com um filhote? Ninguém com certeza. Mas poucos pensam nisso quando deixam de dar a vacina.

Tem tratamento? Sim, tem. Mas é o tratamento suporte. Como é um vírus, que ataca vários órgãos , os medicamentos que o veterinário prescreve é pra tratar os sintomas e dar suporte para que o animal consiga sobreviver ao avançar da doença. Mas isso é difícil, bem difícil mesmo. Mas não é impossível. No início, até se tenta um tratamento em casa, mas logo a doença evolui, e é necessário internação, onde o cão recebe um suporte 24 horas mais intenso, em clínica veterinária, o que torna o tratamento oneroso. Quiabo salva o cachorro? Não. Não salva. Essas receitas e curandeirismos não ajudam o animal. Só tornam o processo que por si só já é difícil mais doloroso para o animal. Por favor, leve o seu cão a um veterinário sempre.

Os animais que sobrevivem, normalmente levam consigo sequelas que o proprietário vai ter de lidar pro resto da vida: um animal com convulsão, um animal com paralisia de membros posteriores ou anteriores, um animal com tremores constantes. Não é nada difícil de tratar e é possível o cão ter uma boa qualidade de vida mesmo com sequelas. Mas nem todo o proprietário está disposto a lidar com isso infelizmente.

Se o quadro clinico não melhora, os sintomas pioram, é dado um momento em que o veterinário opta por oferecer interromper o sofrimento do animal: a eutanásia. É uma escolha difícil mesmo, pra qualquer um. Ninguém quer passar por isso. Mas quem tem um cão com cinomose em quadro grave, vai ouvir essa opção do veterinário em algum momento.

Depois que o animal morre, como já foi dito deve-se desinfetar bem o lugar, jogar fora todos os brinquedos e objetos em local apropriado e somente introduzir um novo filhote após 3meses e com as vacinas completas.

A prefeitura fornece essa vacina, afinal ela dá a vacina de raiva, né? Afinal. essa doenças se previne com vacina? Não, a prefeitura nenhuma fornece essa vacina. Os órgãos públicos tem a obrigação de fornecer somente a vacina de raiva, pois esta é uma zoonose, onde a forma de prevenção é através da vacina, então ela tem de fornecer. A cinomose não é uma Zoonose. È um doença grave sim, mas que acomete somente cães. A cinomose é uma das doenças coberta pela V10 ou V8, e é de responsabilidade do proprietário. Não transfira a sua responsabilidade ao órgão público.

Vocês viram que a cinomose não se brinca né? Então vacine o seu cão sempre em um veterinário, para que não tenha que lidar com ela. 

Até a próxima coluna!! 



VACINAS EM CÃES E GATOS

Por Mila Godoy*


Quem tem cão ou gato, quando arrumou um filhote passou por isso. Quem ainda não tem, quando comprar um filhote ou adotar vai passar: Que vacinas dar ao animal? Por que dar essas vacinas? Qual a vacina é a melhor? Quando devo reforçá-las?


São tantas as perguntas, não é? Todas elas um bom veterinário pode responder. Mas o que acontece na maioria das vezes é que as pessoas vão de galho em galho, olham na internet, buscam conselho com o vizinho, com a amiga e acabam sem entender nada, e decidem por conta comprando na casa de ração. Ou, ainda vão no veterinário e dão a vacina, mas sem entender direito o porquê, não perguntam porque acham que o veterinário vai achá-los idiotas por perguntarem quando eles deveriam saber.

Primeiro: seu veterinário não vai achá-lo idiota se você fizer uma pergunta sobre vacina. Você não é formado em medicina veterinária . Só quem tem formação técnica para isso é um veterinário. Ele está lá para isso quando você está consultando. Mas por vergonha as pessoas nunca abordam um veterinário no consultório: sempre num churrasco, num evento familiar, num encontro ao acaso, em viagens, etc... Acreditem eu sei como é. Sou abordada muitas vezes assim. Eu respondo ,claro, mas sempre penso: gente por que não fizeram essa pergunta ao veterinário que o atendeu?

No minha rotina de trabalho, em Rio Claro, verifiquei que a maioria das pessoas nem sabe pra que serve a vacina. Simplesmente as dão e não sabem porque. Ou acham que uma só, resolve tudo, como se ela fosse mágica. Realmente protocolos vacinais em cães e gatos são diferentes, e aqui espero resolver as principais dúvidas que verifico no meu dia a dia, e espero que você mude a sua visão a respeito delas.

Quando você compra ou adota um cão ou um gatinho, a primeira pergunta que vem a cabeça é: Quando eu posso dar a vacina? E qual é a vacina que tenho de dar?

Normalmente você adquire um filhote de cerca de 45 ou 60 dias de idade, porque até essa idade o animalzinho está lá tomando o leite materno da mãe e está protegido com ele  considerando que esta mãe tenha recebido todas as vacinas também). A partir do desmame, o filhote está por conta. E ele não tem o sistema imunológico formado completamente ainda, este só vai estar complementarmente formado com um 6 meses de idade. E é por não está formado que você não deve esperar para dar as vacinas ao seu animal. Por que nessa idade, tomando as vacinas eles conseguem manter a proteção e evitar o aparecimento das doenças. Então a primeira vacina tem que ser dada aos 45 a 60 dias de idade. Para cães eles devem tomar V8 ou V10 e gatos a quadrupla Felina.

Tanto cão quanto ao gato devem tomar 3 doses,intervaladas em cerca de 30 dias . Esse intervalo é necessário porque o filhote com o passar dos dias, começa a perder a proteção da mãe e precisa ter a fazer a proteção dele sozinho. E isso ele só faz com a vacina. E é necessário o reforço, porque uma única dose não vai conseguir fazer essa proteção . Então não adianta começar a vacina e não dar mais. Se fizer isso a proteção não se completou e ele não está protegido. Por isso a proteção é somente após as 3 doses.

Agora você deve estar se perguntando: entendi que tenho que dar 3 doses, mas que raio é essa V8 ou V10? Qual a diferença entre elas? E se você tem um gato deve estar pensando: Nossa mas gato tem que tomar a Quádrupla Felina?

Cães e gatos tomam vacinas diferentes porque são espécies diferentes, e as doenças que os acometem no crescimento são distintas.

Vamos falar primeiro dos cães: O cães quando tomam a V8 são vacinados contra: Parvorirose, Cinomose, Hepatovirose, Adenovirose, Parainfluenza e os 3 principais tipos de Leptospirose, as mais agressivas. A diferença para a V10 é que ela tem dois tipos de leptospirose a mais na dose de vacina, mas estes dois tipos ainda não existem no Brasil. Ué, e porque colocam ela? Porque a empresa que fabrica essa vacina é importada e esse tipo de Leptospirose existe no país de onde ela é fabricada. Existem mais de 200 tipos de Leptospirose, mas vacinamos apenas os 3 principais tipos que são mais agressivos ao animal e que o cão pode transmitir ao ser humano caso desenvolva a doença. Todas elas estão juntas numa dose de vacina, por isso são chamadas de V8 ou V10.

E com certeza você deve de conhecer alguém que perdeu um animalzinho com Cinomose. Que gastou muito no veterinário com isso, que teve de mandar eutanasiar um animal por isso. Mais triste ainda é saber que todo esse gasto poderia ser prevenido se tivessem dado as 3 vacinas assim que pegou o filhotinho, não é?

Não faz diferença você vacinar com uma V8 ou com uma V10 o seu animal, se você o vacinar com uma delas e seguir direitinho o protocolo, você vai estar protegendo o seu animal. É quando você deixa de fazer a vacinação que os problemas aparecem.


Agora os gatinhos. Eu entendo muito o dono de gato, não somente porque tenho 3 gatos, mas porque acompanhei o desenvolvimento do mercado Pet Felino. Faz somente 20 ano ou menos até que esse mercado entrou no Brasil. E isso inclui as vacinas. Então durante muito tempo, essa espécie foi deixada de lado, então muita gente ainda acha que gatinho não tem que tomar vacina. Tem sim!!

Gatos tem que tomar vacina contra Rinotraqueite Felina, Calicivirose Felina, Panleucopenia Felina e Clamidiose Felina, isto é a V4, ou quadrupla Felina. Gatinho não tomam vacina contra leptospirose porque tem uma resistência a essa doença. Não é a toa que o gato caça o rato né? Mesmo que o rato tenha a doença, ele não a desenvolve, fique tranquilo. A maioria das doenças de gatos é de origem respiratória , e sua transmissão é muito mais rápido. Daí a importância de vacinar o seu animal.

Todas essas doenças citadas aqui, serão descritas com calma posteriormente, não se preocupe. O importante é você entender o porque você está vacinando.

Finalmente, todo o cão e gato deve ser vacinado contra a Raiva a partir dos 3 meses de idade. Que é uma doença letal o seu animal e que ele também pode transmitir pra você e sua família. E porque meu veterinário só dá no final das 3 doses? Afinal quando ele já está na segunda dose, ele já tem mais de 3 meses de idade e pode tomar, não é? Sim, ele pode, mas acontece que temos uma gama enorme de empresas que fabricam essas vacinas de viroses, e outras tantas que produzem a vacina antirrábica. Cada uma delas utiliza um conservante diferente. E vacinas podem causar reações alérgicas. Se você der as duas juntas no mesmo dia não vai saber qual vacina deu reação, entendeu?

Posso comprar por conta a vacina na casa de ração e dar? Não recomendo isso pra ninguém. Existem muitos fatores que afetam a eficácia da vacina: validade da vacina, conservação e armazenamento da vacina, saúde do animal, entre outros. Isso só um veterinário vai saber avaliar. E quando ele compra um marca de Vacina ele está atestando que confia naquela marca.

Quando você compra na casa de ração realmente sai mais barato. Mas normalmente essas casas não tem um veterinário junto. Eles colocam num gelinho a dose, e te entregam. Algumas inclusive ensinam como aplicar. Só nesse transporte a vacina se perde, isso sem contar que você não sabe em que condições essa vacina foi armazenada. Além disso, corre o risco tremendo de perfurar o órgão do seu filhote durante a aplicação (sim vacinas podem causar isso), podendo causar a morte do seu animal. Se isso não acontecer, a vacina dada pode não ter efeito, afinal todos os outros fatores que influenciam na vacinação você desconhece. Aí quando o filhote fica doente, não adianta brigar com o veterinário com o custo do tratamento, ou exigir que ele resolva o problema. Sim, ele vai tentar a todo custo salvar o seu animal, mas lembre-se que a responsabilidade dele ter ficado doente é sua por não ter dado a vacina corretamente, certo?

Todas essas vacinas tem que ser repetidas anualmente. Sim, porque a proteção delas é curta, então o reforço tem que ser dado sempre. Mas pense que é um custo pequeno, perto do custo do tratamento dessas doenças.

Nos próximos artigos vamos falar sobre cada uma dessas doenças e você vai entender um pouco mais delas. Do mesmo jeito que se você tem filhos , você sabe porque tem que vacinar a criança contra meningite , pólio, catapora, você tem de saber o que essas doenças fazem no seu bichinho quando você tem essa infelicidade dele se infectar com alguns desses vírus. 

Até a próxima!!


* Maria Emilia Canoa de Godoy é médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Lavras. Possui pós graduação em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pela Universidade Castelo Branco. Trabalhou como Clínica em clínicas veterinárias da cidade de Biritiba Mirim e São Paulo, durante 8 anos. Atuou como Assessora Técnica no Banco de Sangue Veterinário BsVet localizado em São Paulo. Atuou como Assessora Técnica na Riviera Pets, responsável por vendas de microchips para cães e gatos.

Atualmente é Médica Veterinária Responsável Técnica no CCZ de Rio claro, onde coordena o projeto de Leishmaniose Visceral Canina, o projeto de Febre Maculosa. Atua como Técnica Responsável no projeto de Castração do Municipio e no Projeto de Vigilância da Raiva. Responsável pelo treinamento dos Agentes de Zoonoses e Agente de endemias .